Uma Conjuração de Luz - Os Tons de Magia, 3 - V.E. Schwab

7 de fevereiro de 2021

Título:
Uma Conjuração de Luz
Autor: V.E. Schwab
Páginas: 728
Ano: 2020
Editora: Record
Gênero: Fantasia
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:
Sinopse: A balança do poder enfim pendeu para um lado. O equilíbrio precário entre as quatro Londres atingiu um ponto sem volta. Outrora transbordando a vivacidade vermelha da magia, o império Maresh é invadido por uma sombra lançada pela escuridão, o que deixa espaço para outra Londres surgir. Quem vai cair? Kell, que já foi considerado o último Antari vivo, começa a questionar a quem deve sua lealdade. E, na esteira da tragédia que se abate sobre a Londres Vermelha, será que Arnes vai resistir? Quem vai ascender? Lila Bard, que já foi uma reles ladra – mas nunca uma ladra qualquer –, sobreviveu e progrediu por meio de uma série de provações mágicas. Mas agora ela precisa aprender a controlar a magia antes que esta seja drenada por seus próprios poderes. Enquanto isso, o desacreditado capitão do Night Spire, Alucard Emery, reúne sua tripulação para correr contra o tempo em busca do impossível. Quem vai assumir o controle? Um antigo inimigo retorna para reivindicar a coroa enquanto heróis tentam salvar um mundo em decadência. Uma Conjuração de Luz é a conclusão épica da série Tons de Magia, de V. E. Schwab. É um acerto de contas com o passado e uma luta por um futuro incerto que sela o destino de Lila, Alucard, Kell, e até mesmo Holland, num livro de tirar o fôlego.

Para ler as resenhas anteriores, clique nas imagens:



Atenção: por ser uma resenha do terceiro livro da trilogia, pode conter spoilers dos livros anteriores.



Resenha:
"Quando a noite caiu, as sombras floresceram.
Eles correram juntos com o rio, a névoa e o céu sem lua até que estavam por toda parte.
Osaron estava em todo lugar.
Em cada batida do coração.
Em cada respiração.
Alguns escaparam.
Para agora.
Outros já haviam sido reduzidos a pó.
[...]
Como posso atendê-lo?
Como eu posso adorar?
Mostre-me o caminho. Me diga o que fazer.
Ele estava em suas mentes."

Em Uma Conjuração de Luz, o último livro da trilogia Tons de Magia, lançado pela Editora Record, podemos ver uma Londres Vermelha muito diferente da que vimos nos dois primeiros: a escuridão permanece nessa, os habitantes estão perecendo com uma maldição forte criada por uma sombra que não tem limite para o alcance do seu poder. Na Londres Vermelha, o rei e o príncipe são obrigados a se trancafiarem dentro do palácio junto com familiares e toda a realeza das outras cidades: temos faroenses e veskanos em uma trégua delicada e sacerdotes fazendo de tudo para conter a magia poderosa que faz com que todos se curvem.

Perto dali, temos magos lutando contra essa magia do jeito que conseguem, é aí que reencontramos Kell, o antari que faz de tudo para emergir nessa superfície de escuridão e ainda precisa (sempre) pedir permissão para seu rei. Ao lado dele, temos Lila, a ladra que precisa aprender a controlar sua magia, mais poderosa do que ela imaginava, e Holland, o outro antari, culpado por ter aberto a porta para que essa magia assolasse a Londres Vermelha. Juntos, eles vão precisar conviver com as diferenças e controlar os nervos para lidar com o que está acontecendo.

A sensação que eu tive é que eu já estava lendo o final do livro, inserido por engano no começo. Mas depois tudo isso é justificado, o mal precisou ganhar para que nossos heróis se mexessem e tentassem resolver a confusão que se instala na dinastia Maresh. Por outro lado, deixa a narrativa com pouco de mais de 700 páginas um pouco cansativa e cheia de voltas desnecessárias.

É muito triste, para uma leitora de fantasia, colocar três estrelas em uma conclusão de trilogia, mas eu me decepcionei um pouco com o livro e não seria sincera em colocar quatro ou mais. Na verdade, em uma nota de 5, eu acho que esse livro merecia 3,7 +-, pois há algumas partes bem legais, mas a autora pecou em outras. Vamos lá?

Quando você começa a jogar todas as cartas boas que pensou antes de começar a desenvolver o livro em apenas um personagem, é mais que certo que os outros vão ficar esquecidos. Nessa trilogia, isso é feito de forma descarada. Lila Bard é uma personagem esperta desde o primeiro livro, mas o foco de toda uma trilogia acaba caindo em cima dos ombros dela. Se alguém vai salvar um personagem, esse alguém é Lila Bard, se alguém descobre algo, esse alguém é Lila Bard, se alguém tem uma boa ideia, é Lila Bard, se alguém é, com o perdão da palavra, foda, esse alguém é Lila Bard. Ela não tem inseguranças, possui um nível de autoconfiança que deixaria qualquer um tonto. E é insuportável.

Eu nunca gostei de personagens que são desenvolvidos para carregar todas as características boas em um livro, muito menos em uma trilogia, pior ainda em uma trilogia de fantasia. E Lila Bard é a representação fiel desse clichê literário. Procurei outras pessoas que leram a trilogia e o incômodo foi geral: ela vira centro de tudo e as pontas soltas, os enredos que precisavam ser trabalhados, são esquecidos.

Kell, o personagem que abre a trilogia e é de longe o que possui mais conteúdo a ser trabalhado, da sua solidão à sua dúvida de quem são seus pais, é um mero coadjuvante nesses livros, e isso me deixou muito triste, pois a sensação que tive foi que Victoria Schwab ficou com preguiça de trabalhar toda a carga que o personagem carrega: ele é poderoso, mas nunca fala mais alto com alguém. Vive taciturno e, em um momento, chega a ser um personagem indeciso e sem personalidade.

"Kell continuou jogando-se contra a gaiola de metal muito depois que a porta se fechou e o ferrolho deslizou para casa. Sua voz ainda ecoava contra as paredes de pedra pálida. Ele havia gritado até ficar rouco. Mas ainda assim, ninguém veio. O medo martelou através dele, mas oque mais assustou Kell foi o afrouxamento em seu peito - o desequilíbrio de um elo vital, a sensação  crescente de perda."

E isso vai desencadeando uma série de furos nos livros que comprometem a trilogia inteira. Holland, para mim o personagem mais forte e interessante da saga, só tem destaque quando precisam de magia poderosa para saírem de enrascadas, um personagem denso como ele merecia um desenvolvimento de personalidade e história.


"Tudo o que Holland queria era ver seu mundo restaurado. Revivido. Ele conhecia as lendas os sonhos de um mago poderoso o suficiente para fazê-lo. Forte o suficiente para respirar o ar de volta aos seus pulmões famintos, para acelerar os seu coração moribundo."

 

Isso também acontece com Alucard, o capitão do navio Night Spire, que é imensamente mais interessante que Lila, mas começa a apagar no último livro para que a garota seja o destaque de tudo.

Também temos um rei e uma rainha que sabemos que possui história, mas nunca conseguimos alcançá-las, e isso é uma pena, pois parecem interessantes. Schwab joga com esses personagens em Uma Conjuração de Luz, mas a sensação que temos é que eles são deixados na trama como marionetes. E isso se aplica ao príncipe também, não sabemos ao certo qual é o papel de Rhy além de atormentar Kell com suas brincadeiras, acredito que Schwab quis criar um personagem leve que parecesse uma fuga para o roteiro denso, mas o que, no fim, ficou como um personagem fraco e sem personalidade. Ele até tenta ser alguém no livro, mas não consegue.

Por outro lado, temos um arco  que nos mostra todo o poder de narrativa da autora. Indo em busca de um artefato raro, Holland, Lila, Alucard e Kell embarcam em um navio minúsculo e, assim, entrelaçam suas historias sem realmente perceberem. Dentro das cabines, eles vão precisar lidar com as diferenças e dividir (ou juntar) as forças para chegarem ao seu objetivo: um grande navio pirata que funciona como um mercado negro de objetos peculiares. De longe, o arco mais interessante de toda a trilogia, as páginas são lidas rapidamente e os personagens que passam brevemente por elas fazem com que o leitor pergunte por que eles não apareceram antes. Maris merecia uma trilogia apenas dela.

Acredito que o livro precisava de um bom copidesque, que cortasse enredos inúteis e fizesse com que a narrativa ficasse mais objetiva. Os vícios de escrita da autora pularam a todo momento das páginas, e isso me incomodou bastante. Fico um pouco triste que editoras grandes como a Record deem chance para livros internacionais cheio de fios soltos como esse e fechem as portas para autores brasileiros que dariam um banho de metodologia de escrita em alguns da casa.

Alguns leitores de fantasia vão ficar incomodados com esses pontos descritos aqui, mas isso não faz a trilogia Tons de Magia uma perda de tempo. Pelo contrário, os livros são bons e o mundo criado pela autora é rico. Foi meu primeiro contato com a escrita de Schwab e eu ainda pretendo dar mais uma chance à autora. Criar um mundo complexo não é para qualquer um, e muitos autores precisam de erros e acertos para chegar no nível que desejam.

De qualquer forma, vale a leitura, e eu adoraria saber a opinião de vocês sobre esses livros, que estão virando febre: uns adoram, outros dispensam.

11 comentários

  1. Não é bom a gente ler a conclusão de uma trilogia assim, com tantos pontos que poderiam e mereciam ter sido melhores.
    Mas...nada pode ser perfeito o tempo todo rs
    Como eu não sou aquela pessoa que entenda demais de fantasia, apesar de sim, gostar muito do gênero, eu penso que iria gostar.
    Os dois primeiros livros foram e são elogiados demais!!!
    Quero muito ler todos!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

    ResponderExcluir
  2. Quero muito ler essa trilogia, uma pena que o desenvolvimento nao foi tao satisfatorio pra ti. Mas eu ja ouço muita coisa positiva sobre a historia e os personagens, e até uma fantasia focado no desenvolvimento dos personagens e esse é um dos motivos que quero muito ler.

    ResponderExcluir
  3. Deixar fios soltos no final de uma trilogia não é bom, a não ser que seja um indício de que vem mais histórias por aí...em um spin off, quem sabe....
    De qualquer forma, Victoria é mestra no gênero e sempre vale lê-la

    ResponderExcluir
  4. ola
    Nossa deveter sido um pouco frustante terminar uma trilogia com essa nota visto as notas altas que os livros anteriores receberam . Uma pena a autora não ter desenvolvido melhor os outros personagens . não sou muito fã de fantasia ,esse ano até quero ler algumas mas eu prefiro que seja volume unico .
    amei a resenha ,muito bem explicada .

    ResponderExcluir
  5. Você é a primeira pessoa que vejo com uma nota 3 pra esse livro, geralmente é maior. Mas isso é muito legal porque assim temos muitas opiniões e de todos os aspectos ne?
    Tive um pouco de receio com a quantidade de páginas, mas geralmente fantasia é assim. Essa crítica em relação aos autores nacionais é muito necessária!!

    ResponderExcluir
  6. Olá, Mariana

    Eu já pensei muito em começar a ler essa série, porque o primeiro livro está disponível no Kindle Unlimited, mas ai quando eu penso em ter que gastar mais com os outros livros fico com um pé atrás kkkk
    E você dando nota 3 para esse piora tudo! KKKKKKKKKKK
    Mas acho as capas muito bonitas.

    Beijos

    ResponderExcluir
  7. Oii Mariana
    Nossa, eu sou doidaaa pra ler essa trilogia, mas agora fiquei com um medinho de começar e me decepcionar com esse livro também. Só de pensar que o último livro da série tem 700 páginas, e foi meio lento e teve alguns problemas, já me deixa com um pé atrás. Estou até com medo de começar a série agora 😔

    Bjss ^^

    ResponderExcluir
  8. Mariana!
    Lendo sua resenha, minha impressão é que para um desfecho de trilogia, o livro ficou a desejar, embora 3,7 para mim, arrendodaria para 4,0, não para 3, mas tudo bem.
    Achei mesmo que ficou muitas pontas soltas pelo que listou e isso eé deprimente para o final.
    Mesmo tendo coisas boas, esperava mais da autora.
    cheirinhos
    Rudy

    ResponderExcluir
  9. Olá Mariana!
    Eu nunca li nada da autora, mas é bem verdade que suas histórias dividem opinião. Também não gosto quando a série tem apenas um personagem que carrega tudo nas costas, nossa expectativa fica muito alta, botamos muita fé n@ pobre coitad@, sem falar que ninguém é tão perfeito assim, né? E nem só de protagonistas se faz uma história. Olha que bacana quando todos se juntam para vencer um obstáculo em comum. É uma pena mesmo toda essa adoração pelos autores estrangeiros e falta de oportunidade para os nacionais.
    Beijos

    ResponderExcluir
  10. Olá! Mas gente estava tão animada com essa trilogia que confesso que a resenha foi quase como um balde água fria nas minhas expectativas, o lado bom é que não vou me decepcionar tanto assim quando chegar meu momento de ler (risos), entre altos e baixos, espero sim ler todos os livros mesmo que seja num futuro distante.

    ResponderExcluir
  11. Oi,
    comecei o primeiro livro dessa trilogia, mas achei confuso e parei.
    Que pena que o final não foi tão bem desenvolvido assim, dá raiva quando isso acontece kkkk
    bjs

    ResponderExcluir