Dom Quixote, volume 1 - Cervantes

10 de janeiro de 2019

Título: Dom Quixote, volume 1
Autor: Miguel de Cervantes
Páginas: 650
Ano: 2012
Editora: Penguin, Companhia das Letras
Gênero: Romance, Literatura Espanhola
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:   
Sinopse: Dom Quixote de La Mancha não tem outros inimigos além dos que povoam sua mente enlouquecida. Seu cavalo não é um alazão imponente, seu escudeiro é um simples camponês da vizinhança e ele próprio foi ordenado cavaleiro por um estalajadeiro. O narrador da história afirma se tratar de um relato de segunda mão, escrito pelo historiador árabe Cide Hamete Benengeli, e que seu trabalho se resume a compilar informações.


Este livro foi cedido pela Editora Penguim (Companhia das Letras), porém as opiniões são completamente sinceras. Não sofremos nenhum tipo de intervenção por parte da Editora. 



Não tem outra forma de iniciar essa resenha sem falar da edição da Penguim pela Companhias das Letras. Apesar de ser uma edição sem orelhas (o que muitos chamariam de Edição Econômica), as folhas são amareladas e a fonte super confortável de ser lida. A única ressalva que faço é por conta das notas: quando são transcritos os sonetos (no início do livro, no decorrer da leitura e no final) temos na mesma página uma nota de rodapé com a tradução deles para a língua original, o espanhol; porém, quando são notas do autor/tradutor, essas são esclarecidas em um glossário no final do livro, o que torna algo um pouco desconfortável quando você quer ler e acompanhar cada uma delas no decorrer da experiência. 


Não que atrapalhe a leitura mas para mim, na forma como gosto de ler livros clássicos, seria interessante que elas também virassem notas de rodapé (minhas 4 estrelas são unicamente por conta disso).

É uma leitura que requer um pouco mais de dedicação e em alguns momentos, parei para pesquisar dados e palavras e, assim, entender melhor o contexto.



O quer vou escrever a seguir diz respeito apenas ao volume 1 do box (a edição vem em dois volumes, numa caixa lindíssima).

Meu conhecimento de Dom Quixote era restrito a um dos livros de Monteiro Lobato, em sua série de O Sítio do Picapau Amarelo, que li na infância. Portanto, mergulhei na história do Cavaleiro da Triste Figura de coração e mente abertos.
Confesso que não esperava algo tão engraçado e ao mesmo tempo de uma profundidade emocional que me surpreenderam. 

Dom Quixote era um fidalgo espanhol que vivia numa aldeia da Mancha com uma criada, sua sobrinha e um ajudante do tipo "pau pra toda obra".
"Nosso fidalgo beirava os cinquenta anos. Era de compleição rija, seco de carnes, rosto enxuto, grande madrugador e amigo da caça."
Nos momentos ociosos ele começou a ler livros de cavalaria com tanta paixão e prazer que acabou por esquecer de todos os seus compromissos administrativos e se alienou do mundo em que vivia (quantos de nós, leitores, nunca passamos por uma experiência como essa em algum momento de nossas vidas??).
"Enfim, ele se embrenhou tanto na leitura que passava as noites lendo até clarear e os dias até escurecer; e assim, por dormir pouco e ler muito, secou-lhe o cérebro de maneiro que veio a perder o juízo."
Para muitos, Dom Quixote é somente um louco que, após mergulhar em sua biblioteca de história de cavaleiros andantes, resolveu largar tudo e viver sua vida como um destes personagens. Sim, ele é um louco, alucinado kkkkkk mas em muitos momentos, percebi em Dom Quixote uma inocência infantil que o faz ver nas pessoas o que elas são no mais íntimo, sem se ater ao exterior, à beleza....
":... apalpou sua camisola, que, embora fosse de estopa, a ele pareceu de seda muito fina e leve. Maritornes trazia nos pulsos umas contas de vidro, que deram a ele visões de preciosas pérolas orientais. Os cabelos, que mais pareciam crinas, ele sentiu como fios de cintilante ouro da Arábia, cujo resplendor obscurecia o próprio Sol. O hálito, sem dúvida alguma cheirava a salada estragada de ontem, mas a ele pareceu que a boca da moça exalava um aroma suave. Enfim, ele a pintou em sua imaginação com a mesma aparência e do mesmo modo que havia lido em seus livros sobre a outra princesa que veio..."
No decorrer da leitura nos deparamos com as aventuras que ele, juntamente com Sancho Pança, seu fiel escudeiro (que, muitas vezes, põe a prova a sanidade de Quixote, nos rendendo muitas risadas) vivem numa jornada em busca de glória, honra e reconhecimento enquanto defensor dos fracos, oprimidos e mulheres frágeis. Mas, o que de verdade nos deparamos é com muitas trapalhadas deles dois pois a maioria das lutas e dos perigos que enfrentam, são imaginados por Dom Quixote, que enfrenta pastores imaginando serem de um exército inimigo, comerciantes imaginando que são bandidos, mulheres da vida, imaginando serem damas... e as surras que eles levam.... minha gente... lá pelo capítulo 20 eu mesma já estava com o lombo doendo só de imaginar kkkkkkkk.

Não sei dizer qual das aventuras é a melhor mas o clássico encontro deles com os "gigantes" (que na verdade eram moinhos de vento) me conquistou deveras... estou apaixonada pelas aventuras e pretendo em breve aparecer aqui com a resenha do volume 2.... boa leitura!!!!!!

3 comentários

  1. Oi, Fabíola
    Ainda não li o livro, mas li algumas resenhas.
    Sobre a edição esta linda, mas concordo com você que ao invés de glossário prefiro tudo como notas de rodapé.
    Essa leitura deve ser uma aventura e tanto, afinal de médico e louco todos temos um pouco. Mesmo a trama fazer o leitor rir muito ela também trás mensagens para se aplicar na vida e reflexão.
    Espero poder ler, beijos!

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  2. Oi Fabi,
    Tenho que confessar, normalmente eu fujo de livros considerados clássicos, na maioria das vezes por conta da linguagem, no caso desse é por ser superestimado. Apesar disso, vejo a grandeza do personagem quando leio algumas resenhas e opiniões, como a sua, não esperava que fosse divertido, me surpreendi nessa questão!
    Bem, eu acho que eles poderiam só facilitar um pouquinho a leitura, rsrs. Brincadeiras a parte, para mim é o tipo de livro que (no meu caso) tem o momento certo para a leitura, mas que deveria estar presente na lista de todos.
    Beijos

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  3. Olá! Não tem como falar de Dom Quixote e eu não lembrar da música do Engenheiros do Hawaii (que eu amo por sinal). Confesso que nunca me dei uma oportunidade de conhecer a fundo a história de Dom Quixote, mas a conheço superficialmente e não tem como não acabar se identificando com esse “carinha” em algum momento da vida, adorei os quotes da resenha, aguçou ainda mais a vontade de ler.

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