Suicidas - Raphael Montes

Título: Suicidas
Autor: Raphael Montes
Páginas: 342
Ano: 2017
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Suspense
Adicione: Skoob
Onde Comprar: Amazon
Nota:                   
Sinopse: Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirar a própria vida, ou que a série de televisão Thirteen Reasons Why fosse lançada e se tornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos, já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontrados mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida.



Resenha:


Raphael Montes, autor carioca, teve seu debute literário em 2012 com seu romance, Suicidas, que foi finalista dos prêmios Benvirá e Machado de Assis. Ganhei a primeira edição em um sorteio realizado pelo próprio Raphael no Natal de 2015 e devo dizer que o primeiro contato com sua escrita foi chocante. Não resisti quando a editora Companhia das Letras lançou uma nova edição em agosto de 2017 e garanti minha edição.

São mais de quatrocentas páginas de puro suspense, nos qual mais um capítulo foi inserido em sua trama. Tendo sua narrativa em primeira pessoa, Suicidas é leitura de primeira qualidade.
“O suicídio deturpa todo esse projeto predeterminado de vida e morte. Seria como se você mesmo roubasse o controle das mãos do Divino e decidisse apertar o “Stop” na hora que quisesse. Roubar Dele o direito de mandar em sua vida.”
A história tem sua forma de apresentação dividida em três partes: o diário de Alessandro, um jovem nerd com aspiração de se tornar um escritor famoso, no qual mostrava registros eventuais de seu dia a dia e experiências que antecedem ao fatídico evento, sua narrativa quando a roleta russa promovida pelo seu melhor amigo Zak e mais sete colegas estava acontecendo e o encontro entre as mães dos suicidas promovido pela delegada Diana Custódio um ano após o evento que provocou a morte dos jovens.


Vários momentos do que aconteceu em Cyrille’s House ainda era uma incógnita e a delegada tinha a pretensão de dirimir suas dúvidas. Era sabido que os jovens praticaram roleta-russa, que consiste em deixar uma só bala no tambor de um revólver, fazê-lo girar, apontar o cano da arma para si próprio ou para outrem, sem conhecer a posição exata da bala, e apertar o gatilho. Mas algumas dúvidas ainda pairavam no ar.  O que tinha motivado jovens da elite carioca, que não apresentavam características suicidas em participar de um jogo em que todos sabiam que a morte era o destino final e qual o motivo dos corpos terem sido encontrados com traços extremos de violência.
“Um porão, nove jovens e uma Magnum 608. O que poderia ter levado universitários da elite carioca – e aparentemente sem problemas – a participarem de uma roleta-russa? Um ano depois do trágico evento, que terminou de forma violenta e bizarramente misteriosa, uma nova pista, até então mantida em segredo pela polícia, ilumina o nebuloso caso. Sob o comando da delegada Diana Guimarães, as mães desses jovens são reunidas para tentar entender o que realmente aconteceu, e os motivos que levaram seus filhos a cometerem suicídio.”
O que posso dizer? É preciso ter sangue-frio para digerir a chocante realidade do que aconteceu aos jovens no porão da casa em Cyrille’s House. Essa foi à parte que mais me impactou na narrativa. Os pormenores são descritos sem pudores, podendo abalar moralmente pessoas com uma sensibilidade literária mais apurada.
"Hoje é a primeira vez que pisaremos em Cyrille's House sem a presença dos nossos pais. Também não poderia ser diferente. Não estamos indo para brincar no balanço ou nadar na piscina, enquanto nossas mães conversam sobre a última moda em Paris. Desta vez, iremos por algo muito mais sério. Nós decidimos nos matar."
As partes em que as mães entram em cena incomoda devida a falta de desenvolvimento emocional e empatia das mesmas. Elas se comportavam como crianças birrentas, se repetindo em suas lamentações, acusando e culpando outros pelos erros dos próprios filhos.


Já a leitura do diário de Alessandro me deixava em estado latente de angustia, pois eu queria realmente entender o que direcionava uma pessoa a tramar contra a própria vida. Eu pressupunha que naquelas páginas estavam as respostas que eu tanto buscava e procurava compreender.
“Sou curioso. Assim como você, leitor, que percorre com avidez estas linhas, eu queria saber exatamente o que ia acontecer. Por mais macabro que fosse. Por mais louco. E não me importo. Não se importe você também. Ninguém está olhando… Ninguém vai nos condenar por estes segundinhos de sordidez…”
Toda vírgula é importante na história, e o final foi completamente escaldante. Tudo se encaixou com perfeição e sinceramente a capacidade do homem em ser cruel me assusta. Não consigo entender porque a ganância e o ter encanta tanto o homem.


“É impressionante a atração humana pela desgraça alheia."
A edição está primorosa, não encontrei erros de escrita e as folhas são em papel pólen. Para quem curte um suspense recheado de um panorama inflexível da realidade do ser humano, super aconselho essa leitura.

7 comentários

  1. Eu sou fã incondicional do trabalho do Raphael!!!Tenho todos os livros, exceto O Vilarejo(que ainda vou ter),mas amo todos, de paixão!
    Suicidas é um livro perfeito na minha humilde opinião, por trazer não só os suicídios, mas também a amizade, o preconceito, as intrigas que fazem parte da vida de muitos jovens!
    Super indicado!
    Beijo

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  2. Oi Nádya.
    Eu sou meio cagona quando o assunto é livros com essa temática, confesso que o fato de que o autor escreve sem pudor algum, é um problema para mim, mas enfim, estou ansiosa para conhecer sua escrita e descobrir o porque que esse autor é tão aclamado no genero, e qual a motivação dos jovens em participar de uma roleta russa.
    Bjs.

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  3. Só li um livro dele até hoje e já deu pra sentir que o autor gosta de coisa bizarras, que chocam e muito sangue. Gostei demais do que li e queria conhecer outros. Esse é um que sempre vejo falando super bem e tenho uma curiosidade pra conhecer. Tem ali suas coisas chocantes também e entender esse mistério, do que levou esse povo a fazer isso e coisa e tal é a grande graça da história. Já me chamou atenção por isso. E nossa, a escrita dele parece ser dessas tramas que a gente tem que prestar atenção em tudo e tudo importa. Adoro quando um livro é assim e esse tá parecendo ótimo mesmo. Alguma hora queria pegar os outros livros dele pra ler e esse seria o primeiro da lista.

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  4. Não conhecia o autor e nem esse livro.
    Gosto muito de suspense, e saber que apesar do livro ter tantas páginas não o tornou cansativo me deixou bem animada.
    Amei a capa e pretendo lê-lo.

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  5. Olá! Legal descobrir que bem antes do mundo todo abordar o assunto suicídio, esse autor brasileiro já havia lançado um livro sobre o tema, acho que esse relançamento é uma oportunidade ótima para aqueles que ainda não conheciam o autor (como é o meu caso), o enredo está repleto de mistérios e suspense do jeito que eu gosto.

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  6. Oi Nádya!
    Ah, não sei porque ainda não comprei esse livro, desde o primeiro lançamento os elogios ao autor e a história são incríveis! Sabe, não vou dizer que tenho o estômago forte para esse tipo de leitura, mais um autor que faz com que o leitor se sinta agoniado, apreensivo, entre outros, é exatamente aquele que me conquista!
    Estou repleta de curiosidades para ler as partes do diário de Alessandro, creio que será a parte mais importante e gostosa de ler. Amei a resenha.
    Beijos

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  7. Olá!
    Eu tenho Jantar Secreto do autor, mas ainda não consegui ler, atrasada dmais com minhas leituras, sofrendo de uma longe ressaca literária que parece não ter fim...
    Mas assim que der qro ler e conhecer a escrita dle, este tbm vai pra minha listinha.
    Bjs!

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