1Q84 - Haruki Murakami

11 de junho de 2018


Título: 1Q84 - Livro 1
Autor: Haruki Murakami
Páginas: 432
Ano: 2009
Editora: Alfaguara
Gênero: Ficção, Fantasia, Literatura Estrangeira, Literatura Oriental
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Onde Comprar: Extra | Livraria Cultura | Saraiva | Amazon
Nota:  
Sinopse: Haruki  Murakami é um fenômeno da literatura contemporânea, e 1Q84 é seu livro mais ambicioso. A obra esteve no topo das listas de mais vendidos no mundo inteiro e, só no Japão, ultrapassou a marca de 4 milhões de exemplares vendidos. Ao narrar duas histórias que aos poucos se cruzam - de Aomame, uma jovem que oculta sua fatal profissão, e Tengo, um rapaz que pretende ser escritor, mas se envolve num jogo perigoso ao reescrever um romance enigmático -, Murakami constrói uma saga pós-moderna, com mundos paralelos, garotas misteriosas, assassinatos e estranhas seitas. Uma mescla de suspense, distopia e história de amor, em que tudo pode acontecer. 
Que tal ler a resenha ao som de Sinfonietta, de Leoš Janáček? Essa é apenas a sinfonia de maior importância para o livro. Leia-o e entenda o porquê.

Resenha: 1Q84 se passa no Japão, durante a década de 80. Acompanhamos entre capítulos intercalados o enredo de dois personagens: Aomame, uma profissional da Educação Física que exerce a atividade pouco ortodoxa de assassinatos profissionais indetectáveis. Em contrapartida, em uma vida mais pacata, a história é conduzida através de Tengo, professor de matemática de um curso preparatório para vestibulares, além de ser escritor autônomo.

As vidas de ambos os personagens mudam de forma drástica a partir de ocasiões bastante específicas. Aomame se vê em uma reação em cadeia de fatos inexplicáveis assim que utiliza uma escada de emergência para fugir de um engarrafamento, enquanto Tengo mergulha num profundo questionamento moral após uma indecorosa proposta do seu amigo Komatsu, famoso editor literário, que deixou à cargo do professor reescrever o poderoso, porém bruto e bastante amador romance da jovem Fukaeri, chamado “Crisálida de Ar”.

A história acontece em passos lentos, e em construções diferentes do que nos acostumamos a ler em livros ocidentais. Até que possamos entender como e quando o enredo se desenvolve, já lemos bastante sobre a vida e o cotidiano de Tengo e Aomame. Não que isso seja uma falha, já que Haruki Murakami soube desenvolver seus personagens de forma extremamente humana, fazendo com que até pequenas nuances pessoais, como os devaneios sexuais de Aomame ou os terríveis sentimentos de Tengo pelo seu próprio pai se tornem partes do quebra-cabeças necessário para completar a história do livro. A interação dos dois personagens também ocorre lentamente, e só é possível ver uma relação entre os dois no caminho para as últimas páginas do livro, mas novamente Murakami teve sucesso em construir sua história de forma contínua e interessante, a ponto do cruzamento entre as duas tramas ser uma ótima recompensa ao leitor.



Apesar do livro ter uma proposta mais fantástica e fantasiosa, Murakami teve o grande cuidado de construir um mundo plausível, com acontecimentos sobrenaturais ocorrendo em doses pequenas. A cultura pop da década de 80 foi amplamente citada, e importantes assuntos atuais, como fanatismo religioso e machismo foram abordados de forma coerente, trazendo ainda mais vida para a obra.

O grande pecado do livro foi seu formato um tanto inconclusivo. Talvez por ser uma trilogia, não houve uma preocupação muito grande do autor em encerrar mistérios e problemas carentes de resoluções. Para um leitor mais exigente, ler 430 páginas e ter a sensação de que o livro se encerra de forma brusca pode ser uma péssima sensação. Apesar disso, de forma alguma esse ponto negativo invalida o livro por inteiro, que conseguiu se manter incrível do começo ao fim. 1Q84 é sem sombra de dúvidas ousado em sua proposta, ao mesmo tempo que verossímil na construção de personagens imperfeitos, plausíveis e excepcionalmente humanos.


11 comentários

  1. Oi, Michel.

    O enredo é um pouco confuso, embora evidencie traços e temáticas importantes.

    O que torna a leitura fluída, é essa mescla de ficção e elementos da fantasia.

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  2. Oi Michel, ainda não tinha ouvido falar do livro ou do autor e apesar de ter achado a resenha interessante não acho que esse livro iria prender minha atenção. A lentidão e o final um tanto quanto inconclusivo pode preocupar aqueles que se interessarem pelo gênero mas a história parece ter qualidades também e tenho certeza que pode agradar a vários leitores ;)

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  3. Vou admitir que ainda não li nada do autor e que quando este livro foi lançado, fiquei meio com os dois pés atrás.
    Sou meio lesa com alguns assuntos e pela forma com que o autor traçou seus personagens, me vi confusa só de ler algumas resenhas.
    Falar do ser humano, o colocar em sua forma mais crua, pode muitas vezes ser algo bem fora do normal e com isso, causar esse certo receio.
    Talvez eu acabe dando uma chance sim, mas que eu vá entender? Aí já é outra história.rs
    Beijo

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  4. Oi, Michel! Sempre que eu via esse livro tinha uma opinião totalmente diferente dele. É aquele ditado né, nunca julgue um livro pela capa.
    Confesso que depois de ler essa resenha fiquei bem mais interessada na história do que eu imaginei que ficaria. Acho que o fato de o livro ser inconclusivo não me incomodaria, já que amo séries e trilogias!

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  5. Sempre tive vontade de ler algo do autor, ele carrega tantos elogios. Fiquei intrigada com essa obra, gosto da imperfeição que torna os personagens reais. Espero que o autor feche os furos que aparentemente deixou neste livro porque eu realmente não iria gostar de ler 430 páginas para um fim sem respostas, ahahah.

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  6. Olá Michel! Nunca li nada relacionado ao universo oriental pois raramente essas obras são divulgadas. Esse livro insere pessoas comuns num universo distinto e misterioso, o que achei bem legal. Porém não acho que a leitura me agradaria pois finais vagos e inconclusivos me deixam bem revoltada, mas o conteúdo da trama é bem interessante. Beijos

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  7. Olá Michel,
    Não conhecia o autor e parando pra pensar, minhas leituras são limitadas a autores americanos e europeus, fora os brasileiros.
    Pela sinopse desse livro e a sua resenha, eu não me interessei muito por esse livro.
    Gostei de saber que o autor soube manter o mistério da estória mantendo várias respostas para próximos livros como vc citou, só espero que no final ele saiba fechar a estória sem deixar os leitores frustrados.

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  8. Michel!
    É uma típica história japonesa de amor, com muitos desencontros e frustrações. A originalidade de Murakami é situar o romance de Aomame e Tengo no mundo paralelo de 1Q84, onde existem duas luas no céu e um Povo Pequenino usa e abusa da magia em rituais secretos. Então existe um toque de suspense, de ficção científica (ou realismo fantástico) e até um sutil senso de humor.
    “Sou uma só. (...) Sou um ser. E deixo que você seja. Isso lhe assusta? Creio que sim. Mas vale a pena. Mesmo que doa. Dói só no começo.” (Clarice Lispector)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA JUNHO - 5 GANHADORES
    BLOG ALEGRIA DE VIVER E AMAR O QUE É BOM!

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  9. Primeira vez que vejo falar do livro e achei o nome bem incomum, não deu pra identificar de cara do que se tratava. Não fiquei muito animada com a história, talvez por que não costumo ler livros que sejam mais voltados pra culturas mais diferentes.

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  10. Ta ai, eu nunca li nenhum livro que tivesse envolvido essa cultura oriental. Mas talvez seja uma oportunidade parra isso. Uma pena isso de ele não deixar algumas perguntas explicadas e deixar só para os outros livros. Quero muito dar uma chance para a série.

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  11. Olá Michel!
    Sempre li coisas boas sobre a escrita de Murakami, acho que por isso me interesso tanto em conhecer, eu acho interessante a acultura dles espero um dia ter oportunidade de ler.
    Bjs!

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