A Floresta Sombria - Cixin Liu

7 de maio de 2018


Título: A Floresta Sombria
Autor: Cixin Liu
Páginas: 472
Ano: 2017
Editora: Suma de Letras
Gênero: Ficção Científica
Adicione: Skoob
Onde Comprar: SaraivaAmazonAmericanasSubmarino
Nota:   
Sinopse: Depois de "O problema dos três corpos", a humanidade se prepara para a iminente invasão alienígena. A Organização Terra-Trissolaris — formada por habitantes da Terra que traíram seus iguais para se associar aos alienígenas — pode ter sido derrotada, mas a presença de partículas subatômicas, os sófons, revela todo o conhecimento da humanidade para os invasores, e as defesas terráqueas são um livro aberto para os trissolarianos. Nesse contexto, em que só a mente humana é segura, é montado o Projeto Barreiras: quatro pessoas serão encarregadas de pensar em uma estratégia para a salvação do mundo. A Barreira está completamente isolada, protegendo seus pensamentos do restante da humanidade, mas até que ponto é possível guardar um segredo?

Resenha: Comecei a resenha do livro anterior, “O Problema dos Três Corpos”, lembrando a importância de um livro de ficção científica cativar o leitor, fazendo com que ele queira aprender mais sobre a ciência abordada no enredo. Se você faz parte da parcela de leitores que achou o primeiro livro prolixo demais em relação aos conceitos científicos, boas notícias pra você: As cargas de explicações científicas foram reduzidas ao mínimo, e o foco tornou-se inteiramente a história da crise causada pelos trissolarianos.

Ainda não leu o primeiro livro? Recomendo não ler este artigo, pois há spoilers de momentos decisivos na trama. Comece por aqui e conheça o começo dessa trilogia. (Imagem: Capa do livro em sua versão original chinesa)

O livro se inicia com o mundo inteiro já ciente da ameaça de quatro séculos à frente. A Terra passa por lentas transformações, onde há uma busca para a contraofensiva que planeja destruir toda a frota trissolariana que está há 4,21 anos-luz de distância. Tendo em vista que os sófons permanecem ocultos no planeta monitorando e atrapalhando avanços científicos, usar a ciência de base para qualquer estratégia é como uma bela caminhada no parque, com o chão cheio de ovos.

Apesar de um certo receio com o atual cenário da humanidade, é um consenso geral o fato de que os terráqueos passarão por cima dessa crise. A OTT, organização de humanos simpatizantes aos invasores trissolarianos, foi se desintegrando pouco a pouco, desde a ofensiva no navio Juízo Final, do líder Mike Evans.

Apesar da operação ter dado certo graças à nanotecnologia de Wang Miao, infelizmente ele nos deixa neste livro e dá espaço a novos protagonistas. (Imagem: Poster do filme que será lançado ainda esse ano, de acordo com o IMDb)

Mediante ao cenário realista, a ONU cria um plano para desenvolvimento de estratégias contra a invasão. É criado então o Projeto Barreiras, onde quatro pessoas elaboram ideias que, por obrigação, não podem sair da mente de seus criadores, único local da Terra onde os sófons ainda não têm acesso. Cada integrante apresenta um currículo invejável de conquistas e façanhas, o que não poderia ser diferente, já que são os defensores das próximas gerações de humanos na Terra. O primeiro membro é um ex-secretário de defesa dos EUA já aposentado; o segundo, um ex-presidente que implantou ideologias de cunho socialista na Venezuela e enfrentou o imperialismo americano, vencendo uma guerra contra os EUA apenas contando com guerrilheiros e armamentos de baixo orçamento; e o terceiro, um cientista indicado ao prêmio Nobel e ex-presidente da União Europeia. Em contrapartida, o quarto integrante é um cidadão comum, com poucas realizações, que simplesmente não entende o seu lugar no plano mais ambicioso da história.

Daqui pra frente, vou dar minha mais sincera opinião: Me decepcionei durante boa parte da leitura. Não, o livro não é de baixa qualidade, nem é mal escrito. Apenas criei expectativas de ver uma continuação direta do livro anterior, e expectativas sempre acabam com boa parte da diversão. A história continua de onde o primeiro livro parou (tendo um curto lapso entre a primeira comunicação dos sófons com os humanos não integrantes da OTT até três anos após o conhecimento geral da ameaça trissolariana pelos terráqueos), mas o ritmo dele é outro. Não vemos mais todas as explicações científicas, citações de teorias e conhecimento geral oferecido pelo livro anterior. Esse conteúdo foi subtraído ao mínimo possível, dando espaço para questões filosóficas, sobre como o ser humano reagiria frente à crise extraterrestre. É mais racional defender seu lar com unhas e dentes ou apenas aceitar que é impossível vencer uma raça alienígena de tecnologia superior? E quanto aos poderosos? Usariam eles seus recursos para tentar a sorte ou procurariam uma forma de escapar da destruição iminente? Confesso que foi difícil me acostumar com esse rumo totalmente novo do segundo livro da trilogia, mas no fim da leitura, valeu a pena. Cixin Liu tentou uma abordagem mais original em sua obra de ficção científica, onde o foco era a reação dos humanos frente à uma crise estelar, justificando toda a enxurrada de questionamentos e dúvidas durante o enredo, ao invés de só encher seu livro com soluções Deus ex machina se valendo da desculpa de que pode-se tudo num ambiente que apenas é inspirado pela ciência, sem ter a obrigatoriedade de segui-la à risca.

Essa é a reação do Capitão Picard sempre que conhece mais uma nova mídia de ficção científica rasa que termina em guerrinhas interestelares, heroísmo desacerbado e protagonismo em excesso.

O segundo livro da série conta com mais uma novidade, que é a inclusão de vários novos personagens na trama. Enquanto O Problema dos Três praticamente girava em torno de Wang Miao e Ye Wenjie, Cixin Liu estendeu a trama para mais pessoas, entre cientistas, professores, militares e até idosos aposentados. Mesmo que o andamento da história independa de alguns desses personagens, ter a visão de pessoas comuns quanto à crise enfrentada faz a história se tornar bem mais verossímil.

Em relação aos trissolarianos, teremos uma maior aproximação em relação ao primeiro livro, tendo contato com a sua forma de comunicação e algumas de suas avançadas tecnologias. Infelizmente, o jogo Três Corpos foi deixado de lado pelo autor, de forma que que não teremos mais tantos detalhes do mundo e sociedade de Trissolaris. A realidade virtual apenas é utilizada para encontros de membros remanescentes da OTT, para reuniões secretas.

No fim das contas, o livro pode parecer ter fugido do seu gênero. Confie em mim, não fugiu. Você apenas precisa ler até as últimas páginas, e verá que Cixin Liu englobou todos os bons conceitos necessários para uma obra de ficção científica de sucesso. Dentro desse universo, o livro faz um experimento, colocando personagens em situações adversas, tão reais e tão cruéis quanto a própria mentalidade humana, trazendo suas principais qualidades, ao mesmo tempo que traz todos os seus defeitos simultaneamente, frente à uma crise jamais vista na história humana. Cada “ponta solta”, desde o primeiro livro, foi respondida nas páginas finais de A Floresta Sombria, deixando espaço para uma maior liberdade no terceiro e último livro, Death’s End, que com certeza abordará um enredo extremamente inovador e autêntico. Que este livro seja lançado no Brasil o quanto antes, para que não fiquemos nessa floresta sombria de dúvidas sobre o final da trilogia!




10 comentários

  1. Não li nenhum dos dois livros.
    Não sou muito fã de ficção científica e vou confessar que fugi muito até das resenhas..rs
    São assuntos densos e profundos demais para minha cabecinha vazia.
    Beijo

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  2. Oi, Michel.

    Acho que de alguma forma, a humanidade sabendo do poderio do inimigo, poderiam por um momento, se sentiram amedrontados. O que é compreensível...

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  3. Oi Michel, tinha lido a resenha do primeiro e fiquei feliz por saber um pouco mais da trilogia. Acho que o fato de ter menos todas as explicações do primeiro seja a percepção do autor que talvez tenha ficado em excesso. Lendo assim realmente o livro me pareceu fugir da ficção científica mas acredito que realmente seja só impressão mesmo. Esperando pra saber um pouco mais do terceiro.

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  4. Gosto bastante de ficção científica, mas confesso que apenas em filmes, não sei exatamente o porquê. Não tenho certeza se lerei esta série um dia, mas eu já havia lido a resenha do primeiro e achei interessante. Gosto bastante de qualquer coisa que se relacione ao Universo. Mas vou me preparar e não nutrirei expectativas rs. Porque como você disse, espero continuações diretas e aparentemente não é assim.

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  5. Ficção científica também não faz meu gênero. 🙁
    Pena que não foi uma leitura 100% satisfatória pra você.
    É difícil não colocar expectativa em certos livros e é inevitável não se decepcionar quando isso acontece, às vezes nem é tão ruim, só a expectativa que foi alta.
    Não coloque expectativa no último livro, espero que te surpreenda.

    Beijos

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  6. Olá Michel!
    Ainda não li os livros, gosto mto do gênero e como li resenhas negativas e tbm positivas sobre eles eu preferi não criar mtas expectativas qdo conseguir ler, espero não me decepcionar com a história...
    Bjs!

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  7. Oi Michel.
    Confesso que boiei legal agora nos conceitos de ficção cientifica, no entanto, acho que entende o seu ponto de vista e acho uma pena que o livro não tenha sido o que você esperava, pelo menos não em sua grande parte, eu já aprende a não ir com muitas expectativas nas leituras, pois, na maioria das vezes acabo me decepcionando e não por que a leitura seja ruim, apenas não é o que eu esperava, enfim, gostei de sua sinceridade, mas acho que não leria.
    Bjs.

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  8. Olá Michel
    Eu não me identifico nenhum um pouco com livros de ficção científica. Até já tentei ler, porém quando não é sua praia! Mas obrigado pela a dica. 🤣❤️

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  9. Oi Michel,
    Não conhecia essa trilogia, acabei lendo a resenha mesmo com o risco de spoilers, pois fiquei curiosa para saber do que se tratava esse enredo. Alguns anos atrás eu lia muito ficção científica, mas agora prefiro outros gêneros. Então, desconfio que esse livro não funcionaria para mim, pois traz uma trama que não me atraiu muito. Fica a curiosidade para saber como o autor irá conduzir a narrativa do terceiro e último livro, já que nesse segundo ele mudou o foco. Com certeza será uma leitura surpreendente, espero que o desfecho seja satisfatório.
    Beijos

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  10. Oi Michel.
    Eu gosto bastante de ficção científica, principalmente em séries e filmes. Eu li apenas um livro de ficção científica até agora. Estava bastante animada para ler essa trilogia, mas o primeiro livro me pareceu bastante maçante. Esse segundo livro parece ter mais questões filosóficas, o que eu também acho interessante.
    Apesar de todas as mudanças na narrativa, parece que o autor conseguiu criar uma boa continuação.
    No momento essa trilogia não é uma prioridade de leitura, mas ainda pretendo ler um dia.
    Beijos

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