Everless - Prisioneiros do Tempo e do Sangue, Livro 01 – Sara Holland

27 de fevereiro de 2021

 Título: Everless - Prisioneiros do Tempo e do Sangue, Livro 01
Autor: Sara Holland
Páginas: 368
Ano: 2019
Editora: Morro Branco
Gênero: Fantasia, Ficção, Jovem adulto, Literatura Estrangeira
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota: 
Sinopse: No reino de Sempera, os ricos controlam tudo – até o tempo. Desde a era da alquimia e da magia, horas, dias e anos são extraídos do sangue e vinculados a moedas de ferro. Agora, aristocratas como a família Gerling prosperam por séculos, enquanto os pobres sangram até morrer.
E ninguém guarda mais rancor deles do que Jules Ember. Uma década atrás, ela e seu pai eram serviçais em Everless, a propriedade feudal dos Gerling, até que um fatídico acidente os obrigou a fugir. Agora, desesperada para ganhar mais tempo, Jules precisa retornar a Everless em meio às preparações para o casamento de Roan, o mais jovem Lorde Gerling, com a filha da Rainha.
Entre a inesperada bondade de Roan, a crueldade de seu irmão Liam e os terríveis rumores que rondam a Rainha, Everless traz mais tentações – e perigos – do que Jules jamais imaginou. As histórias de sua infância começam a ganhar outro significado, revelando um passado que ela mal reconhece e uma rede de nefastos segredos que podem mudar o seu futuro – e o curso do próprio tempo – para sempre.
Fãs de Victoria Aveyard, Kendare Blake, Stephanie Garber e Sarah J. Maas vão se surpreender com a ação, o romance e as intrigas dessa deslumbrante narrativa.

 



Resenha:

“Outro pensamento me atinge com força: Talvez eu também seja um mistério, um segredo que precisa ser desvendado.”

Everless, é o primeiro livro da série de fantasia Prisioneiros do Tempo e do Sangue da autora Sara Holland, este também é o seu primeiro livro publicado. Aqui no Brasil ele foi lançado pela editora Morro Branco. Possui uma belíssima capa e diagramação charmosa.

Foi um livro que ficou nos meus desejados por um tempo e amei ler. Com um ritmo de leitura fluido.

Everless, nos trás a história de Jules, uma jovem que vive com seu pai em um povoado pobre e luta para sobreviver um dia de cada vez. Em seu mundo o que determina a riqueza de uma pessoa é o tempo que ela possui de vida, sim isso mesmo. 500 anos atrás um Alquimista com a ajuda de uma Feiticeira conseguiu unir tempo ao sangue, fazendo com que a vida que cada um possui se tornasse uma moeda. É por isso tempo o dinheiro que comanda este mundo fantástico. As famílias mais ricas possuem membros que vivem por séculos, enquanto os pobres literalmente sangram por eles.

“Quero discutir, convencê-la de que o destino de uma garota de Everless é ingrato e degradante, que todas elas se tornam um título sem nome, mas não posso.”

Jules, está prestes a fazer dezessete anos, a idade em que os credores de tempo podem sangrar uma pessoa, e isso a atormenta. Seu pai está com a saúde fragilizada e sem trabalho, ela não encontra caça e trabalho para si em um inverno que todos só falam no casamento do filho mais novo do lorde feudal com a princesa herdeira.

“Sou assombrada por pensamentos sobre a lamina do credor do tempo, sobre os frascos esperando serem preenchidos com sangue. E então o sangue esperando para ser transformado em ferro, a onda de exaustão que ouvi dizer que se segue após o tempo ser sugado das veias de uma pessoa.”

Então podem imaginar que ela não está nos melhores dias de sua vida, não ajuda também o rancor que ela guarda dos Gerling, quando criança seu pai teve uma posição dedestaque entre os ferreiros da família e ela passou dias brincando com Roan Gerling, até que um acidente envolvendo ele e o irmão mais velho dele Liam, fez com que eles fugissem abandonando a segurança de Everless, para viver a dura vida dos menos favorecidos.



Acontecimentos a levam a retornar a Everless contra a vontade do seu pai para trabalhar nos preparativos do casamento de Roan, então sua vida muda drasticamente.

Enquanto está no castelo, precisa lidar com os sentimentos e memórias envolvendo ambos os herdeiros Gerling, servir a rainha e a princesa Ina Gold, manter seu sangue dentro de suas veias e descobrir o verdadeiro motivo que fez seu pai implorar e arriscar sua vida para fazer com que ela não chegasse perto da rainha e de Everless novamente.



É uma fantasia com uma mitologia muito interessante, gostei como foi criado um sistema onde o tempo de vida de cada pessoa se tornou a moeda financeira do mundo, a magia e segredos sombrios acerca de tudo isso dá muito material para ser explorado. A corrupção e exploração da população mais pobre para manter a vida longa dos ricos e toda a trama política é algo que chamou minha atenção.

Temos é claro, também o segredo que cerca a vida da protagonista.

Eu particularmente gostei mais da trama em si e dos segredos do que dos personagens principais, pelo menos até metade do livro. Jules não me cativou imediatamente, suas ações são bem dignas de um levantar de sobrancelhas e uma pergunta ao estilo: sério?

Roan, o interesse romântico oficial de Jules não me ganhou com a descrição de aparente perfeição, fazer o que, se eu já desconfio de quem a protagonista acha o máximo logo de cara... os mocinhos tem que se empenhar para me conquistarem!

Existe uma trama romântica sendo explorada com alguns clichês. Triângulos amorosos sendo esboçados, mas para a minha alegria o romance não é o foco do livro.

Sem contar que os antagonistas compensam a protagonista instável a principio. Liam me chamou a atenção desde o inicio e durante o livro seu desenvolvimento – que apesar de não ser inovador – me agradou bastante, e para minha alegria, minha teoria do meio do livro se revelou correta ao final, sobre os irmãos Gerling! E o vilão principal, é alguém comentado nessa resenha, mas não falarei nada sobre isso.

“- Sua voz é a hora de uma rosa, sua alma um ladrão apaixonado. Eu a seguirei pelos bosques verdes até que seu coração seja meu...” 

E no final do livro a sensação é de que Jules tem potencial e que nos próximos livros pode vir a se redimir pelas burrices e atitudes impensadas deste primeiro livro.



Acredito que é um primeiro livro bem coeso, entrega bem a base de uma história que vai ficando empolgante e estou ansiosa para saber o desenvolvimento e final da trama.

Indico para fãs de fantasia no geral.

Prisioneiro da Noite - Universo Irmandade da Adaga Negra - JR Ward

26 de fevereiro de 2021


Título: Prisioneiro da Noite - Universo Irmandade da Adaga Negra
Autor:
 JR Ward
Páginas: 240
Ano: 2019
Editora: Universo dos Livros 
Gênero: Ficção, Romance
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon 
Nota:  
Sinopse: Depois de ter seu irmão sequestrado, a bela Ahmare não poupará esforços para recuperá-lo são e salvo. No entanto, ela não está pronta para encarar o tamanho das complicações que estão por vir. Trabalhando em conjunto com um prisioneiro perigoso e que deixa seus sentidos à flor da pele, ela se lança à odisseia de investigar um mundo completamente novo e envolvente.
Duran foi traído por seu pai e passou décadas cativo em uma cela, tendo sobrevivido apenas pela motivação de sua sede de vingança. Possuído por uma ferocidade latente, ele fica à espera da chance de escapar e vê seu mundo virar de ponta-cabeça quando encontra sua liberdade diante de uma jovem destemida e extremamente sexy.
Lutando contra forças mortais e encarando uma ameaça imprevista, ambos se lançam a uma corrida contra o tempo que visa salvar o irmão de Ahmare. Conforme o tempo vai se esgotando e o inimaginável se prolifera, será que o arrebatamento do amor verdadeiro será capaz de levá-los adiante?




Resenha: 


“A sombra pegou a garrafa e bebeu aquilo como se fosse limonada. E se isso não era um comentário sobre as diferenças entre aqueles que ensinam defesa pessoal e aqueles que a usavam de verdade, Ahmare não sabia o que poderia ser.” 

Prisioneiro da Noite, é um livro escrito pela autora americana J.R Ward e pertence ao universo vampiresco da Irmandade da Adaga Negra. Publicado no Brasil pela editora Universo dos Livros.

Para quem quiser conhecer mais os vampiros da IAN temos resenhas dos livros da série principal e um post exclusivo com detalhes dos livros. Basta clicar na imagem abaixo:



Apesar de ser um livro do universo de uma série vasta, (IAN possui 17 livros da serie principal, um spin-off com 04 livros), não é necessário já ter lido os livros para ler este, inclusive eu indico para que gostaria de conhecer a escrita da autora em um livro curto, não tem tanta ação como as séries principais, mas dá para ter uma ideia leve do que você pode esperar em se tratando dos vampiros e os relacionamentos românticos nos livros.

Em Prisioneiro da Noite conheceremos Ahmare e Duran, ambos vampiros cujas vidas se entrelaçam graças há algo terrível para ambos.

Ahmare, tem o seu único irmão seqüestrado e para conseguir salvar a vida dele precisa realizar uma tarefa para Chalen, o conquistador, um poderoso e horrível vampiro. (Preciso fazer um comentário, Ward sabe escrever personagens que pegamos um ódio e asco tão rápido e que não passa como ninguém 🤣) Para ajudar a realizar essa tarefa ela “recebe” o uso de uma arma de Chalen, a arma é Duran, este que foi traído por seu pai e entregue para ser torturado por décadas por Chalen e seu exército. 

Com pouco tempo para salvar seu irmão Ahmare, precisa desesperadamente da ajuda de Duran, mas as condições emocionais do vampiro não são das melhores e juntos terão que encontrar um caminho para que a sede de vingança de Duran não destrua a única chance dela de salvar a própria vida e a do irmão.

“Ahmare era linda para ele por causa da maneira como o fazia se sentir. Era como um golpe de sorte quando nada mais dá certo na vida ou a suspensão inesperada de um peso que o estivera esmagando...”

Duran, é um vampiro magnífico, para quem já está habituado aos livros da IAN, sabe que os machos vampiros podem ser extraordinários, fortes, bons, guerreiros exemplares, ou serem criaturas repulsivas. Duran, possui muitos traumas e veremos ele lidar com vários durante a trama, mas é desde o inicio claro que ele é um macho de valor.

“... Ele não era o macho certo, de um jeito ou de outro. Maldição, ela não era esse tipo de fêmea. O macho tinha uma bunda maravilhosa.
MA-RA-VI-LHO-SA.”

O que é uma sorte para Ahmare, que não fica atrás, é forte e decidida, ela pode não estar acostumada a violência, porém quando necessário prova que faz o que é necessário para sobreviver.



Como todos os livros da autora, temos um romance acontecendo entre a trama de ação principal, e com uma dose de cenas hot, não são muitas, até porque não é um livro grande, mas tem e são ótimas!

Eu li bem rápido, porque não consegui largar o livro sem saber o que seria desse casal, dos seus inimigos e dos aliados que surgem. Para os fãs temos uma menção da irmandade, dos sombras e do rei dos vampiros no final, mas é apenas isso, uma menção, nada de spoilers.



É um livro curto, com escrita fluida e trama dinâmica, faz parte de um projeto da autora de trazer historias com vampiros fora da irmandade para vermos o mundo dela de forma mais ampla, ela já escreveu uma novella chamada Dear Ivie ou Querida Ivie em português, que também mostra um casal maravilhoso. No Brasil, Dear Ivie não foi lançado, mas quem quiser e souber inglês, ele está disponível em ebook na Amazon, eu gostei muito e se quiserem trago uma resenha dele com detalhes.

“Era tudo ilusão, disse a si mesmo, criada pela química entre eles. Só que... as vezes, quando se sente coisas de modo tão profundo, a força das ilusões é tão grande que a realidade pode ser...”

Prisioneiro da noite é um livro que indico para os fãs da autora, para que curte livros de romances sobrenaturais com vampiros, hot e ação. Temos batalhas, luta corpo a corpo, explosões, drama familiar e romance. Um prato cheio e bem servido em poucas páginas. Indico também para quem quer conhecer a escrita da autora e entrar no mundo dos vampiros da IAN.

Até a próxima, que volto em breve com a resenha de o pecador, livro da série principal e ultimo lançamento.

Nosferatu - Joe Hill

25 de fevereiro de 2021

Título:
 Nosferatu
Autor: Joe Hill
Páginas: 624
Ano: 2014
Editora: Arqueiro
Gênero: Terror; Fantasia 
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:  
Sinopse: Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.

                                            
Resenha:

Acho que o talento é hereditário mesmo...

Saudações terráqueos! Hoje vamos conversar sobre Nosferatu, escrito por Joe Hill, mais conhecido como filho do Stephen King. A obra concorreu ao prêmio Bram Stoker bem na época do lançamento de Doutor Sono, livro do papis que acabou vencendo a edição de 2013. Mas será que Nosferatu mereceu concorrer ao lado de gigantes? É o que vamos descobrir, então s’imbora!

Na obra, somos introduzidos à Victoria McQueen, uma garotinha que possui o dom peculiar de encontrar objetos perdidos por meio do Atalho, uma espécie de ponte que é acessada pela bicicleta da protagonista.  Acontece que não é só Vic que possui a habilidade de viajar. Charlie Manx, por meio de seu Rolls Royce 1938, utiliza os portais para sequestrar crianças e levá-las à Terra do Natal, um parque de diversões que retira a humanidade dos visitantes para fortalecer seu criador. 

Com o passar dos anos, as vidas dos dois personagens se cruzam, porém Vic consegue escapar do ardiloso sequestrador, e Manx é preso após a exposição de seus crimes. Já na fase adulta, Vic tenta manter a sanidade após sua traumática noite no covil de Charlie Manx, ao mesmo tempo que cria seu filho, Wayne. Porém a vida do menino parece estar em risco quando surgem boatos de que Manx está solto e em busca de vingança. 

Depois de tentar explicar um pouco da trama, só posso dizer que a obra conseguiu superar minhas expectativas. Fazendo a construção dos personagens de forma linear e através dos anos, Hill vai tecendo uma história que soa muito similar à escrita do pai, principalmente no que diz respeito à descrição detalhada dos fatos.

Victória é uma protagonista que ficou extremamente traumatizada pelos acontecimentos de sua adolescência. Se na infância viajar através do Atalho era algo curioso e divertido, na idade adulta essa habilidade afetou completamente a psique da personagem, que precisou até passar por uma clínica de reabilitação.

“Sua mãe ficara maluca por um tempo, achando que o telefone tocava quando não se ouvia som algum, tendo conversas com crianças mortas.” 


Confesso que Vic me deixou estressado em alguns momentos. Por tentar negar de qualquer forma que Manx estava solto, a personagem se mostrava bastante ríspida com as pessoas, ou melhor, mal educada. Vários personagens secundários (que por sinal são muito importantes para o desfecho da história), como Lou (pai de Wayne) e Maggie (uma figura do passado da protagonista que a explicou como funcionam seus poderes) tentavam oferecer ajuda, mas Vic insistia em afastá-las. E eu ficava tipo: garota para de ser rabugenta!

Charlie Manx, por sua vez, é um dos vilões mais carismáticos que já tive o prazer de conhecer. É interessante pontuar que o personagem acreditava que estava fazendo BEM às crianças, pois na Terra do Natal elas podem se divertir para toda a eternidade (embora o preço seja perder a alma e a racionalidade, HÁ). Manx possui um senso de moralidade que rapidamente o torna antagonista de Vic, e como considera ELA a vilã, decide que Wayne seria muito mais feliz ao seu lado na Terra do Natal. E aí a gente acompanha uma perseguição que perdura por uma boa parte do livro, perseguição esta que torna a leitura bem lenta em alguns momentos.


“Tenho certeza de que você é um ótimo menino. Todas crianças são...por um tempo.”


Embora todo esse conceito da Terra do Natal seja bem interessante e os personagens não deixem a desejar no que se refere à caracterização, o livro possui um EXCESSO de referências que em determinado momento começam a irritar o leitor. É como se Joe Hill quisesse esfregar na nossa cara que é filho de Stephen King, pois temos INÚMERAS referências às obras do autor, como It, O Pistoleiro, O Iluminado, Doutor Sono, Carrie, etc.


“– Você disse falar a moto falar com você. O que ela está dizendo? Eu não falo a língua das motos. – Ah, ela está dizendo “Aiô, Silver”.


É claro que a gente gosta de saber que as histórias possuem certa conexão (sendo que temos até uma referência muito inteligente relacionada com Doutor Sono), mas acredito que o autor exagerou. Além das referências às obras de King, o livro também abusa do ultrapop: Harry Potter pra lá, Senhor dos Anéis pra cá, e por aí vai. 


“Existe tribo do Nó Verdadeiro, que vive na estrada e trabalha maios ou menos no mesmo ramo que eu.” 


Tamanho número de informações prejudica a compressão de um enredo que já é complexo, e até desvia o foco em algumas passagens. Todavia, essas ressaltavas são bastante pessoais, pois alguns leitores podem até gostar dessa enxurrada de cultura pop, é de gosto mesmo né. O final é bastante corrido e certos acontecimentos não me convenceram (ora fáceis demais, ora pouco críveis), porém eu não visualizo um desfecho melhor para essa história grandiosa criada pelo autor. Só algumas execuções que poderiam ser diferentes. 

Em suma, Nosferatu não deixa de ser um super recomendação para quem curte histórias sobrenaturais bem estruturadas, cujos personagens vão sendo moldados aos poucos para que se tenha uma ampla perspectiva sobre os mesmos. Hill tem tudo para dar continuidade ao legado no pai, nos encantando com as palavras e impactando, seja na literatura, seja no cinema. 


“Chorar era uma espécie de luxo; os mortos não sentiam perda alguma, não choravam por ninguém nem por nada.”


Aliás, a obra possui uma adaptação seriada pelo canal norte-americano AMC (que inclusive já possui resenha aqui, feita pela Vivs). Infelizmente, a série foi cancelada após duas temporadas, porém, segundo os diretores, foi possível encerrar todos os arcos do livro. 

Para ler a resenha da série, clique na imagem abaixo:

                                           

Até as próximas resenhas!

A Menina do Outro Lado, Vol. 1 - Nagabe

24 de fevereiro de 2021

Título
: A Menina do Outro Lado: Vol 1
Autor: Nagabe 
Páginas: 176
Ano: 2019
Editora: Darkside Books
Gênero: Quadrinhos, Fantasia
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:    
Sinopse: Em um país dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados, Shiva é uma menininha que foi acolhida por uma estranha criatura meio animal e meio humana. Sensei, como é chamado, não pode ser tocado e vive fora da cidade. Afastado do convívio com os demais e ciente dos perigos e maldições que os rodeiam, Sensei alerta Shiva para que ela não saia sozinha. Porém, quando a menininha decide reencontrar sua tia desaparecida, regras são quebradas — e a vida que eles conheciam é colocada em risco. A Menina do Outro Lado é uma fábula sobre a criação do afeto e o amor entre duas criaturas tão diferentes, mas com muito a compartilhar. Uma trama atual sobre a condição do diferente e da falta de aceitação. Sobre largar seus medos e enfrentar a vida com um novo olhar. Com uma arte delicada, que explora luz e escuridão, Nagabe apresenta um mangá rico em detalhes que não hesita em adquirir tons mais sombrios e peculiares conforme a história se desenrola. Está tudo aqui: a dualidade do preto e do branco, do bem e do mal, do animal e do humano, do lado de dentro e de fora.


Resenha:
 Não há como falar de quadrinhos sem a gente antes conhecer quem está por trás das histórias. No caso de A Menina do Outro Lado, quem assina o enredo e as artes é o famoso quadrinista japonês Nagabe

Nagabe tem apenas 25 anos e formou-se em Artes Visuais, no Japão. Com isso, vem se destacando entre os quadrinistas japoneses. Publicou sua primeira obra em 2013, e seu mais novo trabalho, A Menina do Outro Lado, conta com 10 volumes publicados no Japão pela Mag Jardim. O último volume publicado está previsto para Abril de 2021, totalizando 11 volumes desse quadrinho maravilhoso.

Eu me identifiquei com o estilo de Nagabe desde a primeira vez que vi os quadrinhos. Como artista visual e estudiosa de criaturas fantásticas, foi com muita avidez que passei as páginas desse quadrinho lindo. A arte de Nagabe é facilmente reconhecida por andar entre os contos de fadas sombrios e seu desenvolvimento por criaturas antropomórficas (animais que possuem aspectos humanos). A criatura da página é visivelmente um híbrido, outra coisa que me fez escolher ler esse livro.


Imagem retirada do site da Darkside Books

O tema dark se sobressai nos quadrinhos de Nagabe, e em A Menina do Outro Lado isso não é diferente. Com uma paleta de cores sombria e fria e uma técnica invejável de ilustração e pintura (para qualquer um que coloca os olhos sobre as páginas, tanto os leigos como os artistas), Nagabe tece a vida da nossa pequena Shiva, uma garotinha que possui toda a delicadeza e inocência de uma criança de sua idade, mas que tem como melhor amigo uma criatura muito peculiar.

É sobre essa obra que vamos falar abaixo.

Essa resenha será bem breve, porque o livro o é. Com pouco mais de 170 páginas e falas pequenas, o volume 1 de A Menina do Outro Lado é uma leitura rápida, mas nem por isso menos intensa.

Nossa querida Shiva, a criança inocente e personagem principal, vive em um mundo dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados. Porém, Shiva está do outro lado, ou o lado “errado”, como podemos sentir no início do livro.

A trama é descoberta aos poucos, quando podemos ver a interação da garota Shiva, que sempre espera a volta da sua tia em um mundo vazio de pessoas, e a criatura híbrida que Shiva chama delicadamente de Sensei (professor, ou mestre, em japonês). Sensei tem um aspecto que, à primeira vista, pode causar estranheza: corpo cheio de pelos, mãos com dedos longos e afiados e uma cabeça que lembra um bode com chifres altos. Porém, Sensei anda ereto como um ser humano, usa roupas sociais e sapatos lustrosos. E é muito bem educado, principalmente com Shiva, com quem parece tecer amizade e preocupação.



Sensei não come, mas Shiva gosta de chá, e ele se senta com ela na mesa para fingir que está tomando chá com a garota. Sensei lê para Shiva de noite para que a garota tenha bons sonhos, e se preocupa com a alimentação dela e com os passeios pelas florestas abandonadas. Sensei faz o papel de um bom amigo mais velho, ou um pai.

Shiva não pode tocá-lo, e isso se torna quase um obstáculo que ansiamos por não existir, porque o afeto entre os dois personagens é tão grande, que desejamos que Sensei pegue Shiva no colo e a conforte por viver em mundo que ela ainda não entende.



Mas Sensei guarda um segredo...

Esse segredo, não posso revelar, mas a rotina solitária de Shiva e Sensei é interrompida quando um grupo de soldados do “outro lado” sai por detrás dos grandes muros para enterrar os mortos. O lado amaldiçoado, que eles tanto temem, possui criaturas perigosas. Mas qual é o real perigo quando os soldados se deparam com uma Shiva inocente e apontam uma flecha para ela?

Quem é o monstro? Sensei, o chifrudo com roupas escuras? Ou os soldados que não escutam as súplicas de Shiva para que eles não a machuquem?

Com uma interpretação brilhante sobre o bem e o mal, a luz e a escuridão, o humano e o animal, Nagabe nos transporta para um mundo de fantasia e afeto, e questões atuais como humanidade, respeito e preconceito são tratadas com simplicidade e inteligência nesse livro delicado e forte.



A Menina Outro Lado foi indicado para o prêmio de Melhor Quadrinhos no 45º Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême em 2018.

A Darkside Books acertou ao dar espaço para a cultura dos quadrinhos japoneses. Que venham os outros!

Para Ressignificar um Grande Amor - Aka Poeta

23 de fevereiro de 2021

Título:
Para Ressignificar um Grande Amor 
Autor: João Doederlein - @AkaPoeta
Páginas: 184
Ano: 2021
Editora: Paralela
Gênero: Literatura Brasileira, Poemas e poesias.
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:    
Sinopse: Em seu novo livro, João Doederlein (Akapoeta) nos conduz por seu processo de cura e autoconhecimento, resgatando uma lição importante para todos nós: a vida não é feita de certezas, e recriar faz parte do ciclo.
“Em Para ressignificar um grande amor, pude conhecer outra faceta da pessoa incrível que é João. Ele se abre à sensibilidade das palavras, às formas criativas e ilimitadas dos ressignificados e ao jogo de sentimentos que fluem nesta história que ele conta com mãos tão apaixonadas. Matilda foi seu grande amor, e o eu-lírico começa o livro resgatando uma lição importante para todos nós: a tentativa de ressignificar alguém que nos marcou é um movimento necessário para a manutenção da vida. Ele diz: ‘finais não são absolutos. O amor encerra, a gente não’, como quem ainda sente na pele a dor amargurada de algo que poderia ter dado certo, mas não deu. Mesmo assim, se concede a oportunidade de continuar vivendo e seguindo – tanto na vida quando na narrativa da sua história.
Esta obra me trouxe sorrisos, reflexões, e me inspirou a escrever. Acho que é isto o que uma boa história faz: te move, te cutuca, te alavanca a outros universos. E aqui estou eu, apaixonado por cada palavrinha que o mundo do João me apresentou.” ― Igor Pires da Silva
“Se apaixonar é perceber que todas as palavras desconhecidas já existiam dentro da gente. Se desapaixonar é descobrir o nosso próprio significado para cada uma delas. Este livro é um lindo presente para quem se perdeu nesse processo e sabe que o caminho de volta exige coragem. Recomendo a leitura para todas as vezes em que o amor te virar as costas.” ― Bruna Vieira.


Este livro foi cedido pela Editora Paralela, porém as opiniões são completamente sinceras. Não sofremos nenhum tipo de intervenção por parte da Editora. 




Resenha:

“supernova (s.f.) é explosão brilhante de uma estrela de grande massa que já consumiu toda a sua energia. é uma luz que passa a do próprio sol e se intensifica gradualmente até desaparecer. é quando estrelas morrem e o universo inteiro assiste. é o estágio final de um grande amor.”

Para Ressignificar um Grande Amor é o lançamento de poesia nacional da editora Paralela para 2021, terceiro livro do autor João Doederlein, mais conhecido como Aka Poeta era um dos lançamentos que eu estava mais esperando.

Ano passado li Coração Granada do autor e me apaixonei! Para lerem a minha experiência de leitura deste livro basta clicar na imagem abaixo:



Para Ressignificar um Grande Amor é o tipo de livro que todo mundo (principalmente os fãs de poesia) precisam ler. Eu tenho a impressão que João é um poeta que fala de uma forma muito sensível sobre temas muito importantes. 

“...é quando um amor acaba e vai embora sem te avisar.”


Em Coração Granada ele fala sobre a dor de perder um amor e sobre ansiedade. 

Aqui ele mostra que é possível amar muito alguém, tudo terminar e você conseguir seguir em frente em paz. Consigo mesmo, com as memórias do passado e disposto a abrir seu coração novamente.

“... foi meu último grande amor. E, como muitos dos amores por aí, ele teve um fim. Mas finais não são absolutos. O amor encerra, a gente não.”

Já no seu estilo característico de escrita ele ressignifica várias palavras enquanto tece uma história nas entrelinhas, se você ler o livro do início ao fim sem pular podemos ver o processo de cura em poesia. Que maravilhoso!

“Coincidência (s.f.) é me apaixonar sempre por pessoas que têm gatos e toda vez esquecer o antialérgico no primeiro encontro.”

Eu amei muito esse livro, em muitos momentos senti que o livro foi escrito para mim, pois a poesia dele tocou meu coração. 


O livro também pode ser lido sem uma ordem específica, aberto ao acaso e lendo aquela palavra ressignificada, mas acredito que pelo menos uma vez merece ser lido na ordem para a história ser totalmente conhecida, sim, como eu disse, para mim João tece sempre uma narrativa em segundo plano que vamos conhecendo aos poucos. E neste livro a narrativa sãos os ciclos do amor, começo, meio, fim, recomeço.

Um excelente livro, que eu li em versão digital que a Paralela disponibilizou aos parceiros e que espero em breve ter em versão física, só tenho visto elogios para o projeto gráfico dele e se for tão lindo quando O livro dos ressignificados já sei que vou amar.

“... não é alguém feito para você. é alguém que faz você querer ser o melhor de si, ainda imperfeito, ainda errado, mas feliz” 

Indico para todos que amam poesias, que amaram, que viram o amor morrer e que seguiram em frente para amar novamente, para quem está precisando saber que o fim de um amor não é o fim de tudo! 

Boas leituras a todos! Até a próxima



Ps: Notaram que ele sempre escreve sobre gatos? Amoooo