Resenha: Um Pedido às Estrelas - Priscille Sibley

Autor: Priscille Sibley
Páginas: 320
Ano: 2013
Editora: Benvirá
Adicione: Skoob


Sinopse: Após um grave acidente, Elle sofre um trauma cerebral irreversível, mas em seu ventre cresce uma vida. Apesar da fragilidade da situação, há uma possibilidade de ela dar à luz o tão aguardado filho. No entanto, com a mesma força com que desejou um filho, Elle se opunha a manter uma vida artificialmente. Se ela pudesse decidir, o que falaria mais alto? Escrito com sensibilidade e compaixão, Um pedido às estrelas é uma emocionante história que levanta profundas reflexões sobre vida e morte, fé e ciência, e ilumina o poder do amor para ferir... e curar.

Resenha: O esperado por todos é que um casal se una com as melhores perspectivas futuras, e, normalmente, essas perspectivas envolvem uma casa, filhos, família unida, enfim, um lar feliz!

Mas a vida não é como uma receita de bolo, onde, seguindo o que está descrito passo a passo, tudo dará certo. Às vezes, o destino prega peças e coloca no caminho provações e barreiras.

E assim aconteceu com Elle e Matt, que se conhecem desde a infância, onde suas famílias cultivam uma amizade intensa. Matt conhece de perto a rotina de Elle, que carrega em suas costas o peso da família. Alice, sua mãe, sofre com câncer, Hank, seu pai, encontra no álcool a fuga para esse problema, fazendo com que Elle se sinta responsável pela criação e bem estar de Christopher, seu irmão caçula. Elle se vê perdida diante da dor da perda de sua mãe, da solidão pela ausência de seu pai e insegura frente ao que seriam de todos de agora em diante.

Ela, uma astronauta com seus sonhos de ir ao espaço. Ele, médico que luta diariamente por salvar vidas. Resolvem namorar e, a imaturidade de ambos, faz com que Elle engravide aos quinze anos e sofra um aborto espontâneo, gerando um mal estar entre ambos, o que leva ao rompimento que dura por cinco anos, onde cada um segue sua vida e seus relacionamentos, porém, o contato mantido por visitas e telefonemas manteve a chama acesa, e, em certo ponto, eles terminam seus relacionamentos e resolvem reatar.

Casam-se e então começa a incessante luta por um filho, tendo de um lado Elle, esperançosa por driblar uma anomalia que põe em risco a gravidez, o que resulta em quatro abortos; e do outro lado Matt, preocupado com a saúde de sua esposa, porém não menos esperançoso. Enfim, resolvem dar um tempo nas tentativas.

Então o destino coloca mais uma surpresa no caminho: Matt recebe uma ligação e descobre que Elle sofreu um acidente e está no hospital com um trauma cerebral irreversível. De repente aquilo que faz parte de sua rotina diária passa a ser algo quase impossível: salvar a vida de sua mulher. Após analisar os relatórios médicos, Matt finalmente sofre o choque da verdade, Elle sofreu morte cerebral e nada mais pode ser feito. 
"Passara. De maneira pragmática, sua existência cessara. A prova: o relato de Phil sobre a cirurgia, a tomografia e o corpo flácido de minha esposa estendido na cama da UTI diante de mim. Da entrada, observei as enfermeiras, que ajustavam as telas dos monitores, arrumavam os soros intravenosos com a medicação e limpavam o antisséptico da cabeça raspada."
É hora de desligar os aparelhos... Afinal, Elle sempre foi muito enfática sobre isso, viu sua mãe definhar em cima de uma cama em estado vegetativo, ela não queria isso para si.
"O que mais me incomoda é o jeito de mamãe encolher os dedos, como se sentisse dor. Não suporto o sofrimento dela, nem o fato de permitirmos isso e muito menos de não podermos ajuda-la. Ela está em coma e, portanto, não deveria sentir nada. Mas ela sente. É cruel. Ela está em agonia, não pode falar, e nós nada fazemos para aliviar seu sofrimento."
Matt sabia que com Elle era diferente, ela não sofria, já não estava mais ali. Chegou a hora de se despedir daquela que foi a única que manteve sua fé acesa e iluminava seus dias como raios de sol, se despedir daquela que lhe prometera a felicidade!

Mas, em meio aos últimos exames, constata-se um milagre: Elle está grávida! Será que sabia disso antes de sofrer o acidente? Seria possível chegar ao fim da gravidez e salvar o bebê? Essa seria a luta de Matt. Ele só não contava ter que lutar contra todos, e acima de tudo, deixar de lado o seu sentimentalismo em relação a sua mãe, que possui uma terrível prova de que Elle não desejava isso para si de forma alguma.

Agora, Matt terá que comprovar nos tribunais para sua mãe e para o mundo, que Elle desejava mais que tudo um filho, não importando o sacrifício necessário para tê-lo. E Matt lutaria por isso custasse o que custasse!


Um pedido às estrelas é mais um de meus queridinhos, mas sou suspeita para falar, afinal adoro esse gênero! Em uma agonia para saber o final, me prendi do início ao fim, passando horas lendo sem pausa.

Assim como muitos outros livros, ele tem aquela parte em que você tem que fazer um esforcinho para se manter atenta á leitura, pois falar sobre a luta no tribunal exigia termos mais técnicos do Direito, mas nada que me fizesse abandoná-lo.

A leitura me levou a muitas reflexões... Até que ponto devemos prender quem amamos (enfermo) á vida? Podemos realmente considerar o estado vegetativo uma “forma de viver”? Devemos levar em conta uma confissão feita por alguém em um momento saudável de sua vida, mas cuja situação muda totalmente após um acidente? Até que ponto chegaria para mostrar que um feto, minúsculo ainda, mas ainda assim um ser, merecia a chance de viver?

Sim, cheguei a minhas conclusões, mas cada um terá a sua, e não cabe aqui impor a minha.

Elle se negava a manter-se presa a aparelhos em estado vegetativo, mas teria essa mesma opinião se soubesse que em seu ventre crescia mais uma “Celina” ou mais um “Dylan”?

O livro permeia momentos em um vai e vem de datas que nos faz entender atitudes do presente com essa “voltinha” no passado, através de lembranças e cartas que Elle escrevia em forma de diário.

Priscille Sibley nos faz sentir na pele o drama vivido por Matt, que luta diariamente pela vida de outros, mas se vê de mãos atadas quando se refere àquela que tanto ama! É impossível não se sensibilizar com a luta interior de Matt entre a Medicina/razão e a Fé/emoção... Como médico, ele sabe que Elle já não faz mais parte de nosso mundo, que seu corpo inerte já não possui o sopro da vida; mas como homem e marido, deseja ardentemente um milagre, mesmo nunca tendo acreditado em milagres.

Sibley traz a tona também os sentimentos vividos pelos pais, de gerarem e segurarem em seus braços um bebê que foi desejado e amado durante a gestação, mas que não estarão mais ali para colocar em prática todas as expectativas e planos tecidos com fios do mais puro amor.

Este não é só um livro polêmico que aborda temas como estado vegetativo e aborto, é também um livro sobre o verdadeiro amor, sobre sacrifícios, sobre lutar contra o que aparentemente é correto e mostrar ao mundo que o ser humano muda constantemente de opinião, influenciado pelo momento. E, acima de tudo, é um livro sobre o direito a vida!

Lhe convido a ler, se emocionar e tirar suas próprias conclusões.

Boa leitura!

25 comentários

  1. Olá
    Nossa esse livro parece bem dramatico, estou começando a ler livros do gênero e até agora gostei muito dos que eu li.
    Acho que essa discução é muito importante e realmente cada um pensa de um jeito e eu já chegei a conversar com meu marido sobre isso.
    Beijos

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    1. Olá, Daniele!
      Com certeza vai encontrar muito drama neste livro, e também muito assunto para refletir. Gosto desse gênero, sempre que leio acabo meio arrasada com os temas, mas após reflexões, acabo tirando algo de bom do livro. Tenho esse lama: reflita e tire algo de bom da situação ruim... para mim dá muito certo, rsrs.

      Espero que possa ter a oportunidade de lê-lo!

      Bjinhus.

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  2. Livros assim tenho vontade de ler, adoro dramas que colocam os personagens em situações de limite, onde é necessário fazer o leitor pensar o que faria na situação.
    Matt teve que pensar muito no que fazer e como lidar com tudo. Um livro excelente, a gente percebe sem ter lido.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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    1. Isso Helana!
      Compartilho da sa opinião! Gosto de ler e me colocar na pele, sentir o drama e refletir o que faria se vivesse aquela situação ... e no fim, tirar algo de bom no meio de toda a situação, afinal de contas, sempre aprendemos com as provações da vida, né.

      Muito obrigada por sua opinião e espero que possa ler esse livro!

      Bjinhus.

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  3. Que resenha mais fofa gente. Eu não conhecia o livro mas amei conhecer e ver duas impressões sobre ele. Irei colocar na lista. Parabéns.

    Beijos.

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    1. Obrigada, Karine!
      Fico feliz que tenha lhe incentivado a ler esse maravilhoso livro! Fico aqui na torcida para que possa lê-lo, se colocar na pele e refletir sobre essa história triste, mas que nos ensina muito!

      bjinhus.

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  4. Li quase metade da resenha pensando que o livro não era nada mais do que uma novela mexicana... Quanta coisa acontece com esses dois para nem ser o foco da questão, hein?
    Não sei o que eu pensaria, nem de que lado ficaria pois minhas opiniões são bem definidas quanto aos assuntos abordados, mas a questão toda é que existe um fator "se" a se pensar... Poxa, como decidir que lado tomar quando não se passou por nada da história dos dois? Ou como saber se a sua opinião não mudaria mediante um acidente ou uma doença?
    Não tinha a menor vontade de ler esse livro - e foi só no final da resenha e pensando no que comentar que fiquei com aquela coisa de que será uma ótima leitura. Não tem como não ser quando o assunto é polêmico e parece ter sido bem escrito. Me deixou curiosa!
    Não é bem meu estilo, mas coloquei o livro na lista. Espero curtir a leitura!!!
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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    1. Olá, Lica!
      Fico muito feliz por você ter a intenção de dar uma chance ao livro, rsrs.
      Eu acho super válido que possa lê-lo e assim tirar suas próprias conclusões, pois, como você mesma disse, muitas vezes temos nossa opiniões já formadas, mas a situação muda quando vivemos na pele, ou, no caso, vivenciamos através da leitura.
      Espero que possa lê-lo e apreciar essa linda história, da qual tirei muitas lições de vida.

      bjinhuss.

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  5. Olhando a capa desse livro eu nao daria nada por ele.
    Mas ao ler a sinopse fiquei bem curiosa e segui lendo a resenha.
    Nao e o tipo de leitura que eu esteja fazendo no momento, mas o enredo pareceu extremamente tocante e acabou me deixando curiosa sobre o que viria a acontecer.
    Nao sei se estaria preparada para grandes emoçoes, mas se saber se tudo dara certo me motiva a querer conhecer essa historia.

    Raissa Nantes

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    1. Olá, Raissa.
      A capa também não me chamou a atenção de cara (sou amante de capas rsrs), mas a sinopse me prendeu, afinal de contas, amoooo esse estilo de leitura, o gênero me leva a reflexões que abrem meu olhar para situações que antes julgava de maneira precipitada.

      Espero que possa lê-lo e se emocionar com essa maravilhosa história!

      Bjinhus

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  6. Olá!

    Esse livro deve trazer várias reflexões mesmo, lendo a resenha, fiquei pensando o que eu faria em uma situação dessa. São tantas coisas juntas, difícil mesmo.
    Fiquei com vontade de saber o final, vou procurar ler com certeza.
    A capa é simples mas bem bonita.
    Adorei sua resenha.

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Fernanda!

      Que bom que ficou tentada a lê-lo, rsrs.
      Com certeza vai se emocionar e refletir muito sobre o tema.
      Apesar de amar distopias para viajar um pouco na imaginação e sair um pouco da realidade, amooo também os dramas porque me fazem refletir sobre histórias que podem vir a acontecer na vida de qualquer um, e que temos que ser maleáveis para lidar com a falta do "e viveram felizes para sempre!".
      Para mim, é sempre uma lição de vida esse gênero de leitura.

      Bjinhusss.

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  7. Apesar desses términos mais técnicos do Direito que provavelmente vou achar cansativos demais, fiquei com vontade de ler. Que bom que apesar disso o livro te prendeu e te fez ler horas sem pausa. Vou adorar essa presença de lembrança e das cartas escritas em forma de diário, gosto de narrativas que abrem espaço para o passado.

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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    1. Olá, Ju.

      Então acredito que vai amar esse livro também!
      Espero que possa lê-lo em breve e se emocionar com esse drama, podendo, assim, fazer suas próprias reflexões.

      Bjinhus e ótima leitura!

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  8. Nossa, eu não lembro de já ter lido algum livro que tenha algo a respeito do aborto, fiquei interessada.
    abraços.

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    1. Olá, Flávia!

      É um tema polêmico e com certeza esse livro vai lhe fazer refletir muito acerca do assunto. Espero que possa ler , se colocar na pele dos personagens e tirar boas lições dessa maravilhosa história!

      Bjinhuss.

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  9. Oi!!
    Gostei da capa. É primeira resenha que leio desse livro e já estou amando, nossa a vida de Elle não é fácil, alem de cuidar da mãe, do irmão o pai ainda se entrega a bebida. Muitos casais sofrem para conseguir ter filhos, nem sempre o resultado é o melhor né. Poxa quatro abortos para uma mulher que deseja muito ter um filho é realmente triste.
    Ops acho que me emocionei demais aqui, gente que história é essa. Eu quero esse livro.
    Beijão!

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    1. Olá, Liziane!

      Lendo seu comentário já vi de cara que vai amar ler o livro. Vai se emocionar do início ao fim com esse drama, e, sem dúvidas, vai conseguir se colocar no lugar dos personagens!
      Compartilho dessa sensibilidade que teve só de ler a resenha, rsrs. Também sou muito assim, leio a resenha e meus olhos já lacrimejam, rsrs.

      Espero que o leia em breve! Boa leitura!
      Bjinhusss.

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  10. Oie
    tenho muita curiosidade pelo livro, gosto muito desse gênero e espero poder ter oportunidade de ler em breve e curtir bastante,l adorei sua resenha e que bom que curtiu tanta a leitura

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Catharina!
      Sou uma leitora assídua desse gênero, e confesso que este me emocionou muito... gosto de me colocar no lugar do personagem, cogitar qual seria minha atitude na situação e, principalmente, refletir sobre o lado bom da história, ou seja, o que aprendi com a leitura.
      Espero que leia também e que curta essa emocionante história!

      Bjinhusss

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  11. Oi Neide sua linda, tudo bem?
    Nossa, não gostaria de estar no lugar dele. Essa questão é tão complicada, sabe, eu não julgo ninguém, seja qual for a escolha. E vejo em muitos filmes americanos que as pessoas deixam por escrito documentos como esse dizendo o que ela quer se a situação acontecer. O problema é que fazem a escolha em vida e não sabem em que circunstância aquele episódio poderá se apresentar. Adorei o que disse no final, pois eu também sou a favor de lutar pela vida. Sua resenha ficou ótima, não vejo a hora de ler!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Cila!
      Que bom que a resenha te trouxe reflexões! Fico muito feliz que tenha gostado!
      E é bem por aí mesmo que penso, o que escolho hoje com saúde e apenas me imaginando na situação não é o mesmo de vivenciar... e me pego pensando as vezes, quantas vidas se foram por um testamento assim, mas também quantas vidas poderiam ser poupadas se houvesse esse documento.
      É muito complexo esse assunto e nós, que não estamos passando pela situação, só podemos presumir "isso e aquilo".

      Espero que leia o livro e possa se emocionar com a luta de Matt.

      Bjinhus e boa leitura!

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  12. Oiee!
    Nossa eu não conhecia esse livro.
    Que enredo mais forte... acho que por conta disso não é muito meu estilo, mas nossa... gostei muito da história e principalmente da sua resenha.
    Arrasou!

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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    1. Olá, Mayara!
      Muito obrigada! Com certeza é uma leitura bem intensa, afinal falar sobre a vida e a morte nos traz esse peso, né? E principalmente quando envolve seres indefesos como as crianças... isso me emociona muito!
      Qe bom que gostou da história! Espero que dê uma oportunidade ao livro e faça suas próprias reflexões... vai se surpreender com o resultado!

      Bjinhus e boa leitura!

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  13. Menina, que drama, hein! Eu acredito que seja mesmo uma difícil decisão para o marido, mas eu optaria por desligar os aparelhos somente depois que o bebê nascesse, porque isso é o que eu gostaria que fizessem comigo se eu estivesse no lugar da Elle. E, convenhamos, se o caso dela era de morte cerebral não havia mais possibilidade de sofrimento para ela. Achei uma obra bem dramática. A premissa é ótima, fiquei interessada.

    Ttiana

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