Luz, câmera, Ação! Resenha: Os 13 Porquês - Adaptação Netflix

Diretor ou produtor: Brian Yorkey
Ano Início (série): 2017
Ano do Término: 2017
Temporadas: 1
Gênero: Drama
Elenco: Dylan Minnette como Clay Jensen e Katherine Langford como Hannah Baker

Nota:    
Sinopse:
Uma caixa de sapatos é enviada para Clay (Dylan Minnette) por Hannah (Katheriine Langford), sua amiga e paixão platônica secreta de escola. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida - além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos.


Resenha: Ensaiei diversas formas de começar essa resenha quando finalizei a série, assim como tive necessidade de contar pra todo mundo, com lealdade, o que senti ao fim do livro, o que absorvi. Entretanto, você precisa assistir e ler o livro para tirar conclusões, afinal, somos pessoas diferentes e podemos ter visões diferentes sobre esse tema. Mesmo assim, chega aqui pra saber O que vi... dos 13 Porquês.

Fiel ao livro em todos os quesitos, “13 Porquês” consegue, assim como o livro, prender quem o assiste do inicio ao fim. A teia de acontecimentos é super bem elaborada e a humanidade e realidade dos personagens é quase palpável. Chorona que sou, vocês já podem imaginar como passei os 13 episódios, né? E a trilha sonora? É ótima!

The Night We Met (Lord Huron)

A série possui uma trilha sonora muito massa. São 13 músicas que você pode conferir numa Playlist exclusiva da série no Spotyfi! Mas se você quiser pesquisar e ouvir por outro lugar, a lista é essa: Only You (Selena Gomez), Kill em With Kindness (Selena Gomez), Bored (Billie Eilish), Love Will Tear us Apart (Joy Division) Into The Black (Choramatics), The Night We Met (Lord Huron), A 1000 Times (Hamilton Leithauser), The Kiling Moon (Roman Remains), High (Sir Sly), cool Blue (The Japanese House), Fascination Stret – Remastered (The cure), The Walls came Down (The Call) e The Stand – Long Version (The Alarm).

Apesar de fiel ao livro, a série seguiu seus próprios caminhos, o que eu, como leitora e fã da obra, achei de extremo bom gosto e extremamente necessário. Por exemplo, no livro, nós não temos visão do drama que os pais de Hanna sofrem, nem as reações dos pais de Clay quanto a mudança de comportamento que o rapaz sofre enquanto ouve as fitas.

Porém, eu tô falando esse monte de coisa pra você e nada fazer muito sentido, né? Quem é Clay, quem é Hanna? Então faz o seguinte, clica aqui, lê a resenha e volta, fechou?

A adaptação dos cenários e dos personagens apresentada na série, foi fundamental para "fazer sentido". Como se fosse um quebra-cabeças extra que encaixou perfeitamente a historia do autor Jay Asher. Para os leitores, uma riqueza de detalhes e informações que a tempos estávamos curiosos para saber, a quem assistiu somente a série, um drama adolescente bem fundamentado, para ambos apenas um aprendizado: respeito.

Uma coisa que sempre me chama atenção em todo "drama adolescente" é a superficialidade com que os problemas dessa "etapa" são tratados. E garanto, isso me incomoda muito, pois a visão que é passada, na maioria das vezes, é a de pessoas fracas e imaturas por escolha, que reclamam de tudo sem motivo.

E eles são de fato tudo isso, mas com uma razão: eles simplesmente começaram a viver e não tem nenhuma obrigação de saberem como lidar com todas as situações que surgem na vida! E aí entram os adultos, que devem desenvolver a percepção e o tato para lidar com essa fase da vida dos adolescentes.

A necessidade de possuir um adulto com tato e percepção para saber guiar e lidar com esses dramas, fica extremamente clara tanto no livro quanto na série. E muito, mas muito mais na série, levando em consideração que o conselheiro da escola basicamente negligenciou o pedido de socorre de Hanna.

Então pode e deve surgir a inquietação enquanto você assiste (eu senti), por quê ela não pediu ajuda? E a cada capítulo, a cada coisa que ela conta na fita, você percebe que ela deu sinais de que não estava “tudo bem”. Por outro lado, também não se esforçou para demonstrar a quem deveria o que estava passando. Será que não?

Percebemos, com a introdução dos pais de Hanna na série, que ela sentia a responsabilidade de casa, que “se fazia” de forte pra apoiar os pais que estavam com problemas demais para notar que ela estava dando sinais que estava morrendo. E tristemente o suicídio é isso, a pessoa não se mata, ela se sente morrer até pôr o ato em pratica. E muita gente questiona e continuará questionando "ela podia pedir ajuda" e podia, pode, você que está lendo isso e não está bem PODE PEDIR AJUDA!

A série não deixa brechas para ninguém achar que o suicídio é uma solução e desejo profundamente que os jovens que assistiram e assistirão, não vejam aquilo como um “manual do suicídio”, não, por favor, não pensem isso! Vejam todas as coisas que Hanna passou e não reproduzam essas atitudes, vejam o que ela passou e se estiver passando também, tente se expressar e contar um pouco mais. Muitas pessoas podem se importar, algumas só não sabem demonstrar. E se você se importa, demonstre!

A mensagem da série é bem clara tanto para adultos quanto para pessoas mais novas, percebi algumas, ai vai:
“adultos, não neglicenciem seus filhos e as fazes de cada etapa da vida deles”,
"adultos, depressão não é fricote",
"adultos, seus filhos precisam de vocês",
"adultos,na sua época era diferente, hoje em dia zoação tem até nome porquê não são simples zoações se seu filho de sente humilhado e exposto",
“adolescentes, não sejam tão “engraçadinhos” com os outros”,
“adolescentes, sejam educados com seus colegas, vocês não sabem pelo que o outro passa”, “adolescentes, tenham limites, suas atitudes têm consequências”
"sejamos mais educados, amáveis e respeitemos o próximo" e por ai vai, ta bom ou quer mais?
Citei algumas mensagens que absorvi, mas com sua percepção, você pode ver até outras. Só te garanto que nessa série assuntos extremamente delicados foram abordados COM CUIDADO, ainda mais, com respeito a quem estava assistindo. Como? Todos os episódios, por exemplo, com possíveis gatilhos (expressa basicamente, algo que ao ser visto ou mencionado desperta em alguém uma série de sensações e sentimentos ruins) tiveram TW (Trigger Warning - abreviação de uma expressão em inglês que significa “Aviso de Gatilho”) antes de começar e eu achei isso tão respeitoso, que não poderia deixar de mencionar.

Acredito que esse cuidado possa ter o dedo da Produtora Executiva da série, Selena Gomez. A Jovem de 24 anos diz que ganhou o livro de sua mãe aos 13 anos e de lá pra cá, sempre utilizou sua influencia para ajudar jovens que demonstravam estar com os mesmos problemas que Hanna.

E para não me prolongar ainda mais, deixo, cheio de spoiler, 13 curiosidades bem legais que fiz questão de pesquisar e compartilhar com vocês! Se você não leu o livro e viu a série, vai achar ainda mais legal!


13 Curiosidades: Livro x Série
1 - No Livro, Hanna faz a teia de nomes que afetaram sua vida, que posteriormente foi base para enumerar quem receberia as fitas, depois de ter beijado e afastado Clay numa festa. Ela achava o jovem bom demais pra reputação que ela tinha "adquirido".

2 - No livro, na fita de Clay, Hanna justifica que o motivo dele ter recebido a caixa é pra dizer que ela “sente muito”, ela diz “(...)O que explica minha reação exagerada, Clay. E é por isso que você receberá essas fitas. Para explicar. Para dizer que sinto muito." - Sente muito por não ficarem juntos, por te-lo afastado quando eles se beijaram, por não ter dado uma chance a eles.

3 - Apesar de Bryce ser um dos “por quês” as fitas não passam por ele. Na série a conclusão fica por conta do telespectador, no livro, ela basicamente resume, em minhas palavras, que ele é rico e seu caráter é duvidoso, se ele soubesse das fitas "daria um fim nelas e em seguida fugiria".

4 - No livro, o poema que Ryan divulga não fala sobre estar vestida de renda ou algo parecido com isso como apareceu na série, o poema do livro é esse: 

Alma sozinha, de Hannah Baker.

Cruzo com seu olhar

você nem me enxerga

Você mal responde

quando sussurro alô

Podia ser minha alma gêmea

dois seres de afinidade espiritual

Talvez não sejamos nada disso

Acho que nunca saberemos

Minha própria mãe você me carregou dentro de si

Agora você nada vê além do que estou vestindo

As pessoas lhe perguntam como eu vou

Você sorri e acena com a cabeça

Não deixa isto parar por aí

Me coloque embaixo do céu de Deus e me conheça

não me enxergue apenas com seus olhos

Tire essa máscara de carne e osso e

me enxergue em minha alma sozinha


5 - No Livro, as mães de Hanna e Clay são figurantes, não possuem primeiro nome. A mãe de Hanna tem apenas uma interação direta na história (quando atende o telefone dela) e a mãe de Clay só aparece pra reclamar da hora que ele está chegando em casa. Já os pais de ambos nem aparecem.

6 - No Livro, os pais de Hanna não movem um processo contra a escola responsabilizando-os pela morte da garota.

7 - Apesar de ser uma personagem secundária e que apareceu muito pouco na série, Skye está no livro, quase com a mesma visibilidade da série. A jovem parece estar ali “invisível” e isso dá a Clay a chance que não teve com Hanna, a chance de falar e demonstrar o que sente por alguém que parece que está precisando, com ela ele tem chance de recomeçar e acertar.

8 - No livro, a única personagem que comete suicídio é a Hanna.

9 - No Livro, depois de ouvir as fitas, Clay não entrega a caixa ao Sr Porter, sim a Jenny. O Sr Porter também parece estar na lista para receber a caixa, porém, a história termina sem essa conclusão, sem saber se ele recebeu ou não.

10 - No Livro, a “pós festa” onde Hanna é abusada é na casa da Courtney.

11 - No livro, na pós festa, Hanna imaginava que podia dar algum problema estar ali e ela é realmente abusada por Bryce, porém, diferente da série, ela se “colocou em risco” intencionalmente para “se abandonar completamente”. Ela diz,  “Você estava me tocando... mas eu estava te usando. Eu precisava de você para me abandonar completamente”

12 - Diferente da série, Clay não procura Bryce para dar-lhe a tão merecida surra, nem tem a possibilidade de gravar sua confissão no lado B da fita 7.

13 - No Livro, Hanna comete suicídio por overdose medicamentosa.


O que vi... de “13 Porquês”, uma série pra sacudir seu mundinho, te provocar (principalmente se você já foi um babaca com alguém) e estimular você a pensar, sempre, antes de tratar alguém mal, seja voluntaria ou involuntariamente. O que absorvi? Seja legal, pratique, não dói!

Se você curtiu tudo e ainda quer ler o livro, acho melhor você correr lá, pois ao final do livro, o autor Jay Asher respondeu 13 perguntas sobre a criação de “13 Porquês”. São perguntas bem interessantes e respostas bem completas.

Bjs e divirta-se!

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