A Cidade de Bronze - S. A. Chakraborty

19 de janeiro de 2026


Título:
A Cidade de Bronze
Autor: S. A. Chakraborty
Páginas: 608
Ano: 2018
Editora: Morro Branco
Gênero: Fantasia, Ficção, Jovem adulto, Literatura Estrangeira 
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:   
Sinopse: Cuidado com o que você deseja. Nahri nunca acreditou em magia. Golpista de talento inigualável, sabe que a leitura de mãos, zars e curas são apenas truques, habilidades aprendidas para entreter nobres Otomanos e sobreviver nas ruas do Cairo. 
Mas quando acidentalmente convoca Dara, um poderoso guerreiro djinn, durante um de seus esquemas, precisa lidar com um mundo mágico que acreditava existir apenas em histórias: para além das areias quentes e rios repletos de criaturas de fogo e água, de ruínas de uma magnífica civilização e de montanhas onde os falcões não são o que parecem, esconde-se a lendária Cidade de Bronze, à qual Nahri está misteriosamente ligada. 
Atrás de seus muros imponentes e dos seis portões das tribos djinns, fervilham ressentimentos antigos. E quando Nahri decide adentrar este mundo, sua chegada ameaça recomeçar uma antiga guerra. 
Ignorando advertências sobre pessoas traiçoeiras que a cercam, Nahri embarca em uma amizade hesitante com Alizayd, um príncipe idealista que sonha em revolucionar o regime corrupto de seu pai. Cedo demais, ela aprende que o verdadeiro poder é feroz e brutal, que nem a magia poderá protegê-la da perigosa teia de intrigas da corte e que mesmo os esquemas mais inteligentes podem ter conseqüências mortais.


Resenha:

Por onde eu começo... Eu amo fantasias, esse é provavelmente o meu estilo de literatura favorito, então posso dizer que eu estava com altas expectativas desse livro!

As expectativas estavam altíssimas, e todas foram atendidas! Tem tudo o que eu queria: magia, tapetes voadores, cultura islâmica – com algumas adaptações, mas para quem conhece a religião existe muitas referências. – e original do oriente médio, personagens místicos e misteriosos. Amor, lealdade e ainda muito mais.




Normalmente os livros de fantasias utilizam as influências da cultura eurocêntrica, mais ainda centralizada na cultura celta e grega, alguns poucos adaptam os mitos nórdicos. E raramente vejo o uso das demais mitologias que temos.

Por esse detalhe eu fiquei tão feliz de saber que esse livro tem como mitologia básica o oriente médio. 

Nahri, Dara e Ali são os personagens principais do livro, porém apenas Nahri e Ali, possuem capítulos com os seus pontos de vistas, é através dos dois que vamos acompanhar a história, e conhecer todos os segredos enterrados nas areias misteriosas do deserto dos Daevas e Djinns. Desde a sua criação ao mito do gênio da lâmpada.

Nahri é uma órfã, que cresceu nas ruas do Cairo, em pleno século XVIII, ela não confia nas pessoas e não acredita em magia, mesmo que viva utilizando as crenças das pessoas para sobreviver, uma golpista e ladra talentosa, ela vive enganando, realizando rituais “sagrados”, e arrancando assim o dinheiro que necessita para realizar o seu sonho: aprender medicina. Isso porque o seu grande dom é a cura.

“- Você é jovem – disse o farmacêutico, em voz baixa, – não tem experiência com o que acontece com pessoas como nós durante uma guerra. Pessoas que são diferentes. Deveria manter a cabeça baixa. Ou melhor ainda, partir.”

Então em um desses rituais, ela resolve que seria bom cantar em uma língua que somente ela conhece, que acredita ser a sua língua nativa. Veja bem, ela está em um ritual de exorcismo de um djinn, que aparentemente está possuindo uma jovem.

Logo após o ritual enquanto ela vai embora, a jovem que estava possuída surge no cemitério, e bom, ela realmente estava possuída...

Muitas coisas acontecem, e para salvar Nahri, surge um ser misterioso, poderoso e belíssimo. Dara a resgata e a leva em uma jornada para a cidade de bronze. Daevabad.

Nessa jornada, Nahri descobre alguns dos mistérios do seu passado e origem, e descobre principalmente que magia não somente existe,  faz parte do seu legado.

Dara é um Daeva, e está ligado à jovem, enquanto ambos lutam por suas vidas, um elo entre eles é forjado. 

No outro ponto de vista da historia temos o jovem Ali, segundo filho do rei djinn, é através dele que conhecemos como funciona o mundo dos djinns, sua política a luta de classe e os complexos movimentos em busca de poder na cidade de bronze.

Quando as vidas de ambos se unem na trama já na cidade de bronze que podemos apreciar o quão eles parecem terem sido destinados a se encontrarem.

Existe muitos segredos e para sobreviver na cidade que deveria ser o seu refugio Nahri deverá descobrir quem ela é realmente, o que deseja para si e em quem confiar.

“- Achei que honestidade fosse uma virtude.– Nem sempre.”

Nahri, Dara e Ali, são personagens complexos e cheios de magia, e representa lados diferentes de uma mesma história, o que achei fascinante.




Esse é o primeiro livro da trilogia, e por temos apenas a base da história, é uma trama de fantasia muito bem escrita, onde temos um paralelo com a realidade muito forte, não somente de perigos mágicos Nahri, precisa enfrentar e sim, jogos sujos de políticos corruptos, preconceitos e racismo. Infelizmente tão reais e tão conectados com a nossa realidade. A autora soube, desenvolver muito bem uma trama complexa e rica.

“Era um puro-sangue. Seria preciso muito mais do que bronze líquido para feri-lo.”

Os acontecimentos são um intricado quebra cabeça que leva para um clímax final que me deixou atordoada, eu não esperava aqueles acontecimentos e revelações, apesar de que algumas dicas terem sido dadas ao longo do livro, algumas que eu já estava imaginando que seriam importantes, porém reunidas, criaram um final que me surpreendeu e me deixou desejando continuar a leitura dos próximos...

Indico para todos que gostam fãs de fantasia e de tramas elaboradas e políticas. Um livro repleto de mistérios, de uma cultura riquíssimas, um livro que aborda temas tão importantes como a luta por direitos iguais para todos.




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