A Torre do Amor - Eloisa James

18 de outubro de 2018

Título: A Torre do Amor – Série Contos de Fadas – Livro 04
Autor: Eloisa James
Páginas: 352
Ano: 2018
Editora: Arqueiro
Gênero: Romance, Romance de Época, Ficção
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:     
Sinopse: Quando Gowan, o magnífico duque de Kinross, decide se casar, seu plano é escolher uma jovem adequada e negociar o noivado com o pai dela. Ao conhecer Edie no baile de apresentação dela à sociedade, ele acredita que, além de linda, ela também seja a dama serena que ele procura e imediatamente pede sua mão. Na verdade, o temperamento de Edie é o oposto da serenidade. No baile, ela estava com uma febre tão alta que mal falou e não conseguiu prestar atenção em nada, nem mesmo no famoso duque de Kinross. Ao saber que seu pai aceitou o pedido do duque, ela entra em pânico. E quando a noite de núpcias não é tudo o que podia ser... Mas a incapacidade de Edie de continuar escondendo seus sentimentos faz com que o casamento deles se desintegre e com que ela se recolha à torre do castelo, trancando Gowan do lado de fora. Agora o poderoso duque está diante do maior desafio de sua vida. Nem a ordem nem a razão funcionam com sua geniosa esposa. Como ele conseguirá convencê-la a lhe entregar as chaves não só da torre, mas também do próprio coração?

Resenha:

Gowan Stoughton de Craigievar, Duque de Kinross, chefe do clã MacAulays é o protagonista da história. Com apenas 22 anos de idade, o jovem duque está procurando uma esposa, mas não uma desmiolada qualquer que sorria para ele por conta de sua riqueza. Gowan é muito específico em suas exigências: ele quer uma jovem tranquila, bela, pura, educada e esforçada que não queira unicamente passar o dia tomando chá ou lendo romances, mas que possua a vitalidade de cuidar de um castelo ao mesmo tempo que esteja criando seus filhos. Gowan possuía uma enorme propriedade para administrar e muitas pessoas dependiam dele e a futura duquesa de Kinross não poderia fazê-lo perder tempo ou se dar ao luxo de viver de frivolidades.

Ele viaja para encontrar um grupo de banqueiros em Brighton e um desses banqueiros, Gilchrist, ia oferecer um baile que contaria com a presença de jovens damas. Encarando o casamento com uma negociata, Gowan acredita que seria a ocasião perfeita de encontrar uma mulher que se encaixasse do seu esquema de casamento.

Quando Gowan dança com Lady Edith Gilchrist (Edie), ele percebe que encontrou a mulher da sua vida, ela daria uma perfeita duquesa de Kinross. Ela é uma dama pacata, discreta, educada e linda. Sem nem ao menos conhecê-la melhor ele não hesita. No dia seguinte, ele procura o lorde Gilchrist, pai de Edie e seu casamento é arranjado.
“A verdade era que ele nunca fazia nenhum tipo de aquisição. Tinha quem fizesse isso para ele. Não gostava de fazer compras. A única coisa que comprava diretamente eram os cavalos. Um pensamento reconfortante atravessou sua mente: ele havia comprado a maior parte de seus animais e não teve problemas com nenhum deles. Viu a égua certa e reconheceu instantaneamente que ela se encaixaria em seu programa de reprodução. Claro que aquela não era uma forma muito lisonjeira de pensar em sua futura esposa, mas era a verdade. Dera uma olhada em lady Edith e percebera no mesmo instante que a queria. E queria filhos com ela.”
Acometida por uma febre e mal conseguindo se colocar de pé no baile, tudo que ela podia fazer era manter um sorriso no rosto. Edie não consegue se lembrar muito bem dos cavalheiros com que dançara na festa e embora seja uma mulher apaixonada, vibrante e uma musicista de talento, ela aceita com serenidade o acordo matrimonial de seu pai com o duque. Ela só pensa em seu violoncelo e pouco lhe importa um casamento, títulos ou o pretendente que seu pai lhe arrumara.
“Seria perda de tempo ficar por ali fazendo cara feia para os pretendentes de Edith, e Gowan, como se sabe, não perdia tempo. Em vez disso, foi para casa e escreveu uma mensagem para seu advogado londrino, Jelves. Informou que pretendia se casar em breve e solicitou que preparasse uma proposta de acordo matrimonial a ser entregue em sua casa na primeira hora da manhã.”
Quando Gowan se casa com Edie e finalmente vislumbra sua verdadeira essência, ele não se sente menos atraído por ela - na verdade seu desejo é possante e ele só pensa em tê-la por perto e esquecer suas responsabilidades. No entanto Gowan é um homem rígido, de horários estabelecidos e sabe que se render aos seus anseios seria uma prática inconcebível e de forma alguma ele desejava se tornar um sujeito irresponsável como o pai, um bêbado inveterado que só sabia destruir a honra da família.

Gowan ainda era virgem quando casou e sempre lutou contra paixões ou ideias que o levassem a sair do seu constante estado de cautela. Ele fazia o que achava ser correto e necessário e não aceitava desacatos. Embora lindo, forte, musculoso e viril, Gowan era tão marcado emocionalmente pela lembrança negativa dos pais que acreditava que a castidade e o controle inflexível de seus dias o livraria de grandes problemas.
“Conseguira manter sob controle aquela emoção deselegante, a luxúria, durante seus primeiros 22 anos de vida. Desdenhara da ideia de trocar intimidade por moedas, e uma mistura de fastio e honra o impedira de aceitar animados convites de mulheres casadas. Além disso, ele estava comprometido na época, embora ainda aguardasse que Rosaline atingisse a maioridade. É claro que sentia desejo, mas sempre o mantivera sob controle.”
Apesar de aceitar o casamento, Edie tem medo de viver o que seu pai e madrasta estão vivendo – um casamento marcado pelo desentendimento, desconfiança e lágrimas. Um dia já foram apaixonados, mas o presente mostra apenas um homem indiferente com a esposa, enquanto sua madrasta, Layla, vive em constante tristeza por conta de sua incapacidade de ter filhos. Edie acompanha de perto o drama da família e tem muito medo do seu casamento tomar a mesma proporção e no final ser abandona emocionalmente, pois enxerga em Gowan traços do próprio pai.

Por fim o casamento acontece e na noite de núpcias, mesmo sentindo atração por seu marido, Edie simplesmente detesta o sexo, achando extremamente doloroso. Com medo de desagradar o marido ela segue os conselhos da madrasta fingindo orgasmos para se livrar logo do ato. Enquanto isso, Gowan acredita estar agradando sua esposa, tornando cada ato sexual mais desagradável para Edie.
“Devia haver alguma coisa de errada com ela, pois Layla dissera que não doía. Ou havia algo de errado com ele. Ou com os dois. Não sabia o que fazer. Não conseguia se imaginar relatando a um médico algo tão íntimo. Então Gowan ergueu a cabeça, o olhar ainda atordoado de prazer. Ele perguntou: – Edie, foi tão terrível e doloroso assim? Ela engoliu em seco e soube, naquele momento, que não suportaria desapontá-lo. Então contou a primeira mentira de sua vida, porque respondeu “não” quando queria dizer sim. E quando ele disse, carinhoso: “Não faremos de novo essa noite”, ela respondeu: “Tudo bem”, quando na verdade queria dizer Nunca mais faremos isso.”
Edie e Gowan são ambos jovens e ignorantes em relação aos próprios sentimentos; eles possuem pensamentos preconcebidos sobre o outro e mesmo estando apaixonados cometem grandes deslizes que acaba os afastando. Enquanto Gowan está cego por seus desejos, Edie se fecha em seus medos. Quando por fim ele descobre a verdade, se sente rejeitado enganado e rejeitado pela esposa e acaba indo embora de casa, deixando Edie humilhada e sozinha.
“– Vá em frente e me chame de tolo, porque é o que eu sou. Eu me apaixonei por você e enfiei na cabeça que era uma mulher perfeita. – E agora não acha mais? – Você é perfeita tocando violoncelo. Na verdade, o instrumento é a única coisa com que você realmente se importa. Seu pai tentou me revelar isso, mas eu também o ignorei. Você está casada com o violoncelo, não comigo. E eu me casei com uma mulher que precisou ficar bêbada para desfrutar de alguma intimidade.”
“Ele caminhou para a porta, deixando-a de pé no meio do aposento. – O drama não lhe cai bem. – A voz dele endureceu. – Meu pai me avisou, sabe. Falou que existem dois tipos de mulher: aquelas que dão e sentem prazer e as esposas, que ficam deitadas na cama como panquecas. As lágrimas rolavam pelo rosto de Edie, turvando sua visão.”
Querendo se manter afastada, Edie pede ajuda aos empregados para que tornem a torre da propriedade, um local em ruinas, abandonado e cercado de crendices em seu novo lar. Trancada emocionalmente e entregue a sua música, ela espera apenas o momento em que seu pai vá lhe buscar, já que um entendimento com Gowan é uma tarefa impossível.
“Se Edie não tivesse aprendido a trancar sua dor durante o dia, não teria tanto sucesso de noite. O abismo em seu coração parecia se abrir no momento em que ela largava o violoncelo. No entanto, a disciplina ferrenha da infância a pusera nos eixos. Se o pai largasse tudo para buscá-la na Escócia – como ela tinha certeza de que aconteceria quando recebesse sua carta –, deveria estar com eles em mais uma semana ou dez dias. Edie precisava apenas sobreviver até lá.”
Temas pesados como casamentos malsucedidos, falta de comunicação, mentiras e inadequação sexual foram tratados de maneira leve e muitas vezes com jocosidade pela autora. Para quem está de fora é fácil dizer: deixem de mimimi, apenas conversem um com o outro e se entendam. No entanto os personagens precisavam amadurecer, e como dizia a minha avó, “bater cabeça” para finalmente encontrarem um ponto de equilíbrio para o diálogo e a compreensão.

Novamente a escrita de Eloisa James foi cativante e de boa qualidade, mostrando o leitor o lado sombrio de um conto de fadas e que é preciso uma longa caminhada antes do tão desejado final feliz.
“Ambos deveriam ter explorado a intimidade juntos, mas sua determinação em seguir um plano com falhas destruíra essa possibilidade. Ele estava tão desesperado em agradar a ela que arruinara tudo o que existia entre os dois. Se ele apenas tivesse admitido a própria ignorância, ela confiaria nele. Poderiam ter encontrado um caminho juntos. No entanto, ele sentira medo: de fracassar, de que ela o desprezasse como o pai o desprezara. Essa era a verdade.”

5 comentários

  1. Oi, Nádya,

    Posso estar errada, mas tive a impressão de que os sentimentos de ambos foram desenvolvidos rápido demais.

    Então, por causa desse ponto, eu me desanimei um pouco em lê-lo... No mais, parece ser uma história bem construída e sucinta.

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  2. Olá! Eu estou apaixonada por essa série, histórias lindas, capas maravilhosas, essa última nem tanto (risos), apesar disso o enredo com certeza compensa essa capa não tão bonita, nossos protagonistas são tão novinhos e passam por tantos conflitos, e tudo por falta de diálogo, mesmo que Edie antes do casamento tenha se comprometido a não cometer os mesmos erros que acontecem no casamento do seu pai, ela percebe que na prática não seria tão fácil, Gowan é um mocinho tudo de bom, mas como sempre bastante teimoso, mas os dois juntos garantiram muitos momentos engraçados. Eloisa, mais uma vez, não me decepcionou, adorei o livro.

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  3. Olá!
    Eu não li nada da autora, mas obtenho um livro dela na estante e estou bem curiosa para ler.Esse tem uma ótima premissa, me fez fica curiosa e ao mesmo tempo receosa pelo livro..Espero ler em breve!

    Meu blog:
    Tempos Literários

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  4. Confesso que romance não é meu gênero literário preferido, apesar de os de época me atraírem por seu cenário e panorama cultural que atravessam a história. Essa em particular me pareceu bastante original, diferente da maioria dos enredos que conheço. Gosto do fato de poder acompanhar os protagonistas em seu amadurecimento gradativo, bem como do aspecto de eles serem construídos de maneira bastante humana, cheia de falhas, angústias e inseguranças. A trama tem tudo pra ser complexa e surpreendente.

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  5. Oi Nádya!
    Que resenha linda, parabéns!
    Fiquei ainda mais interessada em ler os livros da autora, parecem ser mto bons, as capas estão lindas tbm.
    Bjs!

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