Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Hank Green

7 de dezembro de 2018

Título: Uma Coisa Absolutamente Fantástica
Autor: Hank Green
Páginas: 384
Ano: 2018
Editora: Seguinte
Gênero: Ficção (Científica)
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Submarino
Nota: 
Sinopse: Enquanto volta para casa depois de trabalhar até de madrugada, a jovem April May esbarra numa escultura gigante. Impressionada com sua aparência — uma espécie de robô de três metros de altura —, April chama seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição e postar no YouTube. No dia seguinte, a garota acorda e descobre que há esculturas idênticas em dezenas de cidades pelo mundo, sem que ninguém saiba como foram parar lá. Por ter sido o primeiro registro, o vídeo de April viraliza e ela se vê sob os holofotes da mídia mundial.Agora, April terá de lidar com os impactos da fama em seus relacionamentos, em sua segurança, e em sua própria identidade. Tudo isso enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas — e o que querem de nós. Divertido e envolvente, o livro de estreia de Hank Green trata de temas muito relevantes nos dias atuais: como lidamos com o medo do desconhecido, e principalmente, como as redes sociais estão mudando conceitos como fama, retórica e radicalização.

Este livro foi cedido pela Editora Seguinte, porém as opiniões são completamente sinceras. Não sofremos nenhum tipo de intervenção por parte da Editora. 

Resenha:

É realmente uma coisa absolutamente fantástica esse livro ter sido a primeira ficção científica (pelo menos eu considero uma porque envolve robôs e possíveis coisas do espaço) que eu de fato gostei. Sério. O primeiro que eu consegui chegar até o final (entendam isso como uma enorme vitória, dado o gênero em questão), que eu achei legal e gostei da leitura. Estou embasbacada. E esses são os motivos para isto:

1. Os diálogos: e aqui eu preciso dar um salve para a pessoa responsável pela tradução porque sem ela isto jamais teria acontecido. As conversas são super atuais e naturais. Os personagens falam como pessoas de verdade e ainda por cima pessoas da idade deles. Tem gírias e marcas de linguagem que são muito contemporâneas e que eu inclusive uso. Isso deixou tudo muito mais humano e eu preciso dizer que meu coração ficou mais feliz. A personagem principal tem 23 anos e ela conversa como uma jovem de 23 anos. Não pegaram a voz de uma pessoa de 70 e colocaram nela. Ela tem sua própria voz. Por causa disso, o livro fluiu bem mais fácil, porque as falas eram tão naturais que desviamos nosso foco principal para toda a questão alienígena e não natural.

2. A presidentA. Dos Os Estados Unidos. Eu sei que isso não é de longe o foco, mas eu amei tanto esse fato que me fez dar uma moral maior para a história. Um país como os EUA terem uma presidente mulher é um avanço muito grande para a humanidade, e um avanço que eu espero estar viva para ver.

3. As pessoas. Pensa só, na grande maioria das ficções científicas que existem por aí os personagens são sempre muito inusitados. Muitas vezes eles não são nem humanos, ou então são super cientistas, pessoas que trabalham na NASA, astronautas ou alguma coisa nesse sentido que ninguém NUNCA se identifica porque, bem, eles meio que não existem. Nesse livro, a April (e todos os outros personagens) são pessoas comuns, que tem trabalhos comuns e vidas comuns. Ela trabalha em uma Start-Up, tem problemas em seu relacionamento com Maya (e quem não os tem não é mesmo?) e Andy, seu melhor amigo, tem um Podcast de coisas nerds. São todos tão humanos que impressiona.

4. April. Isso tem a ver com o tópico anterior, mas ela merece um só para ela. O que dizer de uma pessoa que a gente tem vontade de gritar as vezes por fazer escolhas tão ruins, que ficamos com raiva, que tem hora que queremos abraçar e confortar? Bom, podemos dizer que somos nós. Ela representa cada um de nós. Fora o fato de que ela toma umas decisões as vezes que dá vontade de entrar no livro e sacudir seus ombros até que ela acorde pra vida.

5. O Sonho. Honestamente, um sonho compartilhado entre todas as pessoas não é uma coisa sensacional? E é ainda melhor quando dentro dele tem vários enigmas que precisam resolver em conjunto. Um ótimo jeito de unir a humanidade, Carl.

6. O Youtube. De fato, a história é muito contemporânea. Ela não determina a data exata em que se passa, mas só de ver April e Andy se tornando Youtubers MUITO famosos já dá pra gente adivinhar que não se passa no século XIX não é mesmo amigos? Eu acho que esses elementos atuais tornam a história mais próxima da gente e toda a parte da ficção científica mesmo (o aparecimento de um robô de mais de 3 metros literalmente do nada em 64 cidades do mundo) ainda mais evidente. Tudo fica mais louco porque acontece em um mundo que poderia muito bem ser o nosso (tem a ver com o tópico 3, de ter pessoas reais) então a ficção se torna ainda mais ficção. Dá pra entender?

7. A radicalização. MEU DEUS. Em determinados momentos do livro eu achei que Hank Green estava falando sobre nossa querida sociedade. Extremismos de todos os lados, todos mesmo. Em vários momentos da leitura eu tive que parar e ler over and over again, querendo copiar cada trecho e gritar para o mundo. Vai um de brinde pra vocês então interpretem da maneira que quiserem, serve pra todo mundo em todos os países do mundo (sério):

"Eu já tinha ouvido tudo aquilo antes, e sabia que aquela linha de argumentação funcionava. Se você disser às pessoas que estão sendo atacadas por causa daquilo em que acreditam, de repente elas querem defender suas crenças, mesmo que nem acreditassem totalmente antes. É bem impressionante na verdade". 
Sim April, é bem impressionante.

7. A narração. April que conta sua história, em primeira pessoa, e o jeito como ela conversa com a gente (leitor) é muito legal. Ela faz uns comentários muito engraçados e ela xinga ela mesma de um jeito que nos sentimos super por dentro da história. Ela consegue nos envolver e nos prender até o final, criando tudo na hora certa, a comédia, a aflição, o suspense. A leitura flui rápido e é muito dinâmica.

Acho que é isso. Resumi tudo em 8 tópicos. Espero que possam existir mais ficções científicas como essa, porque aí sim eu entro de cabeça nesse gênero. O resumo da história está na sinopse e se quiser mais detalhes vai ter que ler o livro ;)

P.S. Ahhh, eu esqueci de comentar que durante a leitura descobri que o Hank Green é irmão do John Green. Fiquei muito chocada, eles não poderiam ser mais diferentes.

7 comentários

  1. Tô quase no final e eita livro legal esse né. Também adorei o jeitinho e esses tópicos que falou. O fato de ter uma presidente mulher, o fato de pegar o lado humano, as redes sociais, YouTube e vídeos e toda a comoção das pessoas com esse meio e o por trás disso. Ah é tanta coisa interessante. O sonho foi o mais legal. Um sonho que todo mundo tem e cheio de mistérios pra resolver é demais. Ficou uma ideia muito boa. Me surpreendi com o autor. Bem nerd e divertido ler essa história.

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  2. Oi Maíra, tudo bem? Não sei o que faltou nessa história que me interessasse à leitura. Achei a sinopse bacana e parece ser uma história capaz de envolver, mas não revelou aquele super desejo de leitura.
    Beijos, Adri
    Espiral de Livros

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  3. Olá Maíra!
    Estou surpresa com a resenha pois me identifiquei pacas com a sua opinião sobre o gênero. Eu também não curto ficção cientifica, sinto exatamente esse distanciamento da história que você falou e não consigo me identificar. MAS com tanta exaltação desse livro eu confesso que fiquei com muita vontade de ler. Por ser a obra de estreia do autor e ele sendo irmão de quem é imagino a pressão que Hank sofreu, mas tenho certeza que ele fez jus ao legado da família Green. Já adicionei o livro na lista de desejados.
    Beijos

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  4. Olá! É bacana, que mesmo se tratando de uma história de ficção cientifica, o autor conseguiu trazer um livro com uma leitura mais fácil e até mesmo aqueles que não curtem muito o gênero, podem se aventurar, além disso, ele também conseguiu inserir a história na realidade que vivemos hoje, onde as redes sociais ampliam nossas diferenças, e a busca pela fama e poder podem destruir valores, conceitos e até mesmo vidas. Acho fundamental essa crítica à política, temos muito o que discutir e refletir sobre a situação atual do mundo onde vivemos. O sobrenome já havia chamado minha atenção, interessante que eles escrevem assuntos bem diferentes, fiquei curiosa para conhecer mais sobre a história.

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  5. Oi, Maíra!!
    Apesar de gostar muito de ficção científica não leio tanto assim esse tipo de gênero. Mas gostei da ideia do Hank Green colocar na história um assunto tão atual que é Youtubers e como as redes sociais tem tornado pessoas
    desconhecidas em celebridades rapidamente. E achei super bacana ele trazer um personagem desse tipo para a história. Enfim, estou bem curiosa para conhecer mais sobre esse livro.
    Bjos

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  6. Olá, eu realmente não sei em que mundo eu estava por deixar passar essa obra de estreia do irmão de John Green (irmãos Green? Ok, parei). A obra conta com uma premissa extremamente chamativa e o fato de contar com diálogos atuais só a torna ainda melhor, de modo que é possível se identificar tanto com os personagens quanto com o contexto de redes sociais envolvido. Beijos.

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  7. Olá, Maíra
    Desejo muito este livro pela capa e sinopse.
    Li algumas resenhas, mas a sua trouxe algumas coisas que eu não sabia como uma presidente mulher nos Estados Unidos.
    Gostei de saber que a April tem uma identidade de uma moça de 23 anos com erros e acertos.
    Quero muito ler.
    Beijos

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