A Guerra que Salvou a Minha Vida - Kimberly B. Bradley

5 de fevereiro de 2019


Título: A Guerra que Salvou a Minha Vida
Autor: Kimberly B. Bradley
Páginas: 240
Ano: 2017
Editora: Darkside Books
Gênero: Romance
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:  
Sinopse: Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.

Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.

Essa é uma das belas surpresas do livro: mostrar a guerra pelos olhos de uma menina, e não pelo ponto de vista de um soldado, que enfrenta a fome e a necessidade de abandonar seu lar. Assim como a protagonista, milhares de crianças precisaram deixar a família em Londres na esperança de escapar dos horrores dos bombardeios.

Vencedor do Newbery Honor Award, primeiro lugar na lista do New York Times e adotado em diversas escolas nos Estados Unidos..

Resenha:

"Ela teve a chance que Anne Frank não teve."

Não vejo outra forma de começar essa resenha que não seja transcrever parte da primeira página do livro...

""Ada! Sai dessa janela!" A voz da Mãe gritando. O braço da Mãe agarrando e puxando o meu, de modo que tombei da cadeira e desabei com força no chão. "Só estava dando um oi para o Stephen White." Eu sabia que não valia a pena responder, mas às vezes a boca era mais rápida que o cérebro. Naquele verão, eu viraria uma combatente. A Mãe me bateu. Forte. Minha cabeça acertou a perna da cadeira e, por um instante, eu vi estrelas. "Não quero você falando com ninguém!", disse a Mãe. "Eu só te deixo ficar nessa janela porque tenho bom coração, mas ponho uma tábua aí se inventar de enfiar o nariz pra fora, que dirá se ficar de papo com os outros!" "O Jamie está lá fora", falei. "E por que não estaria?", disse a Mãe. "Ele não é aleijado. Não é que nem você."

 Preciso dizer que já iniciei a leitura derramando baldes de lágrimas?


Ada é uma garota inglesa, que vive em Londres com sua mãe e Jamie, seu irmãozinho mais novo, na época em que Hitler invade a Inglaterra. Ela e seu irmão não tem ideia da correta idade deles e apenas o Jamie frequenta a escola. O motivo para isso é que sua mãe não aceita o fato de ter Ada ter nascido com o pé torto (algo que seria tranquilamente corrigido se tratado no tempo certo) e a trancafia dentro de casa por vergonha da filha. E quando falo em trancafiar, não é no sentido metafórico não... Ada vive mesmo trancada em casa, faz suas necessidades em um balde que fica num canto da casa e que a Mãe só permite que seja esvaziado quando transborda com as necessidades da menina. A cada "atrevimento" da menina, sua Mãe a coloca dentro de um armário como forma de castigo.

"O armário ficava debaixo da pia. Às vezes o cano pingava, por isso ele estava sempre úmido e fedido. E o pior, tinha baratas ali. Eu não me incomodava tanto com as baratas em outros lugares. Podia esmagá-las com uma folha de papel e jogar o corpo pela janela. No armário, no escuro, não dava para esmagar. Elas se amontoavam em cima de mim. Teve uma que entrou rastejando na minha orelha."

Por conta de todo esse sofrimento, Ada desconhece completamente o sentido de amor, família, respeito, cuidado. Mas ela resolve aprender a andar sozinha e isso acaba sendo sua salvação pois Hitler invade a Inglaterra e as crianças são colocadas em um trem e enviadas para o interior, numa tentativa de afastá-las da guerra. E Ada só consegue entrar naquele trem pq aprendeu a se arrastar pelas ruas e foge de casa sem que sua mãe saiba... foge e leva Jamie com ela. No interior, eles são entregues aos cuidados da Srta. Smith, uma solteirona sem nenhuma experiência em cuidar de crianças.

A partir daí, começa a luta de nossa pequena protagonista para sobreviver e um novo aprendizado: o de entender que ela é um ser humano, uma criança que merece amor e respeito... não será fácil para ela se adaptar à nova realidade, pois assim como a Srta. Smith, ela precisa aprender a conviver com pessoas além do seu irmão, mas ao acompanharmos a história, nos vemos frente a frente com muitos momentos de emoção, de dor, de alegria, de superação... as lágrimas são garantidas do começo ao fim.

"Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. (...) "Então, agora estamos quites."


7 comentários

  1. Esse livro é maravilhoso! Amei a sua resenha amiga 😍😍👏👏👏👏

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  2. Oi Fabi,
    Ah, como não se emocionar, não imagina como tenho vontade de ler os livros. A autora deve estar orgulhosa, não vi se quer uma opinião negativa sobre sua história, e nem poderia nao é?
    Eu tenho até um pouco de medo da leitura, só de ler o texto e o que aconteceu com a protagonista já me emociono, imagine com a leitura completa..
    Beijos

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    1. Olá!!!! Menina, prepare os lenços pq emociona mesmo!!!!

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  3. Já fiquei emocionada só lendo a resenha, imaginei como foi para Ada ter que sobreviver em meio ao caos e ainda sem o pilar da mãe. Mas a força dela é uma coisa linda de se ver, como ela conseguiu seguir em frente e sem deixar o Jamie pra trás. Com certeza vou ler

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    1. Oi Lu, bom dia!!!!!
      A Ada é uma guerreira, uma heroína... o amor dela pelo Jamie é o que a segura emocionalmente, sabe? É linda a união dos dois....
      Leia e depois me conta, tá bom?

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  4. Primeiro que Darkside arrasa em sua edições e depois que essa história parece ser bem tocante, já emociona na resenha.

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