A Garota na Teia de Aranha - Millennium, 04 - David Lagercrantz

9 de novembro de 2019

Título: A Garota na Teia de Aranha - Millennium, 04
Autor: David Lagercrantz
Páginas: 472
Ano: 2015
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Crime, Ficção, Literatura Estrangeira, Romance policial, Suspense e Mistério
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon 
Nota: 
Sinopse: Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist estão de volta na aguardada e eletrizante continuação da série Millennium. Neste thriller explosivo, a genial hacker Lisbeth Salander e o jornalista Mikael Blomkvist precisam juntar forças para enfrentar uma nova e terrível ameaça. É tarde da noite e Blomkvist recebe o telefonema de uma fonte confiável, dizendo que tem informações vitais aos Estados Unidos. A fonte está em contato com uma jovem e brilhante hacker - uma hacker parecida com alguém que Blomkvist conhece. As implicações são assombrosas. Blomkvist, que precisa desesperadamente de um furo para a revista Millennium, pede ajuda a Lisbeth. Ela, como sempre, tem objetivos próprios. Em A garota na teia de aranha, a dupla que já arrebatou mais de 80 milhões de leitores em Os homens que não amavam as mulheres, A menina que brincava com fogo e A rainha do castelo de ar se encontra de novo neste thriller extraordinário e imensamente atual. David Lagercrantz nasceu na Suécia, em 1962. Jornalista, romancista e biógrafo premiado, Lagercrantz foi escolhido para continuar as aventuras de Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.
Resenha:

“Depois Lisbeth releu a mensagem de Mikael Blomkvist. Ele havia pedido ajuda, e sem nem pensar ela respondeu “Tudo bem”. E não apenas porque Mikael tinha pedido... Lisbeth estava acostumada a resolver os problemas do seu próprio jeito.”

A Garota na Teia de Aranha, é quarto livro da série Millennium, contundo é o primeiro escrito pelo autor sueco David Lagercrantz, a trilogia original foi assinada pelo brilhante autor sueco Stieg Larsson, todos publicados no Brasil pela editora Companhia das Letras, e caso desejem conhecer a trilogia temos resenha já publicadas, basta clicar na imagem abaixo. E por se tratar de uma série essa resenha pode conter spoilers dos livros anteriores, porém estou minimizando ao máximo isso.

                    


Como uma fã dos livros originais, eu estava dividida entre a empolgação por ler novos livros com Lisbeth e mikael, e um certo receio, de um novo autor estragar totalmente os personagens.

Apesar da escrita de David, ser diferente de Larsson, eu acredito que A Garota na Teia de Aranha, é uma boa continuação para a série, a trama é claramente uma homenagem aos primeiros livros, podemos ver muitos detalhes e referências diretas as tramas originais.

Contundo, não tive a mesma relação de paixão por este livro como tive com os anteriores. Muitos pontos eu considerei forçado, o autor talvez, tenha tentando demais ser Larsson, que exagerou um pouco. A trama principal, foi interessante, porém o final, apesar de deixar aberto para novos livros, não me empolgou. O uso do passado de Lisbeth em uma tentativa de manter todas as tramas – originais e as que estão por vir – amarradas, me deu a impressão de ser algo um pouco falso.

Mas partindo do principio da analise apenas desse livro, sem nenhuma comparação aos anteriores, posso dizer que A Garota na Teia de Aranha, é um livro com seus próprios méritos.

Aqui temos uma passagem tempo, anos se passaram desde o final do terceiro livro e o começo do quarto, muita coisa mudou.

Primeiro, apesar de deixar explicito que a amizade entre Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander, tinha sido reparado e que eles voltariam a fazer parte da vida um do outro novamente, isso não é uma realidade, eles não se vêem ou falam há anos. Blomkvist, está tendo problemas outras vez com a sua revista a Millennium, e se encontra precisando desesperadamente de um novo furo jornalístico.

Quando recebe a dica de uma fonte de uma nova matéria, ele quase deixa passar, acreditando que não era interessante, até perceber que Lisbeth está de alguma forma envolvida nisso.

Blomkvist, está diferente, um pouco de sua essência começa a se apagar, os anos o deixaram levemente amargo, e foi algo que eu achei muito interessante, muitas coisas aconteceram com ele, e ele está passando por um momento que o faz refletir muito sobre sua relevância para o mundo. Está diferente, contundo, ali dentro dele ainda temos o Super- Blomkvist, a espera de ação.

“Mikael Blomkvist era uma pessoa que andava de mãos dadas com a lei. Em muitos sentidos, um cidadão-modelo, e se havia alguém que conseguia arrastá-lo para o território do proibido, esse alguém era Lisbeth Salander. Mikael preferia cair em descrédito a traí-la, por isso ele continuava repetindo à polícia: “Reservo-me o direito de proteger minhas fontes”, embora sem dúvida ele estivesse aborrecido com isso e ponderando as conseqüências.”
Lisbeth por outro lado, está afundada em seus próprios problemas e uma investigação particular. Aparentemente esses anos todos não trouxe muitas mudanças para ela. Aparentemente...

Até que ela recebe uma mensagem de Blomkvist e se vê outra vez envolvida com o charme e caos inegável que Blomkvist acaba levando para a vida dela.

O destino simplesmente não consegue os deixar separados...


A investigação principal d o livro é uma trama que envolve o roubo de tecnologias, espionagem, e um grupo mafioso russo.

Um gênio da tecnologia está sendo ameaçado, ele sempre esteve ligado somente a seu trabalho, e após descobrir algumas coisas, resolve voltar a Estocolmo, e se afasta do trabalho. Com isso, torna prioridade consertar a sua vida pessoal, principalmente com seu filho, uma criança autista que ele sempre ignorou, pega a criança que era deixada com a mãe e padrasto que só abusavam dela, e vai morar em uma casa. Logo percebe que seu filho possui algumas características de savant – um tipo específico de genialidade, que toma conta de seus pensamentos, e para se defender das ameaças, resolve que precisa contar seus segredos e escolhe Blomkvist, para isso.

Enquanto isso Lisbeth, está fazendo o que melhor sabe fazer, invadir algum lugar através das suas habilidades hacker.

“Um hacker é alguém disposto a ir além das fronteiras do bem e do mal, alguém que, por força de sua atividade, desafia regras, amplia os horizontes do próprio conhecimento e nem sempre leva em conta as diferenças entre o público e o particular.”

Logo as demais tramas vão se encaixando – o que era o estilo de Larsson e David, tentou manter a todo custo – e apesar do inicio lento, no meio há um aumento grande de ritmo, ação e informações são jogadas em cima do leitor rapidamente.

Algo que não me agradou foram os mil termos matemáticos e técnicos – não sou fã – o que já havia nos livros anteriores, mas achei que aumentou aqui. Existem mudanças nas personalidades dos protagonistas, Blomkvist, realmente parece mudado pelo tempo, não tanto Lisbeth, mas os personagens secundários acabaram ficando um pouco rasos.

De modo geral a trama me agradou, apesar de achar que algumas situações forma resolvidas de forma forçada, e este livro não exige tanto do leitor uma leitura atenta, para descobrir tudo o que está havendo, o autor entrega facilmente o mistério. Contundo, ler novamente algo Lisbeth e Blomkvist, foi ótimo, e os ganchos para os próximos livros me deixaram interessadas.

A garota na teia de aranha, é uma leitura fluida, que entrega o que se propõe , um livro para distrair, uma homenagem ao estilo de Larsson de escrever e serve para matar a saudades de alguns personagens que são inesquecíveis.

Indico para quem gosta de suspense, tramas intricadas e obviamente o casal de protagonista mais exótico da literatura sueca.

Logo, logo estarei lendo o próximo livro em busca de respostas para algumas questões abertas nesse livro.

Até a próxima

6 comentários

  1. Meu medo com esta sequência era essa: a de ficar meio que na comparação com os livros anteriores. Comprei o box da trilogia assim que foi lançado e não há como negar que são livros maravilhosos. Mas sei lá, penso eu que deveria ter "morrido" ali, literalmente.
    Tá, pelo que li acima,não é um livro ruim de jeito nenhum. Mas quando um autor morre, sua genialidade morre com ele.
    Admito que não sei se lerei.rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Olá Vivian!
    É nítido que a qualidade da série caiu com essa mudança de autor, e talvez os fãs não recebam muito bem essas claras modificações das personalidades dos protagonistas, sem contar que em alguns pontos há uma certa superficialidade que compromete o clímax referente à investigação. Às vezes os autores esquecem que estão escrevendo para um público amplo e optam por um tipo de descrição difícil de ser interpretada, outro aspecto que faz com que a leitura fique arrastada e lenta.
    O livro, contudo, não deixa de ser um bom thriller, e toda essa parte que envolve decodificação cybernética continua sendo um diferencial positivo da série.
    Beijos.

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  3. Vivian!
    Gosto muito do casal, acredito que duas mentes inteligentes se coadunam e resolvem com maestria os suspenses.
    Acredito que mesmo tentando imitar o autor anterior, o novo atingiu o propósito de entretenimento e com um mistério grande para se resolver.
    Não gosto de muito termo técnico também, parece que me faz divagar e o livro se torna maçante.
    cheirinhos
    Rudy

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  4. Olá!
    Um livro bem interessante, tem uma ótima premissa mas não me chamou tanto atenção. Posso dizer que fiquei um tanto curiosa mais não aquela vontade de ler. Gostei do titulo, pensei que seria uma historia de heroína. Mas gostei dessa mistura de mistério e ação.

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  5. Oi, Vivian
    Tenho muita vontade de ler essa série, mas como não curto muito romances policiais, sempre acabo postergando.
    Os personagens parecem bem cativantes.
    Mas é chato que o novo autor tenha se perdido um pouco. Continuar uma série assim é complicado mesmo.
    Bjs

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  6. Oi Vivian,
    Acho que ao ver a nota que você deu por essa obra confirmou algo que havia pensado quando soube do lançamento do livro: não será a mesma coisa. Mesmo não tendo lido os livros, eu também tinha um receio a respeito de como seria uma sequência da trilogia pelas mãos de outro autor. Mesmo a premissa sendo boa, já é de se esperar algo diferente na narrativa. Algo que achei interessante foi a passagem de tempo. Dessa forma David pode dar novas nuances para a história e os personagens, sem precisar se prender a tudo que Larsson havia explorado. Eu assisti ao filme e gostei bastante (apesar de termos uma outra atriz interpretando Lisbeth), mas não sei quanto dele foi fiel ao livro. Em todo o caso, ainda fico muito curiosa com esses livros e, mesmo que este não tenha sido tão emocionantes quantos os primeiros, acho que ainda vale a leitura.

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