Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi - Joachim Meyerhoff

10 de julho de 2018

Título: Quando Finalmente Voltará a Ser Como Nunca Foi
Autor: Joachim Meyerhoff
Páginas: 352
Ano: 2016
Editora: Valentina
Gênero: Literatura Estrangeira, Drama, New Adult
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Americanas.com | Amazon
Nota: 
Sinopse:
Isso é normal? Crescer entre centenas de pessoas com deficiência física e mental, como o filho mais novo do diretor de um hospital psiquiátrico para crianças e jovens? Nosso pequeno herói não conhece outra realidade - e até gosta muito da que conhece. O pai dirige uma instituição com mais de 1.200 pacientes, ausenta-se dentro da própria casa quando se senta em sua poltrona para ler. A mãe organiza o dia a dia, mas se queixa de seu papel. Os irmãos se dedicam com afinco a seus hobbies, mas para ele só reservam maldades. E ele próprio tem dificuldade com as letras e sempre é tomado por uma grande ira. Sente-se feliz quando cavalga pelo terreno da instituição sobre os ombros de um interno gigantesco, tocador de sinos.
Joachim Meyerhoff narra com afeto e graça a vida de uma família extraordinária em um lugar igualmente extraordinário. E a de um pai que, na teoria, é brilhante, mas falha na prática. Afinal, quem mais conseguiria, depois de se propor a intensificar a prática de exercícios físicos ao completar 40 anos, distender um ligamento e nunca mais tornar a calçar o caro par de tênis? Ou então, em meio à calmaria, ver-se em perigo no mar e ainda por cima derrubar o filho na água? O núcleo incandescente do romance é composto pela morte, pela perda do que já não pode ser recuperado, pela saudade que fica - e pela lembrança que, por sorte, produz histórias inconcebivelmente plenas, vivas e engraçadas. 


Resenha:

Uma criança, um hospital psiquiátrico e toda a realidade que o ronda é também a sua realidade. Essa não é nem de longe uma história comum. A vida de Joachim se funde a cada pequena história dos pacientes que moram no hospital e todas as suas experiências estão plantadas ali. O pequeno aprende a ser alguém a partir desse princípio e apesar de fazer parte de um contexto tradicional, onde a família é composta por pai, mãe dois irmão e um cachorrinho, tudo ali é diferente.

Nenhuma experiência é comum, e o pequeno de apenas 7 anos, me parece mais um projeto de adulto. A inércia de seu pai, apesar da aparente vontade de criar um bom entrosamento familiar, é muito grande e todos vivem como se fizessem parte do hospital. Como se suas existências fossem um anexo, mais uma ala denominada com alguma letra. Apesar de diferente, cada coisa tem seu lugar e tudo de alguma forma faz sentido. Como leitora, tudo aquilo me pareceu sublime.

A medida que avançava a leitura, inegavelmente, me chateava com o Dr Hermann, que parece que não percebe que sua família se dissolvia, nem em como todos dentro da casa precisavam dele. Porém, é também palpável o tanto que ele tenta conciliar toda aquela louca rotina. E como é de se esperar, acaba sendo difícil conciliar tantas expectativas.



Joachim cresce nesse contexto diferente e não nega suas raízes e vemos o amadurecimento chegar com o passar de páginas. Existem acessos de raiva, alegrias, tristezas, a família toma rumos diferentes, temos perdas e algumas dificuldades de lidar com a emoção, mas tudo, exatamente tudo nesse livro é extraordinário e faz muito sentido. As reviravoltas que ocorrem, sempre os levam de volta aquele contexto, e ele, bem como sua família precisam se adaptar a tudo que acontece.

Confesso, esperei encontrar uma retórica menos rebuscada, com reflexões mais infantis, mas compreendi que Joachim narrava sua infância e demais etapas depois de ter crescido. Inevitavelmente, Hermann foi amado e odiado por mim, consegui rir com suas sacadas e lamentar por suas dores:

- E vocês sabem o que aconteceu recentemente, durante uma palestra? Lá estou eu diante de 200 pessoas, falando sobre um tema muito sério, e, de repente salta um botão da minha camisa. Simplesmente estourou e saiu voando pelo ar até a terceira fileira da plateia. Todos viram e fingiram que nada tinha acontecido. Senti um ventinho frio na barriga, mas nem ousei olhar. Mal respirava, porque fiquei com medo de que minha pança mandasse todos os outros botões pela sala e eu ficasse ali, de barriga de fora. Foi horrível. 

A ideia do livro me instigou, me chamou para ele e o enredo me abraçou. Não é uma história que tem intenção de surpreender o leitor ou que possua alguma intenção clara de provocar. Alguns trechos são mornos, mas nada foi capaz de me desligar dessa leitura, principalmente pelo fato da história ser fluída ao mesmo tempo que não é.

Esse é um livro que você precisa se despir para compreender. Não adianta tentar embarcar aqui e comparar a fatos “normais”. Afinal, o que de fato é normal? Essa é uma pergunta que fica martelando durante toda a leitura. E agora só posso concluir que as coisas são no máximo esperadas e não esperadas. E aqui tem muitos fatos inesperados.

Quando finalmente voltará ser como nunca foi, é uma história inquieta, que beira a loucura e a lucidez e questiona fortemente o que nos difere ao certo, estar do lado de dentro ou do lado de fora?

Bjs e boa leitura :*

10 comentários

  1. Oi, Jéssica.

    Apesar de já conhecer o livro, eu não tinha noção da dimensão apresentada no mesmo.

    Acredito que eu iria gostar da trama, por ela estar subdividida e elaborar as oscilações vividas pelo personagem. Bem como tudo proveniente de um ambiente familiar, e o que pode ser tirado e absorvido como reflexão em linhas gerais.

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  2. Que interessante, ainda não tinha visto esse livro, fiquei curiosa!

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br

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  3. Olá Jéssica!
    Gosto qdo a leitura já em chama atenção de cara, esse livro desde que conheci tem sido assim, só espero curtir qdo conseguir ler, já está na listinha.
    Bjs!

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  4. Gosto que a história parece amadurer juntamente com o personagem. Eu ainda não conhecia o conteúdo do livro e não fazia ideia que seria algo assim. Já planejava lê-lo e agora ainda mais.

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  5. Puxa, vou confessar que não sabia nem da edda existência deste livro, que já começa diferente pelo título.
    Bastante incomum, mas que aparentemente traz uma reflexão muito particular a cada um de nós.
    Vai para a lista de desejados com certeza.
    Beijo

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  6. Oi Jéssica,
    Lembro que fiquei muito intrigada com esse livro logo que vi o lançamento, essa sinopse peculiar chamou a minha atenção. Mas depois de acompanhar as resenhas a minha empolgação diminuiu. Adoro quando a história desperta sentimentos variados, isso torna a leitura bem surpreendente, e já li outros livros com narrativa mais intensa e densa, então estou acostumada com isso, mas confesso que não sei o que esperar dessa história.
    Promete ser uma leitura cheia de emoções, com momentos de alegria e tristeza, de angústia e reflexão, mas... Ainda assim, não sei se vou chegar a ler.
    Beijos

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  7. Olá! Não conhecia o livro, mas o título chamou minha atenção logo de início e o enredo parece ser bem interessante, dica mais que anotada, já incluída na lista. A leitura parece ser bem instigante e nos faz repensar algumas situações.

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  8. Olá Jéssica! Achei a premissa dessa história bem intrigante, pois ela não se encaixa em nenhum gênero. O que chama a atenção são essas reflexões acerca do normal e do anormal à nossa volta. O drama familiar é um grande enfoque também e ressalta a influencia dos pais na formação do caráter dos filhos. Parece um livro desafiador que eu leria se tivesse a oportunidade. Beijos

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  9. Olá, é possível perceber que o autor consegue deixar a trama subjetiva mas ao mesmo tempo clara, o que evidentemente faz com o leitor fico refletindo sobre como o ambiente ao redor é capaz de nos modificar, como acontece com Joachim. Beijos.

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  10. Jéssica!
    É uma leitura meio 'bicho de sete cabeças', né?
    Por vezes fico imaginando o que se passa na cabeça de vários autores, sério!
    Um enredo que poderia ser bem desenvolvido e com oportunidade de mostrar a real influência da família e da figura paterna na vida das pessoas e como suas experiências infantis levam a formação de um adulto complicado, torna-se um livro sem grandes objetivos claros.
    Bom final de semana!
    “A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta.” (Blaise Pascal)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JULHO - 5 GANHADORES - BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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