Menina Má - William March

12 de setembro de 2020

Título: Menina Má
Autor: William March
Páginas: 272
Ano: 2016
Editora: DarkSide Books
Gênero: Suspense, Mistério, Terror
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:  
Sinopse: Publicado originalmente em 1954, MENINA MÁ se transformou quase imediatamente em um estrondoso sucesso. Polêmico, violento, assustador eram alguns adjetivos comuns para descrever o último e mais conhecido romance de William March. Os críticos britânicos consideraram o livro apavorantemente bom. Ernest Hemingway se declarou um fã. Em menos de um ano, MENINA MÁ ganharia uma montagem nos palcos da Broadway e, em 1956, uma adaptação ao cinema indicada a quatro prêmios Oscar, incluindo o de melhor atriz para a menina Patty McComarck, que interpretou Rhoda Penmark.

Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.

MENINA MÁ é um romance que influenciou não só a literatura como o cinema e a cultura pop. A crueldade escondida na inocência da pequena Rhoda Penmark serviria de inspiração para personagens clássicos do terror, como Damien, Chucky, Annabelle, Samara, de O Chamado, e o serial killer Dexter.




Resenha: 

“- O que você me dá seu eu der para você uma cesta de beijinhos?
- Uma cesta de abraços!”

Menina Má é um clássico da literatura lançado em 1954, seu autor William March, ficou surpreso que desde seu lançamento, o livro foi apontado como um dos melhores livros de suspense de sua época. Publicação da Darkside Books no Brasil, o livro era um dos meus mais desejados.


O livro com sua importância é atemporal, o nome original do livro é The Bad Seed, é utilizado até hoje para designar crianças más, e o livro é uma referência para autores e foi adaptado para diversas outras mídias, incluindo a Broadway e cinema. – no cinema temos uma versão de 1957, 1985 e a mais recente de 2018.

Aqui temos um dos primeiros livros de terror e suspense que trazem como protagonista uma criança em sua figura vilanesca. Atualmente isso, pode não chocar, mas na época em que foi escrito o impacto foi bem maior. Contundo tirando algumas ressalvas, a leitura foi extremamente prazerosa, o final não me agradou, mas não por falta de qualidade na escrita, e sim, apenas porque queria outro final mesmo.

“Certos assassinos, particularmente, aqueles mais hábeis cujos nomes depois ficava célebre, costumavam começar ainda crianças e demonstravam seu talento desde cedo, tal e qual poetas, matemáticos e músicos geniais.” 


Rhoda Penmark, possui apenas oito anos e é uma linda menina, inteligente e adorada – pelos adultos. Apenas possui uma peculiar característica. Ela é aparentemente incapaz de sentir empatia, amor, sentimentos tão cruciais para o desenvolvimento pleno de uma personalidade saudável. O que a torna um verdadeiro desafio para sua mãe Christine, é através de Rhoda e principalmente de Christine que a história é contada.

A jornada de sua mãe, uma mulher com os dilemas, sofrimentos e perspectivas de vida, tão castrada como de quase todas as mulheres da época, acredita que sua principal missão de vida é resolver o problema que é a criação de sua filha. E suas suspeitas em torno das ações e comportamento da filha vão a direcionar em uma jornada emocional e mental avassaladora.
Rodha pode ser o centro da história, mas a jornada é de Christine.

“Minha filha é sangue do meu sangue. É meu dever protegê-la”


O livro possui um suspense bem escrito e equilibrado, por ele ser uma referência para o gênero, eu não me surpreendi com os desdobramentos da história, o que não tira o brilho da trama e da forma como foi tudo conduzido. Aliás preciso enfatizar que a condução da jornada de Christine é excelente. O final foi infelizmente o que eu esperava – e não queria – e não deixou de chocar de certa maneira.

O livro é um suspense mesclado com terror pessoal, e possui uma violência intrínseca em sua narrativa. O tema, uma criança psicopata, é muito pesado, e não somente esta semente do mal é mostrado no livro, existem outras pessoas perversas ao redor de Rhoda, e certamente o que me chocou mais foi à descrição da sociedade cansada e conivente com o mal que March descreveu.   

“- Eu sei que no fundo, você esta muito triste, minha linda.
- Não sei do que você esta falando, mãe. Não sinto nada.”


Menina Má, é um livro indicado para quem gosta de clássicos, possui uma linguagem tranqüila e não tive problemas em me conectar com a escrita ou ritmo do livro.

No Brasil, o livro foi publicado em uma edição maravilhosa pela Darkside Books, o livro possui capa dura, fitilho e um projeto gráfico maravilhoso. Além de contar com uma introdução muito interessante que joga luz nas sombras peculiares que foram à vida do autor. Recomendo só ler a introdução no final do livro, caso desejem ter uma leitura com mais surpresas.

Até a próxima.

10 comentários

  1. Um dos livros mais pesados e não, não é pesado no cenário geral. Mas no sentido de trazer uma criança tão seca, tão dura com as pessoas.
    A gente se sente mal ao ler tudo isso e imaginar que isso pode ser real. Assustador!
    Foi um dos primeiros livros da Dark que li e a única reclamação que tenho é que ele deveria ter corte colorido rs seguindo o padrão de cor da capa!!!
    Super recomendo a leitura,mas oh, não é fácil! rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na flor

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  2. Eu não sabia que esse livro era tão antigo. kkkkk
    Bom, falar que uma criança é má, realmente é algo bem assustador hoje em dia, imagino naquela época. Fiquei bem curiosa para saber o que a Rhoda fez para ser a menina má e o que sua mãe tem que corrigir. Bom, quero ler com certeza. E essa edição da DarkSide é maravilhosa, como sempre.

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  3. Como eu amo livros de suspense/terror, eu li Menina Má alguns anos atrás. Apesar da edição maravilhosa, assim como todos os livros da DarkSide, eu, sinceramente, achei esse livro péssimo. Eu achei tudo muito óbvio, e foi exatamente isso que me fez o odiar o livro, e achar ele muito previsível.

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  4. Nossa, quantas qualidades na sinopse heim? Só de ler ela dá vontade de correr e pegar o livro. Gosto muito de livros de suspense, por mais que não sejam os de maiores quantidades na minha lista.
    Realmente, hoje filmes e livros com crianças são até comuns, mas imagino como deve ter sido uma maravilha para a época.
    Deve ser assustador ler uma criança falando desse jeito né? Que não sente nada. Fiquei bem curiosa com esse livro. Além da edição ser sensacional!! Ótima resenha!

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  5. ola Apesar da linguagem tranquila ,como voce relata ,a leitura deve ser tensa .psicopatia geralmente é um tema que deixa muitas perguntas na minha cabeça ,imagina um livro que aborda esse assunto em crianças
    como será que uma mãe reage diante desse fato ? dificil né.
    se tiver oportunidade quero ler sim

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  6. Vivian!
    Tive oportunidade de assisttir as adaptações de 85 e de 2018, entretanto, ainda não consegui ler o livro.
    Nem dá para imaginar uma menininha de 8 anos sendo tão má... só aí o livro já se torna diferente e merece ser apreciado como leitura.
    Criança psicopata é quase inimaginável, né?
    Uma pena que o final não foi como desejava.
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Vivian!
    Imagino como deve ter sido impactante o lançamento dessa obra em 1954! As críticas com certeza foram fundamentais para consolidar Menina Má como uma referência do gênero, e não é à toa, né?
    Willian March parece ter feito uma construção minuciosa da mente por trás de uma criança psicopata, e por isso a leitura deve ser ao mesmo tempo espetacular e perturbadora. Além disso, podemos ver como existem influências que corroboram para o surgimento de uma psique sádica, e sabemos muito bem como as crianças internalizam o que veem.
    A Darkside, como sempre, está de parabéns. Os livros da editora possuem uma qualidade de cair o queixo, e a estética complementa a experiência como um todo.
    Beijos.

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  8. Esse livro é super elogiado mesmo, e já ouvi falarem bem do primeiro filme também, só não sabia que tinha sido readaptado. Confesso que não é o tipo de livro que eu gosto muito, mas é uma boa dica pra os fãs de suspense e terror. E essa edição está linda demais mesmo!!

    Bjss ^^

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  9. Olá Vivian!
    Eu ainda me choco sim com o tema crianças psicopatas. É difícil conciliar a figura angelical que temos desses indivíduos com uma maldade sem escrúpulos. A edição do livro está bem bonita mesmo. Também não sabia que a obra era tão aclamada. Me parece ser uma leitura difícil mas muito enriquecedora também.
    Beijos

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  10. Nossa, pela resenha ja percebi a intensidade do livro e que carga pode trazer na leitura. Nao conhecia nem o livro e nem ao filme, mas so de pensar na crueldade de uma criança, atualmente não seria difícil encontrar. O filme eu não teria coragem de assisti, mas ao livro sim. Òtima dica de leitura.

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