Condenada - Chuck Palahniuk

Título: Condenada, 1
Autor: Chuck Palahniuk
Páginas: 304
Ano: 2013 - Edição 1
Editora: LeYa
Gênero: Ficção Científica - Fantasia - Literatura Estrangeira
Skoob
Onde Comprar: Saraiva
Nota:   
Sinopse: A filha de uma estrela de cinema narcisista e de um bilionário, Madison, é abandonada em uma escola interna na Suíça durante o Natal enquanto seus pais estão divulgando seus novos projetos e adotando mais órfãos. Ela morre de uma overdose de maconha – e a próxima coisa que sabe é que está no inferno. Madison compartilha sua cela com um grupo heterogêneo de jovens pecadores que é quase bom demais para ser verdade: uma líder de torcida, um atleta, um nerd, e um punk, unidos pelo destino para formar a versão “six-feet-under” do filme favorito de todos. Madison e seus amigos caminham através do Deserto de Caspas e escalam a Montanha Traiçoeira de Unhas para enfrentar Satanás em sua cidadela. Todos os doces, que servem como moeda no inferno, não poderão comprá-los.

Ficção Científica com grandes doses de Fantasia não são muito a minha praia, mas depois de muito ouvir o mozão falar sobre Condenada, fiquei curiosa. Então fizemos um acordo, ele criaria uma resenha que me fizesse sentir vontade de ler, então eu pensaria no caso. Injusto, não é? Mas o resultado está aqui embaixo e se você curte esse tema, te adianto que será impossível não sentir vontade de ler esse livro...  (Jessica aqui)!

Resenha por Michel Brites:

Sou um grande fã de Chuck Palahniuk e o conheci através do filme Clube da Luta. Também confesso que vi o filme centenas de vezes, uma atrás da outra, a ponto de achar todos os frames onde Tyler aparece aleatoriamente (sim, também fui trollado com o frame do pênis no final do filme) e é óbvio que fui atrás do livro pra saber um pouco mais sobre a obra que gerou esse filme incrível.

Minha reação ao pausar frame a frame depois do final de Clube da Luta
Não preciso dizer que comi página por página e em menos de uma semana me senti desolado por ter terminado tão rápido, né? E foi nesse desespero que busquei outros livros desse magnífico autor.

Condenada conta a história de Madison, uma garota fora dos padrões, filha de pais tão estúpidos quanto uma porta. Devido algumas más decisões, Madison acabou morrendo e indo direto ao inferno. O livro basicamente conta a aventura da menina passando a vida eterna no quintal da casa do Satã, e ela jura de pés juntos que sua psoríase foi o único motivo de não ter sido aceita no paraíso.

Acredito que, se você leu até aqui, já entendeu que não veremos filosofias niilistas ou incríveis choques de realidade que nos farão repensar sobre nossas vidas insignificantes, então se você conheceu A Condenada depois de ter lido Clube da Luta ou visto o filme, é importante ter a mente aberta e entender que a criatividade do autor transborda a ponto de não ter quase nenhum compromisso com a realidade. Aqui, a fantasia sobressai acima de qualquer outra coisa.

Durante essa aventura, Madison conhece outros jovens igualmente esquisitos, com manias estranhas e vícios que são quase como uma assinatura de cada um. O grupo então fica composto pela protagonista, uma animadora de torcida, um atleta, um nerd e um punk e eles se juntam para enfrentar a eternidade enquanto condenados.

Incrível Fanart de Madison Spencer, líder do grupo improvável de adolescentes problemáticos do Inferno.
Ilustração feita por Melissa Morgan
Particularmente, é muito difícil escrever sobre uma ideia tão pré estabelecida quanto o Inferno sem cair na mesmice de imaginar uma porção de terra com rios de lava e demônios com chifres, rabos pontudos e tridente. Porém, Chuck conseguiu ser original em retratar o inferno, mostrando castigos em ciclos eternos e lugares perturbadores, mas ao mesmo tempo com uma pitada de humor, tal como uma montanha feita de unhas cortadas ou um mar feito de esperma desperdiçado de toda masturbação humana.

Também há uma descrição sobre os tipos de demônios que lá residem que com certeza prenderia a atenção de qualquer fã de Divina Comédia. O que incomoda, na minha humilde opinião é que o autor poderia se aprofundar mais nesse quesito. Entretanto, Chuck dá uma pincelada sobre como ocorre o percurso da alma vindo da Terra até o inferno, e eu achei incrível, mas nada tão explorado assim.

A menina Madison foi criada com bastante cuidado, e o autor fez questão de demonstra-la tão humana quanto poderia nesse livro surreal, colocando de forma nua e crua assuntos que certamente muitas adolescentes passam, tal como a masturbação, a paixão platônica e a compreensão sobre ser uma menina fora dos padrões estéticos que muitas vezes precisará de subterfúgios para driblar esse problema. E, se quer saber, eu acho louvável quando um autor consegue convencer que uma personagem feminina é humana e real, mesmo sem ter vivenciado a experiência e os dilemas femininos.

A atmosfera do livro varia um pouco, da comédia surreal e sarcástica à postura revoltante e crítica. Novamente veremos Chuck se opondo ao consumismo, e ao conhecer os pais estúpidos de Madison, com certeza você terá uma visão diferente quanto a exaltação de artistas e ao sonho americano de ser rico e fútil. Sério, poucas coisas me irritaram tanto quanto esse casal de palermas, mas não vou citar seus feitos. Prefiro que você leia e sinta vontade de socar a parede por si, e não por algo que eu tenha citado.

No geral, a leitura é suave e fluída. Não lembro de ter empacado em nenhuma parte. O livro passa longe de palavras rebuscadas, e é fácil entender os diálogos, até porque, em grande parte são adolescentes conversando. Talvez uma ou outra referência à cultura pop passe despercebida, mas nada que vá influenciar na sua experiência com a leitura. Apesar do claro teor adulto, uma pessoa mais jovem entre os seus 15 à 18 anos consegue facilmente ler, e presentear alguém nessa idade (ou se presentear) com um livro tão irreverente é uma ótima ideia.

Sendo assim, Chuck Palahniuk não deve ser conhecido somente por uma obra. Condenada merece um lugar no pódio, bem do lado de Clube da Luta! E não se esqueça, essa série de livros é uma trilogia, e o segundo, Maldita, já foi lançado.

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