Serraria Baixo Astral - Desventuras em Série, 4 - Lemony Snicket

7 de janeiro de 2019


Título: Serraria Baixo Astral - Desventuras em Série, 4
Autor: Lemony Snicket
Páginas: 176
Ano: 2016
Editora: Seguinte
Gênero: Aventura, Infantojuvenil, Literatura Estrangeira
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon | Saraiva
Nota:  
Sinopse: Na opinião de Lemony Snicket, "de todos os volumes que contam a vida infeliz dos órfãos Baudelaire, Serraria baixo-astral talvez seja o mais triste até agora". Alto-Astral é o nome da serraria que serve de cenário para as novas calamidades que Klaus, Violet e Sunny serão obrigados a viver. Trata-se de uma "ironia do destino", pois ali, no meio daquelas árvores derrubadas, daquelas enormes toras de madeira, o que as três crianças vão encontrar é mais uma coleção de coisas horripilantes, tais como uma gigantesca pinça mecânica, bifes do tipo sola de sapato, uma hipnotizadora e um homem com uma nuvem de fumaça no lugar da cabeça. A vida dos Baudelaire é mesmo muito diferente da vida da maioria das pessoas, "a diferença principal estando no grau de infelicidade, horror e desespero"...
Diante desse quadro, algum leitor desavisado pode desconfiar: "Como é que alguém vai se divertir com um livro desses, se as personagens não param de sofrer?!". A pergunta faz sentido, mas é justamente aí que descobrimos um dos melhores segredos de Lemony Snicket, pseudônimo do americano Daniel Handler. Ele leva o exagero às raias do absurdo, faz o realismo perder feio para o mais deslavado faz-de-conta e o resultado não poderia ser outro: um jogo literário incessantemente bem-humorado.

Este livro foi cedido pela Editora Seguinte, porém as opiniões são completamente sinceras. Não sofremos nenhum tipo de intervenção por parte da Editora. 

Leia as resenhas anteriores da série aqui.

Resenha:

Mais um livrinho terminado e mais aventuras acontecem. Claro, Desventuras em Série já deixa claro que é uma sequência de fatos desastrosos que ocorrem na vida dos órfãos Baudelaire e ainda que Lemony Snicket continue a deixar claro que o leitor pode e deve deixar a leitura e partir para outra, não larguei a leitura.

Nessa nova experiência, o Sr. Poe encaminha os jovens mais uma vez a um novo tutor de nome estranho, aqui leia estranho como um nome de pronúncia impossível, na cidade de Paltryville. Novamente o banqueiro não os acompanha ao destino final, o que se repete em quase todas as sequências até aqui e abre margem para os desastres que os ocorrem.

Para variar, continuo muitíssimo zangada com o Sr. Poe, pois pela segunda vez adverte os jovens e ainda informa que "dessa vez", caso não dê certo eles serão encaminhados a um colégio interno. - enquanto isso, conversei com o texto dizendo "o senhor bem que poderia acompanha-los até os locais, no lugar de despacha-los como se fossem produtos que ninguém quer", mas infelizmente ele não me ouve.

O fato de não checar profundamente o local onde as crianças ficarão, abriu precedente nessa história não somente para as maldades do Conde Olaf, para exploração de trabalho infantil. O texto faz algumas críticas sociais que ainda não tinham sido abordadas nas leituras anteriores. Por essa razão, apesar de uma leitura fácil ao público a que se destina essa história pode acrescentar muito ao público mais amadurecido, como nós.

Já em seu novo "lar", a recepção é um tanto diferente e os órfãos, além de não saberem pronunciar o nome de seu tutor, não são recebidos por ele e já recebem de Phill, um otimista inveterado que trabalha na "casa", que na verdade é a empresa Serraria Alto- Astral a que seu tutor é dono, que enquanto morarem ali precisarão trabalhar.

Portanto, se as coisas já se mostram ruins aí, acredite, elas podem e pioram muito! As crianças trabalham na fábrica e isso é um absurdo, trabalharem até chegarem ao máximo de esgotamento é o fim da picada. Lembra que disse que as coisas pioram e muito? Então, antes de piorarem, uma fagulha de esperança se acende, pois Charles, que é sócio de seu tutor, encontra as crianças na fábrica e decide intervir solicitando que eles não trabalhem mais. 

Como forma de agradar as crianças, Charles ainda os leva para conhecer a biblioteca da cidade. Uma biblioteca? Bem, sim... Isso não poderia ser melhor e os irmãos nem esperavam algo do tipo! Mas essa biblioteca possui apenas três livros e dentre esses o livro da doutora Georgina Orwell, a oftalmologista da cidade, que aparece em dado momento só para tumultuar tudo!

As coisas tendem a parecer um quebra cabeças, com pecinhas que vão se encaixando. Nada sai como o esperado, nem mesmo quando prevemos algo errado. As crianças permanecem trabalhando na serraria, até que em um determinado dia quando retorna a fábrica, após adquirir novo óculos pois o antigo quebrara, Klaus se mostra totalmente estranho e pensando apenas em trabalho. Conhecendo seu irmão, Violet nota que algo está errado e começa a buscar formas de entender o que há.

Não demora para os irmãos intuírem que essa pode ser apenas mais uma artimanha do Conde Olaf, que faz de tudo para inferniza-los. Novamente eles são levados a temer por suas vidas, buscar maneiras de provar que não estão mentindo e desmascarar o vilão. 

Como havia contado a vocês na resenha anterior, percebi que os problemas das crianças se dão por falhas dos adultos (principalmente do Sr Poe que é o primeiro a negligencia-los). Nesse livro, a falha do tutor é o egoísmo e a ganância, ele explora as crianças e todos a sua volta e só se interessa pelo poder. Como diz em 1984, de George Orwell "Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder, poder puro". Sendo assim, não podia ser em vão que o nome de uma das personagens mais chatas do livro seja Orwell e se você conhece George Orwell, vai entender a razão de eu dizer o que me antecedo a avisar: esse livro possui muitas mensagens nas entrelinhas.

Esse foi um dos livros que demorei um pouco mais para acabar, em consequência das tais mensagens que citei acima e apesar de ter adorado o rumo da história e ter refletido sob a mensagem, o livro dois continua sendo o meu favorito. O enredo continua fluído, a intimidade com o texto me leva a esperar que o Conde Olaf reapareça de forma esquisita a qualquer momento, porém, tal certeza não consegue driblar as surpresas e sem dúvidas o autor envolve o leitor do início ao fim. Não posso deixar de lembrar a vocês que a escrita é ótima, o jeito irreverente do narrador faz com que essa tragédia seja deliciosamente agradável ao mesmo ponto que é triste.

Os Baudelaire precisam de um final feliz, então sigo na expectativa. Que venha o próximo livro!


bjs e boa leitura :*



5 comentários

  1. Olá Jéssica,
    É o que sempre digo, as palavras podem não mudar, mas o nosso amadurecimento faz com que a leitura se modifique, por isso concordo que seja um livro voltado para um público amplo.
    Não tive oportunidade de ler, mas assisti a um pedaço da última adaptação, e, apesar de triste, é um enredo riquíssimo, bem moldado, e em partes, realista. Em questão a negligência dos adultos, vejo realmente como uma crítica ao sistema de adoção que conhecemos, mais uma vez, completamente real!
    Espero ter a oportunidade de ler, e voltar a assistir.
    Beijos

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  2. Eu quero muito ler a série. Desde que a série estreou na Netflix e me diverti muito com a história, quero ler.

    www.vivendosentimentos.com.br

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  3. Oi, Jéssica
    Tenho acompanhado essa série pela resenhas e adoro.
    O autor nos faz refletir sobre vários temas como exploração infantil, negligência entre outros.
    Mas nos dias de hoje mesmo em casa tem muitas crianças que são negligenciadas por seus pais como não cuida da higiene da criança, não dá carinho e muitas outras formas.
    Beijos

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  4. Olá! Não canso de repetir que a cada nova resenha a vontade de conhecer mais dessas histórias só aumenta. Eu também já estou na torcida pelo final feliz (confesso que sem muitas esperanças, acho que fica menos sofrido). Que bom que a escrita esta cada vez melhor, mais um motivo para ler.

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  5. Eu acompanho a série desde o lançamento da 1ª temporada e, apesar de alguns episódios mais ou menos, gosto de assistir. Por conta dessa classificação razoável da série, não me animei muito pra leitura. Bom, o episódio da serralheria é um dos meus preferidos da 1ª junto com da estufa. Percebi a crítica ao trabalho infantil imposto na série, imaginei ter vindo do livro. Gostei disso!

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