O Diário De Myriam - Myriam Rawick e Philippe Lobjois

7 de maio de 2020

Título: O Diário De Myriam 
Autor: Myriam Rawick e Philippe Lobjois
Páginas: 320
Ano: 2018  
Editora: Darkside Books
Gênero: Literatura Estrangeira,  Não-ficção
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:   
Sinopse: De um lado, uma menina judia que passou anos escondida no Anexo Secreto tentando sobreviver à guerra de Hitler. De outro, uma garota síria que sonha ser astrônoma e vê seu mundo girar após a eclosão de um conflito que ela nem mesmo compreende. Mesmo separadas por mais de setenta anos, Anne Frank e Myriam Rawick têm um elo comum: ambas são símbolos de esperança e resistência contra os horrores de um país em guerra e acreditam no poder das palavras.
O Diário de Myriam é um registro comovente e verdadeiro sobre a Guerra Civil Síria. Escrito em colaboração com o jornalista francês Philippe Lobjois, que trabalhou ao lado de Myriam para enriquecer as memórias que ela coletou em seu diário, o livro descortina o cotidiano de uma comunidade de minoria cristã que sofre com o conflito através dos olhos de uma menina.
Assim como acompanhamos a Segunda Guerra Mundial pelos olhos da pequena Ada em A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que Me Ensinou a Viver, O Diário de Myriam apresenta a perspectiva de uma menina que teve sua infância roubada ao crescer rodeada pelo sofrimento provocado pela Guerra da Síria, iniciada em 2011. Myriam começou a registrar seu cotidiano após sugestão da mãe, que propôs que ela contasse tudo aquilo que viveu para, um dia, poder se lembrar de tudo o que aconteceu.
Escrito entre novembro de 2011 a dezembro de 2016, o diário alterna entre as doces memórias do passado na cidade de Alepo e os dias carregados de incertezas e dolorido. E é com a sensibilidade de uma autêntica contadora de histórias que ela narra a preocupação crescente de seus pais com as manifestações contra a repressão, o sequestro de seu primo pelo governo, as notícias na televisão, as pinturas revolucionárias nos muros da escola e, por fim, os bombardeios que destroem tudo aquilo que ela conhecia..



Resenha:

“Quando a gente abre as janelas, não tem um barulho de vida sequer. Não existem flores, não existem cores e até os pássaros já nos deixaram.”

O Diário De Myriam, é um livro escrito por Myriam Rawick, com o repórter de guerra e escritor Philippe Lobjois. No Brasil foi traduzido e publicado pela editora Darkside Books.
Antes de falar desse emocionante livro, vou falar um pouco da edição brasileira. Com tradução de Maria Clara Carneiro, o prefácio da fundadora do JOCA (jornal voltado para jovens e crianças) Stéphanie Habrich e posfácio e fotografias por Yan Boechat.



O livro original, em francês foi publicado em 2017, e quando Stéphanie, soube do livro que contava o dia a dia de uma criança na guerra da síria, fez uma matéria especial para o JOCA sobre ele. Ela não imaginou o impacto dessa matéria, porém, logo recebeu dezenas de cartas e abaixo-assinados, por crianças pedindo que o livro fosse traduzido para o português, então, entrando em contato com editoras, soube que a editora Darkside Books, já estava avaliando o material para uma possível publicação, com isso enviou copias das cartas das crianças para a editora compreender a importância dessa publicação para elas.



Darkside comprou os direitos de publicação e fez um belíssimo trabalho de tradução e arte no livro, colocando as artes enviadas por alguns alunos no começo do livro. Lançamento pelo selo Crânio, têm uma capa linda. Conheço inclusive algumas escolas e projetos sociais que ganharam livros para que seus alunos conhecessem a historia de Myriam.



Como podem ver um livro carregado de historia e emoção, desde a sua concepção, passando pelo processo editorial.



Eu adquiri o livro ano passado, mas como tinha lido outros livros pesados emocionalmente na época, acabei deixando a leitura para outro momento, vim a ler agora, em uma leitura coletiva com algumas amigas, e organizada pela Nati, e foi uma bela experiência.

“Cheiros, risos, cores. Tantas lembranças que me fazem recordar minha vida de antes. Lembranças são como miragens. Tão distantes daquilo que vivo hoje. Daquilo que vejo. Daquilo que sinto.”

Ao terminar a leitura eu estava imersa em sentimentos conflitantes, vejam bem, Myriam nos narra sua vida na Síria, através das anotações dos seus diários, primeiro os dias felizes, repletos de descobertas, aromas, cores e sabores. Era assim a sua vida antes da guerra, ela só tinha seis anos quando eclodiu a disputa.

Em primeiro momento temos a luta de sua família para manter um dia a dia cotidiano, apesar do medo que começa a se infiltrar nesses dias.



Com o passar do tempo, podemos ver a inocência sendo perdida, temos em palavras simples, porém carregadas de emoções, os momentos em que Myriam começa a perceber que nada mais em sua vida será a mesma.

A tragédia da guerra civil tornou uma nação inteira sem lar e isso é impactante.

Uma tristeza bem visceral, e ler sobre ela não é fácil.

“Hoje a luz voltou. Felizmente, porque as bombas e os tiros no escuro dão ainda mais medo do que quando tem luz.”

Contudo, conforme vamos lendo, não posso deixar de notar o quão Myriam e o povo sírio possui uma esperança dentro deles. Então ao final da leitura, terminei triste, afinal, a guerra da Síria esta há dez anos destruindo lares e famílias, mas, é impossível não terminar a leitura sentindo um orgulho da força das crianças, da capacidade incrível que elas têm de perseverar, de lutar por sonhos e desejar que o mundo se torne um lugar melhor.



Com seu diário Myriam compartilhou com o mundo seu dia a dia, tocou milhares de pessoas e trouxe força aos movimentos de paz. Fez abrir olhos, e alertou crianças de todo o mundo de uma realidade jamais imaginada, e com isso essas mesmas crianças podem vir a se tornar agentes de uma paz duradoura, ao verem que elas são o futuro do mundo.

Isso torna esse livro essencial, pois de forma bem direta, e com uma escrita própria para crianças trata de assuntos sérios.

“Há dois dias, foguetes estão caindo o dia inteiro. Soa um pouco como se o barulho corresse pelas calçadas para subir no meu estomago.”

O posfácio e fotografias são do jornalista brasileiro Yan Boechat, e o impacto de suas palavras foram dolorosas, ele resume os bastidores dos movimentos políticos e religiosos que agiram na sombra para causar a eclosão dessa guerra, e que ate hoje manipula os movimentos que mantêm a guerra, não somente uma disputa por direitos revolucionários de uma população de um país, cansados de viverem sob o jugo de ditador, mas pessoas, que são joguetes de forças ainda mais poderosa, que almeja controle e poder, sem se importar com as vidas perdidas.

Realmente um tema pesado, mais importante. Para as crianças e todos nós.

“Irmão Georges diz que hoje é o dia internacional dos direitos das crianças no mundo, mas que esqueceram de colocar Alepo na lista.”



Uma indicação de leitura para qualquer faixa etária, porém, recomendo que ao ler com as crianças haja um acompanhamento de maiores, para que eles possam compreender as causas.
Não há uma descrição detalhada dos sofrimentos de uma guerra, mas, preciso avisar que Myriam, descreve perdas de pessoas próximas, e os horrores de uma guerra civil, de uma forma que não seja para chocar, apenas como ela colocou em palavras o dia a dia de sua vida.

Boa leitura e até a próxima.


12 comentários

  1. Você sabe qual o único motivo de tristeza que tenho com esse livro? Ele não ser capa dura..rs
    Puxa, a DarkSide pisou na bola com ele. Ele merecia uma capa dura daquelas que só a Editora sabe fazer.
    Quando recebi o meu, fiquei meio decepcionada sim.
    Mas não há como negar que Myriam é uma sobrevivente daquelas, só acho injusto muita gente comparar ela a Anne Frank. Não consegui ver semelhança alguma, exceto por serem crianças.
    Duas guerras totalmente diferentes..e? Doloridas!!
    Não é um livro que a gente lê com o coração feliz...mas é um livro sim, necessário!!!
    Super recomendo!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

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  2. Eu nunca tinha lido uma resenha completa sobre este livro, e é incrível como ele mesmo através de suas palavras nos emociona. Agora quero lê-lo tb, mas assim como você, preciso fazê-lo em um momento onde esteja menos sensível. Linda resenha Vivis, bjs💋.

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  3. ola
    confesso que não sabia da existencia desse livro
    um livro emocionante que retrata a vida de um povo tão sofrido e sendo retratado pelo olhar de uma criança deve ser mais intenso e doloroso
    ainda me lembro até hoje da capa de um jornal que trazia centenas de crianças sirias morta nessa guerra
    é triste ,é lamentavel mas infelizmente é real .
    Parabens pela resenha

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  4. Olá Vivian!
    A Darkside nunca decepciona, mas esta obra está tão autêntica e bem elaborada pela editora que me falta elogios para descrevê-la.
    E a leitura com certeza deve ser marcante, nos fazendo reservar um tempo para refletir sobre os problemas no mundo aos quais, na nossa bolha, somos alheios.
    O relato de Myrian é comovente, e percebe-se que a manina encontrou no registro do seu dia a dia uma forma de seguir em frente numa situação tão devastadora e traumatizante para uma criança.
    Beijos.

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  5. Oi!
    Não deve ser uma leitura fácil, é muito triste pensar em tudo que aconteceu/acontece em alguns lugares do mundo, mas ao mesmo tempo é impossível não me sentir atraída em ler esse livro pelo trabalho excelente da Darkside, pois nossa, essas cartas das crianças parece que foram escritas no próprio diário!

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  6. Oi Vivis!
    Eu estava junto na LC da Nati, e esse livro mexeu demais comigo!
    Principalmente na segunda metade (acho que chorei nela toda).
    É um livro importantíssimo e que merece ser divulgado. Muitos precisam ler para sair um pouco da bolha e ver o que acontece ao redor do mundo (e não somente aquilo que é jogado na nossa cara).
    Essa edição da Darkside está belíssima (como sempre hahahaha), mas possuo apenas o ebook. Pretendo ainda adquirir o físico!

    <3

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  7. Vivivan!
    Livros que falam sobre guerras, é sempre importante lermos e ainda mais da Síria que quase não temos aceso, bom demais.
    Bacana ver as fotos e imagens.
    Gostei de ver que é uma narrativa real, mesmmo escrita pelo autor.
    Pois é, ajuda pelo interesse político...argh.
    Só quem já passou por uma guerra é que sabe os horrores que acontecem e que eles vivem...
    Deve ser dolorido, mas também tenso e intenso e precisamos de leituras assim para dar um chocoalão dentro de nós.
    Quero poder ler.
    cheirinhos
    Rudy

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  8. ingriD Figueiredo09/05/2020 22:18

    que obra linda... linda!

    desde a pré-produção tem um momento impactante, sem duvida é um livro com uma carga forte emotiva e para a gente é importante ter contato com uma cultura tão diferente da nossa.

    Só não sei se esse livro explica a guerra, o motivo dela implodir, mas de qualquer forma já serve de gatilho para pesquisar em outras fontes e saber mais dessa guerra.

    Uma criança não deveria escrever sobre guerra. Não deveria ter que vivenciá-la. Ninguém deveria. A guerra é um reflexo da estupidez humana.

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  9. Olá Vivian!
    É mesmo de cortar o coração a história dessa e e de tantas outras pessoas que sofrem com as guerras. É inconcebível que ainda ocorram esses conflitos em pleno século 21. Mas infelizmente o sofrimento está longe de acabar. A diagramação do livro está muito bonita mesmo, e a história de como as crianças pediram para o livro ser publicado aqui me emocionou. Ver a protagonista perder a alegria e os dias coloridos ficarem cinza é muito triste.
    Beijos

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  10. Não conhecia o livro, mas achei bem impactante só pela resenha, já que trata de uma guerra que dura até hoje e que ainda por cima é contada através dos olhos de uma criança.
    Realmente, uma leitura com uma grande carga emocional sobre um tema bastante delicado, mas que ao mesmo tempo a leitura se torna essencial.

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  11. Olá! Nossa, preciso tanto ler esse livro, há tempos ele faz parte da minha lista e não poderia ser diferente, pois aborda um tema tão difícil de uma maneira tão simples, mas ao mesmo tempo, emocionante e que sem dúvida impacta. É aquele tipo de leitura que é preciso ser feita, mas que a gente logo sabe que vai nos deixar aos prantos, ainda mais por se tratar de relatos reais.

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  12. É um livro muito interessante, pois estamos habituados a sempre ouvir sobre Anne Frank, e a história de Myriam desperta para tantas histórias por trás das guerra que a gente desconhece. Quero ler esse livro e saber o qie essa jovem passou.

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