Capitães da Areia - Jorge Amado

2 de junho de 2018

Título: Capitães da Areia
Autor: Jorge Amado
Páginas: 280
Ano: 2008
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Ficção Brasileira
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon | Americanas
Nota:   
Sinopse: Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.
Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.


"Porém uma tarde em que estava o padre e estava o João de Adão, o doqueiro disse que a culpa era da sociedade mal organizada, era dos ricos..."

Resenha: Parece irreal, porém li esse livro pela terceira vez. Li na minha adolescência para escola, li na graduação para estudo da obra e hoje por livre e espontânea vontade, pois é uma obra realista, forte e chocante por mais que seja uma ficção. Amado teve a sagacidade de descrever não só todos os garotos que vivem no trapiche, mas também todo ambiente e vida de cada um que o levaram a ter uma vida de roubos e solitários por mais que estejam juntos. 
  
"A boa intenção não desculpa os maus atos..."

Trecho do posfácio do Milton Hatoum...

"...escritores preocupados com questões sociais e com a valorização de particularidades regionais."

Ou seja, toda a obra é direcionada à essas questões sociais, pois todos esses meninos que vivem na rua e tornam-se os Capitães de Areia não têm nem pai, nem mãe, nem família, ou melhor, ninguém que possa ampara-los, auxilia-los na vida e ensinar boas coisas, a ir na escola ter boa educação e afins e não estou querendo dizer que só na Bahia existe isso, não!

É um livro ainda atual e que remete a muitos jovens em vários estados brasileiros, infelizmente. Que não têm direção e pensam que a única maneira de sobreviver é roubar, furtar, usar drogas, fumar, beber muito e assim tornar-se-ão homens, mas não é assim. Eles não veem outro caminho e creem que a liberdade que têm é liberdade!


As personagens...


Conhecemos bem o chefe dos Capitães, Pedro Bala, que desde seus cinco anos vive na rua e aprendeu a andar por todo lugar e sabe onde fica tudo e todos. Os estão os ricos e onde é possível roubar as casas e afins. Ele é um líder nato e poderia se com as direções certas ser um líder de uma coisa boa, porém ele é líder das crianças que roubam e furtas para comer e sobreviver no trapiche.

Temos também Pirulito, que depois das visitas e convivência com o Padre José Pedro sente que sua vocação é ser padre e sempre está rezando, ganha algumas estatuas de santos e rouba também, entretanto sempre está pedindo perdão por roubar, mesmo sabendo que é errado ele faz porque assim como os outros ele vive com os Capitães e tem que fazer sua parte.

Sem-pernas que semeia um ódio forte por tudo e todos, até mesmo quando recebe carinho e amor por Dona Ester que irá acolhe-lo, porque afinal ele tem que fazer o trabalho dele, pois ele é um dos Capitães e tem que ajudar assim como os outros.

Temos o Professor que é o único que sabe ler e lê muitos livros todos os dias porque para ele é um prazer e também é o que ajudar a planejar os roubos.

Mesmo vivendo na rua todos esses meninos têm código de honra e leis para eles, ou seja, tem uma certa ordem ou leis que imperam.

Portanto, é um livro, que com toda certeza, vale a pena ser lido e ser relido quantas vezes for preciso e que infelizmente continua atual em nossa realidade, em nosso Brasil tão vasto. Devemos olhar mais para nosso semelhante e tentar ajudar de alguma forma se não perderemos a única sociedade que de fato temos.

15 comentários

  1. Mesmo depois de tanto tempo, Jorge Amado continua captando as lamúrias do povo. Engraçado que quando a maioria de nós leu este livro, estava na escola e lia meio que por obrigação e imposição dos professores(comigo foi assim) e não consegui entender nadinha na época.
    Depois já mais adulta, reli e sei que se o fizer hoje em dia, ainda terei uma nova visão!!!
    Super recomendado!
    Beijo

    ResponderExcluir
  2. Oi Raquel, esse foi o primeiro livro que me despertou várias emoções e com o qual eu percebi que amava ler, e mesmo não tendo iniciado meu vicio em livros ao lê-lo e impossível esquecer sua marcante história. A história é real e forte e a leitura me deixou bem envolvida mesmo sendo uma leitura obrigatória para escola, até então nenhuma tinha me despertado tantas emoções. Dos personagens que vc citou gosto de todos mesmo o mau humorado sem pernas e ainda Dora e seu irmão e Gato.

    ResponderExcluir
  3. Olá Raquel, eu tentei ler esse livro quando eu tinha uns 13 anos (pq a minha prima mais velha leu e tinha dito que era muito bom), mas a leitura não me prendeu e eu acabei abandonando o livro.
    Não sabia sobre o fato de cópias do livro serem queimadas e isso é um pouco triste se levar em conta que era uma realidade presente naquela época e infelizmente ainda presente nos dias de hj.
    Depois de ler a sua resenha acho que vou dar outra chance para o livro, acho que agora mais velha eu vou aproveitar melhor a leitura.

    ResponderExcluir
  4. Oi, Raquel.

    Apesar de ter causado polêmica, o autor apenas relatou algo real, para que todos  refletissem. E, acredito que essa, não é uma leitura que deveria ser deixada de lado.

    ResponderExcluir
  5. Quero muito ler esse livro!
    Eu assisti a peça ao ar livre e foi incrível.

    ResponderExcluir
  6. Oi Raquel. É triste ver que mesmo após tanto tempo, essa realidade triste ainda convive com nós, todos falam tão bem desse livro mas ainda não tive a oportunidade de conhecer essa história.
    Pelo que percebi, os personagens parecem ser bem cativantes e muito diferentes uns dos outros, e isso é uma característica que me instiga bastante. :D

    ResponderExcluir
  7. Raquel!
    Tive oportunidade de ler na escola ainda e faz muito, muito tempo.
    É mesmo um livro atemporal com enredo agradável.
    Jorge Amado foi o precursor das críticas sociais em sua época, embora embotado por seus romances, foi sempre um grande observador dos fatos sociais e levava esses problemas aos seus livros.
    Desejo um mês repleto de realizações!
    “O que eu sinto eu não ajo. O que ajo não penso. O que penso não sinto. Do que sei sou ignorante. Do que sinto não ignoro. Não me entendo e ajo como se entendesse.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

    ResponderExcluir
  8. Oi, Raquel!
    Não li esse livro, apenas um resumo dele quando precisei (na escola era apaixonada apenas pelos livros que queria ler).
    Tenho vontade de ler esse e vários outros clássicos da nossa literatura.
    Capitães da Areia na época não aceitaram mas que nos dias atuais não foge da nossa realidade.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  9. Oi, já ouvi falar mas nunca li, e nem na escola não pediram, o que fiquei feliz porque esse livro realmente não chama a minha atenção, não sei porque. Lendo a sua resenha o livro parece ser bom, acho que eu poderia ate dar uma chance.

    ResponderExcluir
  10. Eu nunca o li, embora minha professora de português o indicasse sempre. Me arrependo de não ter lido antes. Percebe-se que é um livro que reflete uma realidade e, embora triste, precisa ser vista para que alcance a consciência das pessoas e traga a reflexão.

    ResponderExcluir
  11. Olá Raquel,
    De fato, a história do livro mesmo sendo de um tempo atrás, representa bem a realidade de muitas crianças, e para ser sincera, por mais que seja errado a forma que os personagens vivem, não imagino como conseguiriam sobreviver e se tornarem fortes para o que enfrentam sem ter essa atitude.
    Eu não conhecia o livro, nem mesmo sabia desse reboliço todo em cima dele, fiquei com vontade de ler!
    Beijos

    ResponderExcluir
  12. Olá Raquel! Eu tenho um carinho especial por essa obra pois foi a partir dela que me inseri no mundo da leitura. Eu era bem nova quando li e lembro que fiquei um pouco chocada com a trama pois Amado conta o cotidiano desses meninos com tanta veracidade que é impossível não correlacionar aos acontecimentos cotidianos. Eu acho que todos deveriam ler Capitães da areia para refletir sobre os problemas sociais e mudar sus atitudes. Beijos

    ResponderExcluir
  13. Infelizmente eu ainda não li esse livro, apesar de ser leitura que deveria ter feito na escola. Mas é um autor que eu admiro muito por ter lido outras obras. Muitos concordam também ser um retrato do Brasil ainda hoje. Quero ler um dia.

    ResponderExcluir
  14. Eu tive a oportunidade de ler esse livro no ensino médio, o que faz um pouquinho de tempo, e então preciso até reler ele. Mas não sai da memória o quanto esse livro é bom e mostra um Brasil que ainda é assim mesmo. Dava pra sentir o que os personagens sentiam e o modo que ele escrevia sobre os meninos e todos os personagens era de tal forma que me deixava atenta 100%.

    ResponderExcluir
  15. Oi Raquel!
    Sempre ouvi flar coisas lindas desse livro, e eu gosto qdo o livro deixa reflexões aos leitores, com toda ctz vai para os meus desejados.
    Bjs!

    ResponderExcluir