Vox - Christina Dalcher

6 de novembro de 2018

Título: Vox
Autor: Christina Dalcher
Páginas: 320
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Gênero: Distopia, Ficção, Literatura Estrangeira
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota: 
Sinopse: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.

O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR

O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.

Esse é só o começo...

Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.

...mas não é o fim.

Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.

Resenha: 

"O que as meninas estudam agora? Um pouco de soma e subtração, ver as horas, saber contar o troco. Contar, claro. Devem aprender a contar até cem."

No evento da Arqueiro lá nos dias de bienal, nos foi apresentado esse livro. De cara, fiquei louca por ele, afinal, a ideia de só poder falar 100 palavras por dia é, pra mim, que falo pelos cotovelos, impossível. Acontece que não é bem assim! Não pode falar, fato! Mas as mulheres não podem se comunicar de maneira alguma. Linguagem de sinais, escrita, tudo foi tirado delas, tudo...

“Como mulheres, devemos manter o silêncio e obedecer. Se precisarmos saber de algo, perguntemos aos nossos maridos na intimidade do lar, porque é vergonhoso uma mulher questionar a liderança do homem, ordenada por Deus.”

Minhas expectativas estavam bem altas, eu estava esperando um livro muito bom e não me decepcionei. É intenso, questionador, perturbador e a única coisa que eu pensava durante a leitura era como eu ia fazer a resenha desse livro??? Sério, não é uma leitura fácil. Não é fácil de aceitar, tão pouco imaginar um mundo tão opressor quanto o que conhecemos em Vox.

"Agora as coisas são assim: temos uma cota diária de cem palavras por dia. Meus livros e revistas - até os exemplares antigos e Julia Child e (que ironia) uma publicação para donas de casa que uma amiga me deu como um presente de casamento brincalhão - estão trancados em armários para que Sonia não possa pegá-los." 

Vamos conhecer a atual realidade da Dra. Jean McClellan, uma neurocientista super respeitada que de uma hora para outra se vê silenciada pelo governo, assim, em um dia ela tinha um emprego respeitável e voz para falar e no outro, nada....nem emprego, nem voz, nem a perspectiva de que alguma mudança possa acontecer, já que o governo e a igreja agora, ditam as regras.

Bom...Seu emprego foi tirado, assim como sua voz, que foi substituída por um bracelete, que é zerado a cada início de dia, quando o contador atinge o número limite, a mulher leva um choque, dependendo de quantas palavras a mais a pessoa fala, maior o choque.

Jean tem uma filha, tão reprimida quanto ela e três filhos, que tudo podem, assim como seu marido, o banana, ops, o Patrick, ah mas é sério...o cara é um banana! O filho mais velho está aprendendo a ser um machistazinho da pior qualidade e a pobre mulher tem que ver isso tudo, quieta. Ah....ela perdeu além do emprego, os livros, o computador, o celular, enfim....A mulher existe para cuidar da casa e só!

Mas como sempre, devido aos interesses dos políticos, Jean foi chamada ao trabalho, sua pulseira retirada e quando pensamos que as coisas iam ficar boas para ela, passamos a ver quanto um governo corrupto pode atingir, moldar e mudar o ser humano e ela agora, ainda que tenha voz novamente, continua na prisão que idealizaram para todos os que pensam diferente.

"Todas aquelas casas são pequenas prisões, penso, e dentro delas existem celas na forma de cozinhas, lavanderias e quartos."

Foi uma leitura bem densa, bem difícil. Ver de forma tão crua, tão direta, o que um governo pode fazer com toda uma população é impactante. Não que eu acredite que isso possa acontecer, claro, mas ainda assim, nos dá margem para entender que nossas decisões cívicas têm sim importância, ainda que sejamos apenas um em tantos, cada um é importante, e que, de certa forma, o preconceito é sim ensinado, não vem de berço. Vemos isso de uma forma muito clara no filho mais velho de Jean que não exitou em colocar a mãe de lado como a nova sociedade ditou e no próprio Patrick, marido dela que, mesmo tendo vivido uma vida inteira da outra forma, aprendeu rapidinho a manter as coisas da esposa trancadas e as informações bem longe dela.

"- Tenha cuidado, querida. Você tem muito mais a perder do que sua voz."

Enfim, como eu falei, não sabia como falar desse livro. Queria dar infinitos spoilers para justificar tudo o que eu achei, mas infelizmente, não posso fazer isso. A única coisa que posso adiantar é que o final foi muito corrido e que nos traz um Plot twist que eu não gostei nadinha! hahahaha.....

Tirando isso, é uma "baita" de uma leitura! De verdade gente! Leiam, é perturbadora, mas maravilhosa! Tem um romance que eu não gostei... não precisava, mas isso é só a minha opinião!

6 comentários

  1. Esse tipo de história me dá nervoso. Imagina viver sob um cabresto masculino e pior dentro de sua própria casa!! Vi que vc leu a pulso hein, mas são leituras assim que no fundo nos fazem questionar nosso futuro. Pq tenho certeza que isso é o sonho de todo governo; ver uma parcela da população quieta, sem poder questionar muita coisa. Parabéns pela resenha👏👏👏

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  2. Oi, Denise!!
    Sem dúvida é uma distopia que se assemelha um pouco com os dias atuais, acho sinceramente que esse livro não está longe da nossa realidade, parece absurdo que em pleno século 21 ainda vemos que nós mulheres sofremos preconceito simplesmente por sermos do sexo feminino. E por causa disso que estou bem curiosa para saber mais sobre esse livro, e pelo que vi não vou me decepcionar quando fizer essa leitura.
    Bjos

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  3. Olá! Eita que esse livro está dando o que falar e eu é claro estou de olho nele. Adoro distopias e essa apesar dessa história estar bem longe da nossa realidade, acaba refletindo um pouco do que vem acontecendo na nossa sociedade, onde a mulher ainda é colocada abaixo em relação ao homem e muitas vezes silenciadas de maneira ainda mais brutal

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  4. Oi Denise!
    Ando lendo mto sobre esse livro, parece que veio para dividir opiniões em relação ao tema abordado, eu não entendo mto do assunto, porém sempre fico mais interessada em conhecer mais e mais ... Espero ter oportunidade de ler.
    Bjs!

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  5. Certamente esse lançamento é um dos queridinhos e polêmicos do momento, tanto pelo tema quanto pela situação política que vivemos com as eleições. Sem entrar no mérito político, esse tema é bem impactante, principalmente para nós mulheres que levamos tanto tempo para nos libertarmos das amarras de uma sociedade machista e agora livres podemos tudo. Eu imagino os mil tipos de revoltas que, se for bem escrito, com certeza iremos sentir, imaginou ter suas palavras limitadas?? nuuncaaa né? Mas enfim, tenho que contar um segredinho, fui corrento ao google para saber o que era plot twist ahahahahahaha. Agora eu pergunto, essa reviravolta não foi positiva? Não deu uma agitada na historia em si? Fiquei mega curiosa...

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  6. Oi Denise,
    Ah, estou assistindo O conto da aia, e poderia fazer várias comparações com muita coisa que citou do livro. (Inclusive, se nunca assistiu, vejaaaa)
    É sem dúvidas muito difícil, principalmente como mulher, acompanhar um enredo desses, e pior, imaginar que muitos homens adorariam ver isso acontecer, mas sabe, acho que é uma leitura obrigatória para todos; mostra bem o lado podre do ser humano, mostra como, em qualquer civilização, a corrupção existe, e não será extinta.
    Só digo uma coisa, em um universo desses, eu levaria choques e mais choques, porque não sei calar a boca kkk
    É um livro que vem deixando os leitores curiosos, espero ler em breve.
    Beijos

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