Resenha: Um diário para Jordan - Dana Kenedy

Autor: Dana Kenedy
Páginas: 288
Ano: 2010
Editora: Geração Editorial
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Americanas, Submarino, Saraiva

Sinopse: Sargento norte-americano vai para a guerra do Iraque e à noite, depois de arriscadas missões, escreve um diário para o filho que acabou de nascer. O soldado morre e quando a mãe – Dana Canedy, jornalista do The New York Times - recebe o corpo e os pertences do soldado, comove-se com o diário. Escreve uma crônica para seu jornal e o tema explode na Internet. Editoras americanas oferecem adiantamentos milionários para ela escrever sua história e Denzel Washington compra os direitos para fazer um filme. O livro está saindo no Brasil pela Geração Editorial. Uma história de amor e guerra em que, abafadas por explosões e tiros, ressoam, vindas do outro lado do mundo, as palavras ternas de um pai ao seu filho recém-nascido.
Resenha: Um diário para Jordan é a carta de uma mãe para o seu filho, onde ela fala de forma direta, sem romancear, sobre o pai que ele perdeu antes mesmo de começar a andar.
"Não quero retratar o papai como um santo, cujo exemplo você nunca deve esquecer. Ele não era. Embora fosse gentil, benevolente e leal, também podia ser mal-humorado, cabeça dura e rancoroso."
É composto também, pelos conselhos e orações de um pai para o filho que nunca conhecerá. 
Dana era uma mulher independente, estudiosa e dedicada a sua carreira. Por ser filha de militar, jurou nunca se casar com um, porém seu juramento caiu por terra quando conheceu Charles King, que além de ser militar, era amigo do seu pai e estava enfrentando um divórcio.
Eles não tinham muita coisa em comum. Charles era um oficial militar condecorado, tímido, de corpo malhado, muito preocupado com a boa forma e alimentação. Vivia de forma modesta e era muito religioso, colocando sua carreira militar acima de tudo.
Já Dana, era a editora do jornal The New York Times, vencedora do Prêmio Pulitzer, que lutava contra o peso, pois comia de tudo. Era comunicativa, impaciente, impetuosa e não acreditava no amor,
Como se isso não bastasse para deixar claro que essa relação não daria certo, eles moravam em cidades diferentes e não havia a possibilidade de mudanças devido a seus empregos.
Mas, contra todas as probabilidades, eles se apaixonaram e resolveram assumir um relacionamento sério, provando que duas almas, aparentemente nada gêmeas, poderiam vencer todas as barreiras desde que se amassem muito. Para isso, desenvolveram um esquema conturbado que, se não foi um mar de rosas, até que funcionou bem.
Porém, duas notícias vieram interromper seus planos: Charles foi convocado para o Iraque, e Dana engravidou.
"Convocado para o Iraque. Ouvi as palavras que seu pai disse, naquele inverno de 2004, mas minha mente se recusava a aceitá-las. Ele simplesmente não podia ser mandado para a batalha. Nós havíamos demorado muito para nos encontrar."
"Eu estava trabalhando no Centro nacional de treinamento em Fort Irwin, na Califórnia, durante quarenta dias, quando sua mãe soube. Acredite em mim, entrei em choque total e não acreditei quando sua mãe me disse que estava grávida. Obrigado, meu Deus."
A partir daí o livro descreve o dia a dia de Charles, que agia como um pai para os soldados sob o seu comando. Por temer não conseguir voltar com vida da guerra no Iraque, resolveu escrever um diário para o filho, dando conselhos sobre tudo: como evitar decepções, como agir com seus adversários, e até mesmo como se comportar num encontro amoroso.
"Seja modesto em relação às suas realizações, trabalhe mais do que o colega ao seu lado, está tudo bem se os meninos choram. Algumas vezes, chorar pode liberar muita dor e estresse. Nunca tenha vergonha de chorar. Não tem nada a ver com a sua masculinidade."
Ele terminou o diário dois meses antes de sua morte, durante uma licença em casa, onde conheceu seu filho, ficando quase sem dormir de tão apaixonado pela criança.
Também escreveu sobre sua vida como soldado, como quando encontrou o corpo do cabo Robbie Light de vinte anos, tendo uma esposa grávida em casa.
Ficou tão abatido com o ocorrido com seu soldado que mandou o diário pelo correio, pois temia o que poderia acontecer com ele.
"Sei que você já deve ter recebido as más noticias. Era algo que eu não queria ter vivido. Esses dois meses tem sido bastante difíceis. Mas esta semana foi a mais penosa de todas. Mal posso começar a lhe contar. Hoje foi um dia muito duro para a minha companhia. Foi o velório de um de meus soldados, morto em ação."
Seus temores se concretizarem em 14 de outubro de 2006. Aos quarenta e oito anos, foi morto quando um aparato explosivo improvisado detonou embaixo do seu veículo blindado, faltando apenas um mês para ser dispensado e voltar para casa, para sua esposa e seu filho, Jordan, com sete meses de idade.
Dana relata sua busca por respostas sobre a morte do marido. Não ficou satisfeita com a versão oficial do exército a respeito do que aconteceu, e foi em busca da verdade. Estudou  os relatórios de operações do batalhão e conversou com os homens que haviam estado com Charles no seu último comboio e seus superiores.
No final, ela conseguiu um relato de como foram seus últimos dias no batalhão e como ocorreu a morte dele.  A verdade foi mais difícil de encarar, do que a história romantizada que lhe contaram, mas comprovou a decência e a coragem desse soldado guerreiro, e pai amoroso.
"Farei tudo o que puder para ser o melhor exemplo de um homem negro forte, física, mental e espiritualmente.
Missão Cumprida."

 Foi uma leitura emocionante! Um diário para Jordan é a apresentação carinhosa de um pai desconhecido para o filho feita por sua mãe, e é também um amoroso adeus!
Ler sobre a formação de um casal tão improvável me deu a esperança de que tudo é possível, quando se tem um propósito em comum e quando o amor é o combustível utilizado.
O fato de ser uma historia real só contribuiu para me emocionar mais. Porque não se tratava de retratar pessoas perfeitas vivendo uma historia de amor, e sim pessoas como nós, imperfeitas, mas com virtudes e valores que compensavam seus defeitos e falhas.
Charles era um homem de valor e suas palavras para o filho são tão cheias de amor e sabedoria, que ficaram gravadas em meu coração.
Nem tudo foi um mar de rosas e me irritei muito com Charles quando ele não estava presente no parto do próprio filho, pois ele sempre colocava o dever acima de si mesmo e da família.
Mas derramei litros de lágrimas com a sua morte, mesmo sabendo da mesma desde o começo do livro. Talvez por que quem nos conta seja uma viúva com o coração partido.
Me solidarizei com Dana quando o governo camuflou a verdade sobre a morte de seu marido, e comecei a pensar em cada soldado mandado para longe de suas famílias, vivendo muitas vezes em condições sub-humanas, sem saber o que o próximo dia lhes trará ou se verão seus entes queridos novamente. Acima de tudo, me fez questionar quantas famílias recebem a verdade junto com os restos mortais de seus filhos ou com a ausência destes.
Este livro é um comovente lembrete do preço, em vidas humanas, que nos é cobrado pela guerra.

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