Orangotango Marxista - Marcelo Rubens Paiva

14 de janeiro de 2019

Título: Orangotango Marxista
Autor: Marcelo Rubens Paiva
Páginas: 112
Ano: 2018
Editora: Alfaguara
Gênero: Literatura Brasileira
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:   
Sinopse: Neste livro bem-humorado, Marcelo Rubens Paiva lança um olhar irônico sobre nossa própria sociedade e aborda uma questão fundamental: o que nos torna humanos.
O personagem desta história não é humano, mas é próximo de nós. Ele é um orangotango, mas não um orangotango qualquer. Capturado numa selva no Bornéu, separado da mãe ainda criança, foi enviado a um laboratório no interior de São Paulo, onde teve seus comportamentos estudados por uma tímida bióloga. Primeiro, aprendeu os princípios da linguagem de sinais. Depois, aprendeu a ler, à noite, sem que seus vizinhos de cela, ou os humanos ao seu redor, se dessem conta disso.
Tomou conhecimento dos grandes filósofos. Considerava-se um darwinista, que depois se transformou num marxista. Movido por um acesso de ciúmes, é transferido para um zoológico na região, onde convive com outros símios e, aos poucos, descobre a possibilidade de dois novos prazeres: a liberdade e o amor. Descobrirá, também, que o caminho para isso é a revolução.


Este livro foi cedido pela Editora ALFAGUARA, porém as opiniões são completamente sinceras. Não sofremos nenhum tipo de intervenção por parte da Editora. 




Resenha: Após uma breve e apressada leitura na sinopse deste livro, o escolhi achando que seria uma coisa, mas recebi outra. Orangotango Marxista, pra mim, seria alguma alegoria para um tipo específico de pessoa ou grupo, porém logo nas primeiras páginas percebi que estava redondamente enganado.

O livro, tal como seu título deixa claro, conta a história de um orangotango. Não um simples orangotango que solta beijinhos no ar e carícias em seus semelhantes, não. O nosso orangotango veio da ilha Bornéu, na Ásia, até uma pequena cidadezinha interiorana de São Paulo, para ser estudado por cientistas da área da sociobiologia.

Dentre os cientistas desse projeto, Kátia se destaca com o nosso herói, por possuir uma paciência toda especial para ensiná-lo a se comunicar por gestos. Após várias tentativas e acertos com exercícios básicos para testar a inteligência do macaco, o orangotango passa a exercitar secretamente a sua tamanha inteligência, lendo livros e outros escritos que se encontram no laboratório. De religião até a filosofia, mas não deixando de passar por quadrinhos do Batman, que lhe ofereceram toda uma visão peculiar e minimalista do mundo, o orangotango expandiu seu conhecimento à cada noite que era deixado sozinho no laboratório, livre para explorar o que quisesse.

Se juntarmos um macaco adolescente com uma visão própria do mundo e cheio de conhecimento com o fato dele estar apaixonado pela sua própria treinadora, acho que fica claro que as coisas começam a desandar, certo? Quando o orangotango percebe que possui sentimentos por um ser humano, sua vida passa a tomar rumos jamais imaginados após determinadas escolhas terem sido feitas.

Orangotango Marxista não é um livro a ser levado cem por cento a sério. Leia de cabeça aberta, ou as primeiras páginas, que demonstram um macaco quase niilista conversando com o leitor sobre seus devaneios referentes à nossa sociedade, podem estragar a experiência. Até porque, um dos pontos altos do livro é ver o quão repetitivos e quase irracionais somos mediante às nossas escolhas cotidianas, nossa forma de nos comportarmos como, literalmente, animais sociáveis, que vivemos no topo em relação às outras espécies, mas que inconscientemente não conseguimos perder costumes comparáveis aos nossos semelhantes com menor inteligência. O nosso símio favorito não vai pegar leve só porque você é o leitor, e o tempo inteiro te lembrará sobre o mal que sua espécie faz apenas em estar viva.

Paralelo à isso, o livro também traz ótimas informações sobre a fauna em geral. Mais de uma vez me peguei parando a leitura para pesquisar sobre um animal que jamais tinha ouvido falar antes. Também aprendi que “macaco” é um termo muito resumido para designar animais fantásticos como gorilas, saguis, macaco-aranha, orangotangos e micos. Não sei se a intenção do autor era essa, mas após a leitura, senti a dor de saber que animais magníficos passam por perigo de extinção.

De uma leve leitura, com um estruturado começo-meio-fim, Orangotango Marxista consegue facilmente trazer o sentimento de carisma pelo protagonista. Apesar dele parecer presunçoso e um tanto soberbo frente ao conhecimento que adquiriu, é impossível acompanhar sua tragédia quase cômica e não torcer para que ele alcance sua revolução, que deixaria Major, de Revolução dos Bichos, cheio de orgulho.

3 comentários

  1. Olá! Não conhecia o livro, mas achei bem interessante a proposta do autor, a principio, também fiquei com uma impressão completamente equivocada em relação à história, lendo a resenha deu para perceber que é uma leitura bem rápida e diferente, dá até para intercalar durante aquela leitura mais pesada.

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  2. Olá, Michel!
    Não conhecia o livro nem o autor, mas depois da sua resenha já botei na minha lista de livros! Parece ser muito criativo, além de retratar de um assunto importante abordado em forma de analogia, fazendo uma grande crítica social nos dias de hoje.
    Sua resenha me convenceu hahaha
    bjs

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  3. Oi Michel,
    Confesso que achei a história um pouco confusa, mas curiosa ao mesmo tempo. Mesmo que ao se deparar com a resenha, eu também esperasse uma reflexão maior, senti que nas entrelinhas o autor conseguiu fazer isso!
    Também acho que deve ser lido se mente aberta, principalmente pela relação amorosa que parece existir.
    Gostei, quero ler!
    Ah, acredita que não sei diferenciar as espécies de macacos? Também acho bacana chamar a espécie pelo nome real.
    Beijos

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