Filme: A Última casa

22 de agosto de 2026

 

Eu comecei A Última Casa achando que estava indo assistir a outro filme. A premissa me lembrava bastante outro longa nessa mesma linha de pessoas confinadas dentro de casa, então confesso que demorei um pouco para entender que era outra história. E ainda bem, porque, apesar de ter começado esperando uma coisa, acabei encontrando um filme que gostei bastante.

A história acompanha Anne, Jason e os filhos Ruth e Graham. Tudo começa quando uma chuva aparentemente inexplicável faz com que as casas fiquem completamente herméticas. Portas e janelas não abrem, e quem está do lado de dentro precisa encontrar uma maneira de sobreviver. A casa oferece água, ventilação, energia e outras condições básicas por algum tempo, mas comida, remédios e outros recursos começam a acabar. E, enquanto algumas pessoas simplesmente não conseguem sobreviver ao confinamento, essa família encontra maneiras de se tornar autossuficiente.

O mais interessante para mim, porém, não foi exatamente descobrir o que está acontecendo com a chuva ou com as criaturas que começam a aparecer. Foi acompanhar aquelas quatro pessoas vivendo juntas durante anos, sem poder sair, sem poder fugir umas das outras e sem ter para onde ir.

Eles se amam. Isso fica muito claro. Mas amor não significa que quatro pessoas consigam passar anos confinadas no mesmo espaço sem chegar ao limite. As brigas, o cansaço, a irritação e até os momentos em que eles parecem não se suportar fazem muito sentido dentro daquela situação. E os filhos, principalmente, continuam sendo adolescentes. Não importa o tamanho da tragédia ao redor, adolescente continua tendo seus dramas, suas implicâncias e suas crises. Achei isso muito realista.

A parte de terror também funciona justamente pela sensação de aprisionamento. A ideia de estar dentro de uma casa que simplesmente não pode mais ser aberta já é assustadora por si só. Depois, quando começam a surgir as criaturas e eles percebem que existe algo muito maior acontecendo do lado de fora, o filme ganha outra dimensão. Primeiro surgem algumas explicações, depois outras, e essa incerteza contribui para deixar tudo ainda mais estranho.

E preciso falar do Wagner Moura. Gostei muito da atuação dele. Já assisti a outros trabalhos dele fora do Brasil em que tive a impressão de estar vendo sempre a mesma interpretação, mas aqui não. Jason é um personagem cheio de camadas, e o Wagner consegue transmitir muito bem o desgaste, o medo, a irritação, o amor pela família e, principalmente, o peso de passar anos preso naquela situação. Para mim, foi o grande destaque do filme.

A Última Casa é um filme estranho, e acho que ele precisa ser um pouco estranho para funcionar. Não é um terror daqueles que dependem apenas de sustos, nem é exatamente um filme sobre as criaturas que estão tomando conta do mundo. No fundo, é muito sobre sobrevivência, confinamento, família e até onde uma pessoa consegue aguentar quando não existe nenhuma possibilidade de simplesmente ir embora.

Eu esperava outra coisa quando comecei, mas terminei gostando bastante. Não foi perfeito, e algumas coisas poderiam ter sido mais exploradas, mas a história me prendeu e a atuação do Wagner Moura fez muita diferença para mim.

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